TCU quer paralisar Ferrovia Oeste-Leste

Uma obra de R$ 2,4 bilhões para a construção de uma ferrovia na Bahia está prestes a ser paralisada devido a problemas com o licenciamento ambiental.

A Ferrovia Oeste-Leste (Fiol), ligando o oeste do Estado a um porto no sul, é crucial para viabilizar a exploração de uma grande mina de minério de ferro em Caetité (BA), com capacidade de produção de 20 milhões de toneladas por ano. A mina pertence ao grupo ENRC, que tem origem no Cazaquistão.

O problema principal está justamente no porto. O governo da Bahia e a ENRC, responsáveis pela obra, ainda não conseguiram a licença ambiental.

Por causa disso, o ministro André Luiz de Carvalho preparou parecer pedindo a paralisação das obras no trecho entre Caetité e Ilhéus.

De acordo com o ministro, a obra não pode continuar até que os problemas ambientais no porto e também numa região de cavernas sejam solucionados, sob risco de dano ao erário.

O processo é sigiloso e seria votado no dia 25 passado. A Folha apurou que, a pedido do governo da Bahia, o processo saiu da pauta.

Em 2011, o Ibama apresentou vários impedimentos que inviabilizaram a construção de um porto na chamada Ponta da Tulha, em Ilhéus, como previsto originalmente. O governo baiano escolheu novo local, Aritaguá, a 5 km de distância do anterior.

O novo estudo ambiental aponta que o novo porto ficará até mais próximo do fim da ferrovia. Mas o projeto de Aritaguá ainda não foi aprovado pelo Ibama.

No total, a Fiol tem cerca de 1.500 km e três trechos, dois dos quais foram licitados em 2010 pela Valec, estatal de ferrovias. O trecho 2, de Caetité a Barreiras, já foi paralisado pelo TCU neste ano devido a suspeitas de irregularidades nos projetos.

O trecho 1 é o que vai de Caetité a Ilhéus. Ele está em andamento e um dos seus lotes tem 12% das obras concluídas. Se for paralisado até a liberação da licença, que não sai ante de outubro, as obras, já atrasadas, vão demorar ainda mais, comprometendo o investimento previsto pela ENRC na mina.

A empresa já se comprometeu a pagar R$ 3,5 bilhões pelo uso da ferrovia, além de investir R$ 300 milhões em equipamentos ferroviários, sem contar o investimento de R$ 1,6 bilhão na mina.

O TCU informou que o processo saiu da pauta, “pois se identificou a necessidade de complementação de algumas informações técnicas”. Possivelmente voltará neste mês. A Valec informou que passou diretrizes técnicas às empresas para o novo local e já está adaptando o projeto.

Fonte: Folha de São Paulo, 11/05/2012

SuperVia lucra R$ 28 milhões em 2011

Após diversas panes, acidentes e falhas operacionais ao longo do ano passado, a Supervia, concessionária de trens do Rio, pagou R$ 6,416 milhões em salários, bônus e participação nos lucros a executivos, diretores e conselheiros da empresa, segundo demonstrativos financeiros publicados nesta quinta-feira.
A empresa, controlada pelo grupo Odebrecht desde janeiro de 2011, justificou que a gestão “cumpriu todas as metas do programa de investimentos previstas no Contrato de Concessão”.
O valor gasto em honorários equivale a 23% do lucro líquido contábil da empresa em 2011, que chegou a R$ 28,156 milhões devido à utilização de créditos tributários. No acumulado de 2010, houve prejuízo contábil de R$ 19,710 milhões.
Houve redução no gasto com a remuneração de executivos, que somou R$ 6,822 milhões em 2010 (6% a mais do que no ano passado), de acordo com o balanço contábil da empresa. A concessionária não informou quantos funcionários foram classificados como “pessoal-chave da administração” (principais executivos, conselheiros e diretores).
A Supervia informou também que os gastos de remuneração de executivos, diretores e conselheiros da empresa atingiram esse montante em 2011, porque houve mudança de funcionários no ano passado, mas não esclareceu por que o valor foi diferente ao desembolsado em 2010.
“Todos os seus integrantes são bonificados de acordo com os resultados obtidos no ano, cumprindo os requisitos e as normas dispostas em Acordo Coletivo, firmado com o sindicato da categoria”, diz a empresa em nota.
O gasto total com salários e encargos sociais de todos os trabalhadores da empresa chegou a R$ 18,433 milhões no ano passado, ainda de acordo com o balanço da empresa.
A Supervia faturou R$ 441,615 milhões em 2011 com o transporte de passageiros pela linha ferroviária fluminense, um aumento de 29% em comparação à receita bruta de 2010.
Indagada sobre o desempenho financeiro, a empresa se limitou a destacar que fez em 2011 “o maior investimento do sistema ferroviário do Rio de Janeiro desde o início da concessão, num total de R$ 121 milhões”.
Acrescentou que deve investir neste ano R$ 230 milhões na operação dos trens.
A Supervia terminou o ano passado com R$ 10,834 milhões em caixa.
Fonte: O Globo, 26/04/2012

Obras da Linha 3 do metrô começam em janeiro de 2013

O Governo Federal já anunciou a liberação dos recursos para a implantação da Linha 3 do metrô, ligando Niterói a São Gonçalo. Realizado pela Secretaria de Obras no âmbito do PAC 2, o metrô será responsável pela integração dos dois municípios, com possível extensão até Itaboraí, onde está sendo construído o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Os investimentos públicos totalizam R$ 1,734 bilhão, sendo R$ 500 milhões do Orçamento Geral da União (OGU), R$ 774 milhões do BNDES, R$ 200 milhões de financiamento com o Banco do Brasil e R$ 260 milhões de compensação ambiental.

A Linha 3 começa na estação Arariboia, num projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, desenvolve-se ao longo de um trecho de 22 km, sendo 17,7 km em viadutos e 4,3 km em superfície, ligados por 14 estações, possuindo ainda um estacionamento e garagem para pequenos atendimentos e reparos em Barreto e um Centro de Manutenção, em Guaxindiba. O projeto da estação Arariboia irá compor o Caminho Niemeyer, sendo um presente à população.

– Em um mês será lançada a modelagem do edital, definindo as regras que a Parceria Público Privada (PPP) terá que seguir. Em outubro o edital será lançado e nossa previsão é que em janeiro de 2013 possamos contratar e dar início às obras – disse o secretário de Obras, Hudson Braga.

O metrô atenderá a grande necessidade de transporte de passageiros gerada pelos municípios atingidos, além de garantir o deslocamento intermunicipal da população dos municípios abrangidos, de aproximadamente 1,7 milhão de habitantes. Calcula-se que 70% dos usuários da Linha 3 terão como destino a cidade do Rio de Janeiro, utilizando a Estação Arariboia, a maior estação do sistema, como estação terminal e de integração. Essa estação ficará ao lado de onde hoje encontra-se o terminal das Barcas e será construído um terminal intermodal, integrando os sistemas de metrô, barcas e ônibus municipais e intermunicipais, atendendo aproximadamente 600 mil passageiros/dia, compondo a maior integração intermodal do país e a primeira a incluir um terminal aquaviário.

A outra estação terminal é Guaxindiba, localizada próximo à BR-101, que permitirá a integração intermodal com os municípios de Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Magé, garantindo o deslocamento até Niterói e Rio de Janeiro. Há uma expectativa de ampliar o sistema até Itambi, em Itaboraí, para atender os funcionários do Comperj, e Visconde de Itaboraí.

O projeto de revitalização da estação Barreto prevê a recuperação da antiga estação ferroviária, atualmente desativada. Já a estação Vila Lage, a primeira de São Gonçalo, ajudará a estruturar o transporte de massa na região. Aquela área hoje é servida apenas por ruas, que acabam com grandes engarrafamentos, prejudicando a economia local e o meio ambiente. Na Praça do Zé Garoto, no Centro de São Gonçalo, haverá dois acessos, para atender ao grande fluxo de passageiros na região. A expectativa é reduzir o tempo de deslocamento entre as duas pontas da linha de duas horas para 40 minutos, garantindo um transporte limpo e seguro.

 Fonte: JB Online, 26/04/2012

Rio: Em até dois meses começam as obras da Linha 4

Pelo menos no que diz respeito à PUC-Rio, não existe mais empecilho para que seja levado adiante o projeto de implantação da Estação Gávea da Linha 4 do metrô (Barra-Zona Sul), em área ocupada por parte do estacionamento de alunos e professores e pelo Instituto Gênesis.

Estado e universidade chegaram a um acordo que prevê a transferência provisória de 280 das 1.050 vagas para um terreno de dez mil metros quadrados na Rua Marquês de São Vicente — a ser desapropriado ou arrendado — e a construção, pelo governo, de um prédio de quatro andares para abrigar a encubadora de empresas da PUC. O entendimento foi noticiado pelo boletim informativo da universidade.

O impasse, no entanto, ainda está longe do fim. Temerosos de impactos no trânsito, dirigentes das associações de moradores do Alto Gávea e do Leblon estão iniciando um movimento contra a transformação do terreno (ao lado do número 94 da Marquês de São Vicente e próximo à Rua Embaixador Carlos Taylor), que pertence ao Supermercado Mundial, em estacionamento. Já o secretário estadual da Casa Civil, Regis Fichtner, espera que as obras da estação possam começar entre 30 e 60 dias, estendendo-se até 2015. Ainda segundo ele, o uso do terreno da Marquês de São Vicente será por tempo determinado. Ou seja, pelo período necessário de interdição de parte do estacionamento, estimado em dez meses.

– O que acertamos é que nos avisem com antecedência sobre a data de início das obras. Também só vamos entregar o Instituto Gênesis para ser demolido depois de o novo edifício ficar pronto — diz o vice-reitor de Desenvolvimento da PUC, Sergio Bruni, acrescentando que, embora estejam dentro dos muros da universidade, as vagas atuais ficam fora do campus, numa área da Cehab que foi arrendada.

Linhas de ônibus deixarão terminal

A implantação do canteiro de obras na Gávea, explica Fichtner, depende da concessão da licença definitiva das obras, pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca). A licença prévia de instalação foi dada este mês para o trecho sul da Linha 4 (da Gávea à Praça General Osório, em Ipanema). Uma das exigências, incluídas no parecer da Ceca, é que a Estação Gávea tenha dois níveis subterrâneos. O chefe da Casa Civil, no entanto, quer demonstrar à comissão que o projeto de construir um nível é mais adequado:

– Em dois níveis, a estação vai custar mais. Além disso, o solo do local não é bom.

Com o início da construção da estação, acrescenta Fichtner, para acessar as atuais vagas dentro da PUC será preciso dar a volta no canteiro de obras. O secretário informa ainda que duas das quatro linhas de ônibus que hoje fazem ponto final no terminal da Gávea serão remanejadas. A alteração está sendo projetada em comum acordo com a Secretaria municipal de Transportes.

O terreno do Mundial chegou a ser declarado de utilidade pública para fins de desapropriação em 2001, pelo então prefeito Luiz Paulo Conde. O prefeito Eduardo Paes, porém, revogou o decreto, argumentando que o temor de moradores não tinha sentido, uma vez que teria de ser cumprida a legislação urbanística da área, que impede a construção de um grande supermercado no local.

– É possível erguer ali dois prédios de sete andares. Eles não acarretariam o impacto viário de um estacionamento. É preciso considerar ainda o absurdo que é gastar dinheiro público para beneficiar estudantes de uma universidade de elite, que podem usar o transporte coletivo. Dizem que o estacionamento será provisório. Podemos acreditar? Se querem criar um estacionamento na área, que façam uma garagem subterrânea na Praça Santos Dumont, para atender a todos — diz o diretor de Urbanismo da Associação de Moradores do Alto Gávea, Luiz Fernando Penna.

A presidente da Associação de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig, também reclama:

– Os carros que hoje entram pela Avenida Padre Leonel Franca vão passar a usar a Marquês de São Vicente. Quando se cria uma garagem, se induz o fluxo de carros. Os alunos e professores podem se adaptar a meios menos poluentes de transporte.

Entre os que criticam o uso do terreno do Mundial como estacionamento da PUC está a vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), moradora do Alto Gávea:

– Teremos um engarrafamento monstro na Marquês de São Vicente. O estado também vai gastar muito dinheiro para desapropriar aquele terreno (a avaliação está sendo feita pelo governo). Moradora do Alto Gávea há 25 anos, a designer Heloisa Ignez Ortega Schmitt pensa diferente. Argumenta que é melhor criar um estacionamento do que correr o risco de não ter uma estação do metrô na Gávea.

– O trânsito da Marquês de São Vicente é intenso, porque a rua é cheia de escolas. Além do mais, cada um tem de ceder um pouco. É preciso escolher o que é menos ruim para os moradores.

Presidente da Associação de Moradores da Gávea, Maria Amélia Crespo teme pelo impacto viário, mas prefere esperar antes de se posicionar sobre o estacionamento:

– Primeiro quero ver o projeto. Depois, vamos convocar os moradores da Gávea para discuti-lo. O que não podemos é, simplesmente, sermos contra o progresso.

Com 16 quilômetros de extensão, a Linha 4 começou a ser construída em 2010, pelo trecho oeste. Estão sendo executadas três frentes de serviço: emboque Barra, com a escavação dos túneis sentido São Conrado e Jardim Oceânico; Estação Jardim Oceânico, na Avenida Armando Lombardi; e Estação São Conrado, próximo à Rocinha, com a escavação dos túneis sentido Barra.

Já o governo federal anunciou a liberação dos recursos para a implantação da Linha 3 do metrô, que ligará Niterói a São Gonçalo. Os investimentos públicos totalizam R$ 1,734 bilhão: R$ 500 milhões do Orçamento Geral da União; R$ 774 milhões do BNDES; R$ 200 milhões de financiamento do Banco do Brasil; e R$ 260 milhões de compensação ambiental. O secretário estadual de Obras, Hudson Braga, acredita que em um mês seja lançada a modelagem do edital para da Linha 3, definindo as regras que a parceria público-privada (PPP) terá que seguir. O edital deverá ser lançado em outubro. A previsão do governo é que em janeiro de 2013 as obras possam começar.

O Globo, 26/04/2012

Transporte sobre trilhos ganhará 60% de verbas do PAC

A ANPTrilhos esteve presente nesta terça-feira (24/04) no Palácio do Planalto, onde a presidente Dilma Rousseff anunciou os investimentos no programa PAC Mobilidade Urbana Grandes Cidades.

O Programa contemplará 51 municípios de 18 Estados da Federação num total de R$ 32 bilhões em investimentos em transporte público, sendo R$22 bilhões do Governo Federal e mais R$ 10 bilhões em contrapartida dos Estados.

Dentro do Programa, cerca de 60% dos investimentos serão aplicados para a construção de linhas de metrô, Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), aeromóvel e transporte ferroviário de passageiros nas cidades brasileiras. Está prevista construção de mais de 200 quilômetros de linhas de metrô e a compra de mais de mil veículos sobre trilhos.

Os projetos selecionados na área de transporte sobre trilhos são:

• CE- Implantação da Linha Leste do Metrô de Fortaleza;

• DF – Expansão e Modernização do Metrô do DF

• BH – Rede de Metrô

• PR – Linha Azul do Metrô de Curitiba – 1ª Etapa

• RJ – Implantação de VLT – Área Central e Portuária; Metrô Linha 3 – São Gonçalo – Niterói; Sistema Sobre Trilhos Aeromovel Nova Era – Valverde; Sistema Sobre Trilhos Aeromovel Centro – Nova Era

• RS – Metrô de Porto Alegre (MetrôPoa) – 1a Fase

• GO – Metrô Leve Eixo Anhanguera

• AL – implantação do Corredor VLT Aeroporto-Maceió – 1º Trecho

• PB – VLT Metropolitano de João Pessoa

• PI – Melhoria e ampliação do transporte ferroviário

• SP – Monotrilho São Bernardo do Campo – São Paulo – Fase 1

Todos eles são projetos estruturantes que ampliarão a capacidade de transporte dentro dos centros urbanos brasileiros. Por essa razão, a ANPTrilhos apoia a iniciativa do PAC da Mobilidade, que busca ampliar a mobilidade dos brasileiros e certamente contribuirá para sua maior segurança, conforto e qualidade de vida.

Para consultar a listagem completa das obras já contempladas no Programa acesse o link http://anptrilhos.org.br/images/stories/pdfs/anptrilhos-pac-mobilidade.pdf

Fonte: ANPTrilhos, 24/04/2012

Ferrovias ficam com 1% do crédito do BNDES ao setor

Dos quase R$ 30 bilhões que o BNDES liberou para novos projetos de infraestrutura no ano passado, apenas R$ 226 milhões (menos de 1%) foram destinados a obras de ferrovias. O número vai na contramão das exigências do governo federal, que demanda mais investimentos na malha concessionada – especialmente em trechos hoje abandonados pela iniciativa privada. As empresas, por sua vez, preferem fazer melhorias apenas em trechos que trazem maior rentabilidade – um problema causado, na opinião de fontes ligadas ao setor, pela pouca exigência nos contratos de concessão dos anos 90.

No ano, a única empresa concessionária de ferrovias que contratou recursos do banco de fomento foi a MRS Logística, cujos donos são Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Vale, Gerdau e Usiminas. Concessionária de malha ferroviária nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, a companhia assinou financiamento para aquisição de 44 locomotivas em dois contratos de R$ 113 milhões. Outras grandes empresas do setor, como América Latina Logística (ALL) e Vale não figuram dentre os que contrataram financiamento do banco para ferrovias.

A soma contratada entre empresas e BNDES no setor de infraestrutura em 2011 prioriza projetos em energia (75% do total ao setor). Se analisados apenas investimentos em transportes, rodovias lideraram as contratações e receberam 20 vezes mais recursos do que a malha ferroviária. As estradas ficaram com 17% dos recursos do banco para o setor no ano. Os dados podem ser obtidos a partir do site do banco na internet.

Embora os números mostrem que os investimentos em novos projetos por parte das concessionárias de ferrovias reduziram, as empresas defendem que fazem investimentos maiores a cada ano. Foram R$ 4,7 bilhões em 2011. No entanto, a maior parte do montante aplicado por elas é direcionado à manutenção, compra de material rodante (locomotivas e vagões) e a trechos localizados, que as interessam em termos financeiros e têm retorno garantido – neste caso, não é preciso do BNDES. Pelo pouco retorno que outros trechos trazem, as concessionárias simplesmente os abandonam. Um terço dos 30 mil quilômetros da malha, nas contas do governo, está hoje subutilizada e degradada.

O presidente da Associação Nacional de Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, defende que os trechos hoje subutilizados são inviáveis. Se não conseguimos solucionar os trechos em 15 anos [de concessão], é porque [o problema] é de natureza econômica, diz. Aditivos contratuais não são vistos como solução por parte do governo, que prefere não aumentar o tempo de concessão.

Muitos trechos que beneficiam a sociedade, por exemplo desafogando o trânsito de carros numa região, são preteridos por não serem vistos como viáveis, explica um alto executivo ligado ao setor, que prefere não se identificar. Ele admite que a liberdade que as concessionárias têm em direcionar seus investimentos somente aos trechos que as interessam é um problema dos próprios contratos de concessão. Quando eu olho o contrato hoje, existem muitas coisas inadequadas. Não pode existir uma concessão de serviço público com apenas duas metas [segurança e volume]. Meta de investimentos, por exemplo, não existe.

Para Paulo Fleury, diretor do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), os investimentos localizados das empresas acabam não expandindo a capacidade dos trilhos – hoje uma necessidade do país. As ferrovias que temos hoje já chegaram ao limite da capacidade economicamente justificável, diz. Os trilhos, diz ele, movimentam somente 20% de carga no Brasil. No último levantamento que fizemos, as ferrovias perderam mercado em vez de ganhar.

Para Fleury, a iniciativa privada vai continuar não fazendo investimentos necessários à expansão sem uma regulamentação mais forte por parte do governo. É exatamente isso que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tentou aplicar nos últimos anos, a partir da gestão do então diretor-geral, Bernardo Figueiredo. O governo publicou uma nova diretriz de regulamentação para que, dentre outros itens, as empresas tenham metas de movimentação mínima de carga em cada trecho concessionado.

Como grandes projetos de extensão de ferrovias são considerados inviáveis, o governo assumiu a responsabilidade. Dos três grandes projetos de ferrovia em execução no país, dois são tocados pelo governo por meio da Valec. São eles a extensão da Norte-Sul (entre as cidades de Ouro Verde, em Goiás, a Estrela D’Oeste, em São Paulo) e o projeto da Oeste Leste (entre Figueirópolis, no Tocantins, e Ilhéus, na Bahia). Obras tocadas pelo poder público não recebem financiamento do BNDES, explica a chefe do departamento de logística e transportes do banco, Adely Branquinho. Ela diz que, apesar do número de 2011, há projetos feitos pela iniciativa privada que começaram nos anos anteriores e que, até 2015, o desembolso para ferrovias pode alcançar R$ 10 bilhões.

Fonte: Valor Econômico, 27/04/2012

A vez dos trilhos

De olho na melhoria da mobilidade urbana para receber o fluxo de turistas esperado para assistir aos jogos da Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016, governos municipais, Estados e União estão tirando do papel dezenas de projetos de metrôs, monotrilhos, trens de alta velocidade, trens regionais e corredores modernos de ônibus. Estima-se que nesta década sejam investidos mais de R$ 80 bilhões que poderão mudar o deslocamento de milhões de pessoas nas grandes cidades brasileiras. Os trilhos deverão ganhar espaço. “Não dá mais para ficar apenas sobre as rodas dos carros”, afirma Rodrigo Vilaça, presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), que esteve recentemente na Alemanha em uma feira do setor e constatou o interesse de empresas de vários países nos planos de investimento no Brasil.
Atualmente, oito milhões de passageiros são transportados por trilhos no País, sendo que mais de 70% desse total está nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, detentoras dos maiores sistemas de transporte dessa área. Esse número é baixo se comparado a outros países. Em Pequim, capital da China, por exemplo, seis milhões usam esse tipo de transporte por dia. Com os novos projetos, o número de passageiros transportados por trilhos deverá superar dez milhões em até quatro anos e poderá aumentar ainda mais até o fim desta década. Um novo sistema que poderá estrear nas cidades brasileiras nesta década é o Veículo Leve sobre Trilhos, chamado no jargão do setor por VLT, uma espécie de trem de passageiros cujo equipamento e infraestrutura são mais leves que os usados no metrô. Vitória, Rio de Janeiro, Salvador e Santos estudam sua adoção, o que pode representar pedidos superiores a R$ 500 milhões a fabricantes de bens de capital.
Há expectativa, também, em relação ao Trem de Alta Velocidade (TAV), que poderá envolver mais de R$ 35 bilhões de recursos na construção de um sistema de trens capazes de trafegar sobre trilhos a mais de 200 quilômetros por hora para interligar São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. Espera-se que a licitação da primeira etapa, que envolve a escolha de tecnologia e o operador da linha, seja feita ainda esse ano. “Esse é um projeto que envolve grandes investimentos e uma ampla cadeia”, diz Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base. Uma das cinco maiores cidades do mundo, com 21 milhões de habitantes, São Paulo tem o maior projeto de investimento para transportar passageiros sobre trilhos nos próximos anos. A proposta de orçamento do governo paulista é de investimentos de R$ 4,9 bilhões em metrô, apenas em 2012. Monotrilhos e trens regionais também estão na mira.
Um exemplo é a linha que será operada por meio de monotrilho e fará a ligação do aeroporto de Congonhas até a estação Morumbi da rede da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Uma primeira etapa do empreendimento deve ficar pronta até 2014 e a linha completa deve ser entregue em 2015. Deverão ser investidos R$ 3,6 bilhões no projeto. Sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro está também se preparando. A capital fluminense tem trabalhado para colocar em pé projetos de corredores exclusivos para ônibus, os chamados BRTs (Bus Rapid Transportation), que funcionam em pistas segregadas e estações modernas, além de veículos com ar-condicionado e mais confortáveis. Um dos maiores projetos é o da TransOlímpica, que prevê investimentos superiores a R$ 1 bilhão. A obra terá pistas para veículos, ciclovias e também corredores exclusivos de ônibus capazes de transportar 100 mil passageiros por dia.
Fonte: Revista Isto É, 20/04/2012 

RF lança concurso do Dia do Ferroviário

O dia 30 de abril é especial para todos os funcionários das ferrovias brasileiras, afinal, é nessa data que se comemora o Dia do Ferroviário. Pensando em fazer uma homenagem aos trabalhadores que participam da evolução das ferrovias no país, a Revista Ferroviária irá publicar, em sua próxima edição, a história de um de seus leitores.

Para participar é simples: basta enviar para a redação da RF, até o dia 27 de abril, um texto que tenha como tema “Minha vida na ferrovia”.  Podem participar os funcionários das operadoras de carga e passageiros de todo o Brasil. As histórias serão avaliadas e a mais interessante ganhará uma reportagem na revista.  Vale lembrar que os textos devem retratar fatos reais da vida dos ferroviários, e o e-mail deve conter o nome completo do participante, idade e telefone para contato. Os textos devem ser enviados para o e-mail redacao@revistaferroviaria.com.br.

O Dia do Ferroviário tem base histórica – foi em 30 de abril de 1854 que se inaugurou a primeira linha férrea do país, a Estrada de Ferro Petrópolis, também conhecida como Estrada de Ferro Mauá. O empreendimento, feito pelo empresário Irinieu Evangelista de Souza (o Barão de Mauá) tinha cerca de 14 km e ligava o Rio de Janeiro à Raiz da Serra, próximo a Petrópolis.

Serviço: Concurso “Minha vida na ferrovia” Enviar textos para: redacao@revistaferroviaria.com.br Prazo para envio: 27/04

Revista Ferroviária, 20/04/2012

Trem turístico próximo de virar realidade em Mangaratiba

O presidente da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária, Antonio Pastori, esteve em Mangaratiba esta semana para uma inspeção nas estruturas e condições da cidade para receber o “Trem dos Mares da Costa Verde”.
Pastori foi designado pela secretaria Estadual de Transportes para dar o parecer sobre viabilidade do projeto e inspecionar não só Mangaratiba, mas todas as cidades que tem o potencial para este tipo de projeto.
No fim de março, a prefeitura lançou oficialmente o projeto ‘Trem dos Mares da Costa Verde, uma viagem temática de trem que sairá da Estação de Itacuruçá com destino à Praia do Sahy. O objetivo é resgatar a história e a cultura dos 180 anos da cidade, além de mostrar os pontos turísticos naturais.
Na visita, Pastori teve a companhia do secretário de Turismo Francisco Ramalho. Os dois caminharam a pé pela linha férrea da estação de Itacuruçá até a enseada da praia de Santo Antonio, trajeto que o trem fará, para um estudo de viabilidade, conferir locais de paradas, manobras e desvios.
– Fizemos uma inspeção para adequar os desvios da linha e o local de estacionamento dos vagões. Na estação de Itacuruçá, por exemplo já existia um ponto de desvio de cerca de 300 metros, faltando apenas alguns detalhes para o funcionamento. Na enseada de Santo Antonio conseguimos um ponto ideal para o desvio e a manobra, e para a construção das novas instalações: estação, restaurante e plataforma. O trem terá três paradas, em Muriqui, no Sahy e o término da viagem em Santo Antônio – disse o secretário de Turismo.
Pastori se mostrou empolgado com o que viu. “Pelo que pude ver aqui em Mangaratiba, praticamente 90% do trabalho já está feito. Falta somente concluir os desvios e pequenos detalhes. A pedido do subsecretário estadual de Transportes, Delmo Pinho, já fiz a inspeção nos vagões, que são quatro e estão em Barão de Mauá. Os vagões, que são do Governo do Estado, estão em boas condições e aparentemente faltam pequenos reparos. Se o equipamento passar pelo teste, acredito que em 90 dias poderemos realizar a primeira viagem do trem de Mangaratiba. Tudo está em nossas mãos, basta querermos e trabalharmos para isso”, disse Pastori.
Sobre o trajeto, Antonio Pastori disse que poucas vezes viu um lugar tão bonito.
– Já viajei muito e pude ver dezenas de projetos de trens turísticos no Brasil e no exterior e, em minha opinião, o trecho é um dos mais bonitos que já vi, se não o mais bonito, porque é a combinação perfeita entre serra e mar. O Trem dos Mares tem tudo para colocar Mangaratiba como um dos melhores destinos para este tipo de turismo do país – concluiu Pastori.

Fonte: Diário do Vale – Volta Redonda/RJ, 18/04/2012

Primeiro dos 19 novos trens do MetrôRio chega ao Porto do Rio

Rio – O primeiro dos 19 novos trens do MetrôRio desembarcou, na última sexta-feira, no Porto do Rio. Encomendados na China, os seis carros foram embarcados no dia 27 de fevereiro, no Porto de Dalian.

Na próxima semana começam os testesoperacionais, que devem durar até quatro meses, para que a entrada em circulação do trem ocorra até o final de agosto. O MetrôRio investiu R$ 320 milhões na compra dos trens e todas as 19 composições (114 carros no total) estarão operando até março de 2013.

De acordo com a concessionária, os 19 novos trens do MetrôRio reúnem o que há de mais moderno em tecnologia e proporcionarão aos passageiros mais comodidade, rapidez nas viagens e um excelente sistema de climatização. As composições, que irão circular na Linha 2, terão ar-condicionado 33% mais potente, que fará a temperatura média dentro dos carros se manter em 23ºC.

Outra novidade dos novos trens é o maior espaço interno. Com isso, a capacidade dos carros é 10% maior do que a dos trens atuais, graças à distribuição longitudinal dos bancos. Através do sistema de gangways (passagens sanfonadas), os passageiros terão mais facilidade de circular e se distribuir entre os carros.

Os novos trens serão também dotados de câmeras no interior de todos os carros. Painéis de LED informarão o mapa das estações e orientarão o desembarque dos passageiros. As barras para apoio em pé terão nova distribuição e os passageiros de baixa estatura contarão com pega mãos para aumentar a segurança

Intervalos serão mais curtos

Após março de 2013, com a entrada em operação dos novos trens, a previsão é que 19 composições operem na Linha 1 (114 carros) e 28 na Linha 2 (168 carros). Em ambas as linhas os trens terão seis carros.

Desta forma, os intervalos do sistema serão reduzidos. Dos atuais seis minutos nas pontas de linha e três minutos no trecho compartilhado (entre Botafogo e Central), os trens circularão com intervalos de, respectivamente, quatro e dois minutos.

Fonte: O Dia Online, 21/04/2012