Sistema metroferroviário deve transportar 2,5 bilhões de pessoas

Em relação a 2011, quantidade será 10% maior. No mesmo período, rede cresce apenas 3%, segundo balanço da ANPTrilhos.

Todos os dias 8,5 milhões de brasileiros utilizam os meios de transporte sobre trilhos. No ano passado, eram 7,7 milhões. Segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (30) pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), o sistema deve transportar 2,5 bilhões de pessoas em 2012, alta de 10% em relação a 2011.
No entanto, a rede só aumentou 3% até agora, o que resulta em altos níveis de lotação. Das 63 médias e grandes regiões metropolitanas do país, só 12 possuem sistema de transporte de passageiros sobre trilhos. São um total de 15 sistemas, em 11 estados, com 1.030 km de extensão. Eles estão divididos em 39 linhas, 493 estações e 716 composições.
“Há um crescimento muito grande no número de passageiros, a gente precisa ter investimento para que a rede seja expandida na mesma proporção. E não só para ampliar e modernizar as linhas, como também a frota existente, detalha o presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores.

Menos poluentes

Em 2011, as operadoras de transporte público de passageiros sobre trilhos consumiram 1,7 GWH, o que representa 0,5% do total energético do país. Segundo o relatório da ANPTrilhos, esses sistemas de transporte emitem 60% menos gases de efeito estufa que os automóveis e 40% menos que os ônibus.
Uma única linha de metrô é capaz de transportar cerca de 60 mil passageiros por hora/sentido. No mesmo tempo, o carro e o ônibus levam 1,8 mil e 5,4 mil pessoas, respectivamente.
“Vários setores contam com subsídios, no nosso não há. Se houvesse redução nos gastos com energia, por exemplo, poderíamos transformar esse custo em investimentos ou até, na redução tarifária”, explica Flores.
Para os próximos anos, estão previstos investimentos de R$ 100 bilhões. São recursos do governo federal, governos estaduais e da iniciativa privada. Mais de 60 projetos estão em análise para implantação, sendo cinco deles com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2): a expansão do trem urbano de São Leopoldo a Novo Hamburgo (RS); implantação do aeromóvel de Porto Alegre (RS); implantação da Linha Sul do metrô de Fortaleza (CE); aquisição de trens para o metrô de Recife (PE); e ampliação do metrô de Recife.

Por meio do PAC da Mobilidade Grandes e Médias Cidades, serão investidos recursos para garantir a infraestrutura de transporte público de cidades acima de 250 mil habitantes. Para as grandes cidades, na área metroferroviária, 22 projetos já foram selecionados, dentre os quais: implantação do sistema de metrô nas cidades de Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS); ampliação e implantação de novas linhas em Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE); e a implantação de VLT em, Natal (RN), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Goiânia (GO), Brasília (DF) e São Paulo (SP).
“Ampliar a estrutura de transporte de cargas e de passageiros tem como resultado a melhora da qualidade de vida, com redução de tempo de viagem e ganhos para o meio ambiente. É um sistema mais econômico e eficiente”, ressalta o presidente da seção de transporte ferroviária da Confederação Nacional de Transporte (CNT), Rodrigo Vilaça.
TAVUm dos projetos mais polêmicos e também um dos mais importantes do governo é o do Trem de Alta Velocidade (TAV), que ligará as cidades do Rio de Janeiro/RJ, Campinas e São Paulo/SP. Após diversas tentativas de licitar sua operação, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, no dia 23 de agosto, as minutas do edital e contrato de concessão do projeto. O leilão para escolher o consórcio responsável pelo fornecimento da tecnologia, operação e conservação do sistema está marcado para o dia 29 de maio de 2013.?

Fonte: Agência CNT de Notícias, 30/08/2012

Aerton Guimarães

 

Cai número de passageiros de ônibus em São Paulo

O número de viagens feitas nos ônibus de São Paulo caiu pela primeira vez desde que o bilhete único foi criado, em 2004. Em vez de achar isso um problema, a São Paulo Transportes (SPTrans), empresa que gerencia a frota municipal, diz que o movimento é uma tendência: vão ocorrer quedas ainda maiores e, antes do fim da década, haverá mais gente no trem e no metrô do que nos ônibus.

A mudança é uma troca histórica na matriz do transporte público da cidade. Há décadas o ônibus é o principal meio de transporte de São Paulo. Agora, um estudo inédito da SPTrans obtido pelo Estado mostra que, quando as obras em execução e em planejamento do Metrô estiverem prontas, haverá uma migração de passageiros: as viagens são mais rápidas e previsíveis no metrô e, por isso, o passageiro vai trocar de transporte. O número de viagens nos coletivos vai cair até 27%.

Embora pequena, a queda de cerca de 0,6% nas viagens de ônibus na comparação dos sete primeiros meses deste ano com o ano passado mostra o rompimento de um crescimento médio de 2% que vinha ocorrendo desde 2005. Segundo o assessor técnico Silvio Rogério Torres, da Superintendência de Planejamento de Transporte da SPTrans, a redução já é reflexo da entrega da Linha 4-Amarela, que foi ocorrendo em parcelas entre 2010 e o ano passado.

O levantamento da SPTrans usa o cenário atual para fazer duas projeções: para 2020 e 2030. Atualmente, cerca de 9,8 milhões de viagens são feitas em São Paulo de ônibus e cerca de 7 milhões de trens e metrô. Em 2020, serão 16,5 milhões nos trilhos e 7,8 milhões nos ônibus. A virada deve ocorrer, seguindo esse planejamento, já a partir de 2015, quando as obras em execução terminarem.

Fonte: Agência Estado, 27/08/2012

Concessionárias discutem devolução de ferrovias

Sem alarde, o governo federal deu início aos estudos de um complexo reequilíbrio econômico-financeiro para as atuais concessionárias de ferrovias, que irão abrir mão de trechos de malha que hoje administram em favor do novo modelo anunciado pelo Planalto no Programa de Investimentos em Logística – lançado há 15 dias. Em alguns casos, a compensação pode gerar cifras bilionárias.

Os trechos em questão são hoje operados pelas concessionárias América Latina Logística (ALL), MRS Logística, Vale, Ferrovia Centro-Atlântica (FCA, controlada pela Vale) e Transnordestina (da Cia. Siderúrgica Nacional, a CSN).

O plano do governo é retomar os trechos dessas empresas para, então, relicitá-los sob um mecanismo diferente, em que o governo compra do vencedor do leilão toda a capacidade de transporte da malha (depois de ela receber as melhorias necessárias) e a revende a diferentes operadoras logísticas. O objetivo do governo, com isso, é acelerar investimentos ao mesmo tempo em que acaba com o monopólio de uma empresa sob determinado trecho e aumenta a concorrência nesse modal de transporte.

Se em algumas situações o plano do governo é interessante para as atuais empresas, em outras ele pode ser danoso. O caso mais delicado é o da MRS Logística, que perderá o controle sobre seu acesso ao Porto de Santos – principal porta de entrada e saída de cargas no país e considerado o “filé mignon” da malha ferroviária do Estado de São Paulo.

Nesse trecho, além do fluxo e potencial de aumento de carga, a MRS perderia uma receita líquida da ordem de R$ 60 milhões por ano apenas com venda de direitos de passagem, no caso a ALL, na região da Baixada Santista.

Como contrapartida pela retomada do trecho, que foi incluído no projeto, o governo pode oferecer uma indenização. “Seria [uma indenização] de alguns bilhões”, diz outra fonte ligada às concessionárias. Segundo o Valor apurou, o governo pretende aplicar o novo modelo de investimentos e exploração para todo o trecho desde Jundiaí até Santos, incluindo o tramo norte do Ferroanel.

No entanto, fontes dizem que o governo ainda não definiu como fará o reequilíbrio do contrato. Nos resultados de 2011, a MRS anunciou que, só de produtos agrícolas, foram transportados 18,8 milhões de toneladas de açúcar, milho, soja e farelo no acesso a Santos. Na mesma região, a MRS está tirando do papel uma série de investimentos para o incremento da capacidade da ferrovia e para a instalação de uma rede de terminais de contêineres ao longo da malha. A empresa não fala sobre o assunto. “Se eu fosse ele [o presidente da MRS], não cobrava barato [pela indenização]”, afirma uma fonte do setor.

Na maior parte dos casos, no entanto, a retomada será um alívio para as concessionárias. Ela vão se livrar da obrigação de investimentos. Trilhos e dormentes deteriorados serão substituídos pela nova empresa responsável. Mesmo assim, o governo está oferecendo compensações econômicas por retomar o trecho antes do fim da concessão: 2026/2027.

Nas palavras de outra fonte ligada às concessionárias, o acordo será um “negocião” para as empresas que deveriam ter investido na malha e agora se livrarão dessa obrigação sem desembolso de caixa – e ainda podem continuar usando a ferrovia. O caso mais chamativo é o trecho entre Recife e Salvador, parte da Transnordestina Logística e parte da FCA, que tem baixíssimo transporte de cargas e precisa de elevados investimentos. Nesse caso, está sendo oferecido uma parte da futura capacidade total de carga no trecho retomado. Ou seja, a concessionária perderá o monopólio de exploração, mas continua tendo o direito de uso parcial.

As empresas defendem a compensação elaborada pelo governo dizendo que, embora se livrem dos custos para a modernização, por outro lado perderiam a chance de receitas ao longo do prazo restante do contrato. As concessionárias evitam comentar o assunto. “A Transnordestina Logística S/A vai analisar o novo modelo proposto pelo governo federal”, diz nota enviada pela assessoria de imprensa. Procurada, a FCA também informou que não iria se pronunciar.

Outro trecho em operação em que o governo quer mais investimentos é o que liga São Paulo a Porto Alegre (Rio Grande do Sul), hoje sob a administração da ALL. Na semana passada, o superintendente-financeiro e de relações com investidores da empresa, Alexandre Rubio, disse à imprensa, após reunião com analistas e investidores, que havia a possibilidade de se “pensar” em devolução do trecho desde que o governo pagasse o capital já empregado no trecho. A empresa informou que não há “nenhuma discussão entre ALL e o Governo sobre a devolução de nenhum trecho das concessões da empresa”.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que somente o Ministério dos Transportes – que está conduzindo o Programa – pode comentar o assunto. Mas o ministério não respondeu às solicitações de esclarecimentos até o fechamento desta edição. Na semana passada, o ministro Paulo Passos disse que a retomada não trará impacto financeiro para as empresas. No entanto, não deu detalhes sobre quais os termos dessas negociações.

No setor, a avaliação é que a ação do governo pode configurar quebra de contrato das atuais concessões. Por outro lado, as concessionárias aceitariam negociar por terem uma série de pendências, como trechos abandonados, subutilizados e necessidade de mais investimentos.

Fonte: Valor Econômico, 29/08/2012

Bonde de Santa Teresa completa um ano sem operação

No muro transformado em tela pelas mãos do artista Marcos Alexandre Jambeiro, o bondinho desce a Rua Joaquim Murtinho conduzido pelo motorneiro Nelson e transportando crianças sorridentes. Enquanto dá os últimos retoques na pintura, Jambeiro diz não saber ao certo se a sua obra de arte é um protesto ou uma homenagem às vítimas do acidente ocorrido em 2011. Mas na segunda-feira a imagem ganhará um sentido único para os cariocas: o bonde de Santa Teresa, patrimônio do Rio, completará um ano fora dos trilhos. Em meio a batalhas judiciais que já atrasaram licitações, a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central), responsável pelo sistema, estima que os novos veículos — 14 ao todo — comecem a circular no bairro no primeiro semestre de 2014. No entanto, a homologação, no dia 17 passado, da TTrans S/A como responsável pela fabricação dos novos bondes abastece a polêmica: trata-se da mesma empresa que, a partir de 2005, assumiu contratos de reformas dos veículos agora parados.

Associação quer bonde tradicional

Se não é possível virar definitivamente a página do acidente que matou seis pessoas e feriu mais de 50 na tarde de 27 de agosto de 2011, o retorno dos bondes a Santa Teresa pode ajudar a resgatar a alegria do bairro. Amélia Moro, de 78 anos, comenta que “Santa Teresa sem o bonde está pela metade”. O presidente da Central, Eduardo Macedo, afirma que é hora de avançar. E critica os frequentes questionamentos da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast) aos projetos de reestruturação dos bondes — para ele, “questões menores”. Macedo não comentou a escolha da TTrans.

— As demandas por questões menores atrapalham o processo. Já houve licitação para a construção dos bondinhos. Agora, a publicação do edital para a aquisição dos trilhos deve sair em uma semana. O nosso projeto preserva o tombamento do sistema. Apenas não vamos permitir que passageiros viajem de pé. O problema é que a Amast sabe o que não quer, mas não sabe o que quer — diz.

O diretor comunitário da Amast, Álvaro Braga, rebate:

— Queremos um bonde que respeite a tradição. O governo quer fechar o bonde para privatizá-lo, transformando-o num equipamento unicamente turístico. A TTrans já provou total incapacidade de reformar bondes e ainda é agraciada com a licitação para construir outros.

O diretor-presidente da TTrans, Massimo Giavina-Bianchi, ressalta que participou de um processo licitatório limpo, no qual concorreu com outras três empresas.

— Há sete anos não sou chamado a dialogar com a Amast. No passado, o Banco Mundial financiou a reforma de 14 bodinhos. Acabou o dinheiro depois que nós modernizamos sete. Houve então a conclusão do contrato, em comum acordo. O bonde acidentado (número 10) nunca sofreu qualquer intervenção nossa — assegura.

Segundo a Central, os novos 14 novos veículos terão capacidade para transportar 24 passageiros. Percorrerão um trajeto de 14 quilômetros, com início na Rua Francisco Muratori (na Lapa) e término no Silvestre. Por questão de segurança, os bondes não terão estribo. Os novos veículos custarão R$ 49 milhões aos cofres do governo do estado e serão fabricados em Três Rios.

Fonte: O Globo, 25/08/2012

Evento põe vigas em prédio tombado

Estrutura que prenderá obra inspirada em tênis não teve aval do patrimônio histórico

Uma intervenção relâmpago na estação de trens da Leopoldina -construção histórica, tombada, situada no centro do Rio- foi realizada sem a avaliação do órgão estadual de patrimônio.

Em 72 horas, cinco vigas de aço foram instaladas no interior da estação para atender a um evento cultural promovido pela Nike, programado para ocorrer entre 10 de setembro e 14 de outubro.

Desativada há oito anos, o espaço da estação Barão de Mauá, inaugurada em 1926, é administrado pela Supervia, concessionária de trens urbanos do Rio, que alugou o espaço para o evento por um período de dois meses.

Na última sexta (24), os operários concluíram a acoplagem dos perfis de aço. As vigas estão sustentadas nas paredes da antiga estação.

Uma das funções da estrutura metálica é prender a instalação do artista plástico Ernesto Neto, que teve como inspiração para sua obra um novo tênis da empresa. O mesmo trabalho já ficou exposto em Londres, durante os Jogos Olímpicos.

Em nota, o Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) informou que solicitou à Supervia e aos produtores “a apresentação dos laudos e projetos” associados ao evento e que só se pronunciará após a obtenção esses documentos. Já a Supervia diz que a estrutura metálica “não prejudica o bem tombado”.

O diretor de comunicação da Nike na América Latina, Mário Andrada e Silva, frisou que os detalhes do projeto foram aprovados pelos órgãos competentes. “Ainda estamos montando o evento. Se for necessário mudar alguma coisa em função do patrimônio histórico, mudaremos.”

Hoje, especialistas do CREA-RJ (Conselho Regional de Engenharia) devem ir até o local para avaliação.

Foto da parte externa da Estação Barão de Mauá (Ricardo Quinteiro)

Fonte: Folha de São Paulo, 27/08/2012,  por Fabio Brisolla

Nota da Aenfer:

Para o presidente do Movimento de Preservação Ferroviária, professor Victor José Ferreira trata-se de mais uma agressão ao complexo da Estação Barão de Mauá, tombada pelo INEPAC – Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro e com processo de tombamento iniciado pelo IPHAN – Inst. Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

“A cessão do complexo pelo Governo do Estado à Supervia, a ocupação do pátio por atividades estranhas ao universo ferroviário e a locação da gare para eventos que agridem o imóvel e constrangem a comunidade ferroviária, estão sendo objeto de Ação Civil Pública em trâmite na 23a. Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro e de Inquérito Civil Público instaurado na 7a. Promotoria de Justiça da Cidadania da Capital, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

A matéria publicada na Folha de São Paulo está sendo encaminhada às duas instâncias judiciais referidas, para anexação aos respectivos processos, bem como ao INEPAC, ao IPHAN, à SPU – Superintendência do Patrimônio da União e à Procuradoria Geral da República”. 

 

 

 

 

Ferrovias abrem 7 mil vagas até 2014 e ressuscitam graduação no setor

Investimentos beneficiarão, principalmente, profissionais das diferentes  engenharias, de logística e planejamento e gestão, além do pessoal de nível  técnico.

Depois de décadas estagnado, o setor ferroviário começa a dar sinais de  retomada. E se agita diante do anúncio feito pelo governo federal, há dez dias,  de realização de parcerias com a iniciativa privada e investimentos de R$ 91  bilhões em ferrovias nos próximos 25 anos. O que significa, também, criação de  empregos.

Segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), as  concessionárias do setor deverão abrir, só até 2014, pelo menos mais 7.100  vagas. Depois, quando deverão começar as obras, a projeção é de que sejam  oferecidas mais de 3.500 vagas por ano, o que beneficiará, principalmente,  profissionais das diferentes engenharias, de logística e planejamento e gestão,  além do pessoal de nível técnico. Mas, lado a lado com essa demanda, vem a  necessidade de qualificar mão de obra.

— Nós temos um horizonte de dez anos de execução de obras, em que será  necessário formar uma nova geração ferroviária, que saiba trabalhar com as novas  tecnologias e equipamentos — afirma Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da  ANTF.

O setor empregava 16.662 profissionais em 1997 e vai fechar 2012 com 44 mil  trabalhadores. Hostílio Xavier Ratton Neto, professor do Departamento de  Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da UFRJ, destaca que começa a  acontecer, agora, com a engenharia ferroviária, o que vem ocorrendo nos últimos  anos com as engenharias em geral, que voltam a ganhar mercado após um período de  restrição que durou dos anos 1980 aos anos 2000.

O que, inclusive, provocou a extinção do curso de graduação em engenharia  ferroviária — que, agora, instituições de ensino planejam recriar. No mercado,  hoje, só há pós-graduação.

— Esse hiato comprometeu a renovação gradativa dos quadros e a complementação  da formação profissional pelo convívio e pela transferência de conhecimentos — ressalta Ratton Neto.

De olho na necessidade de voltar a formar profissionais para o mercado  ferroviário, a ANTF está em contato com 13 universidades brasileiras para  recriar o curso de nível superior. Por enquanto, a conversa está mais avançada  com a Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, embora ainda não  haja nenhum projeto concreto. No Rio, a Estácio também tem planos de lançar o  curso de engenharia ferroviária em unidades de todo o país.

—Isso porque os investimentos em ferrovias deverão abrir oportunidades nas  diferentes regiões do Brasil — afirma Harvey Cosenza, diretor do Centro de  Tecnologias do Grupo Estácio, lembrando, também, que será preciso recrutar corpo  docente para lecionar. — Há falta de professores, em função da parada do  mercado. Mas a tendência é que, com o aumento da procura, cresça também o número  de especialistas aptos a dar aulas.

Diante da falta de mão de obra qualificada no mercado, as empresas que  continuaram atuando com ferrovias, como a Vale e a SuperVia, por exemplo,  desenvolveram programas internos de treinamento de pessoal. Bruno Borlot, de 28  anos, por exemplo, formado em engenharia elétrica, se especializou em ferrovias  através do Programa de Especialização Profissional da Vale, no qual fez uma  pós-graduação em engenharia ferroviária.

— Sempre tive paixão pelo setor e, agora, com o potencial de crescimento do  nosso país e com os investimentos anunciados, vejo grande capacidade de  ampliação de oportunidades e de desenvolvimento profissional — destaca Borlot,  que conta que, se existisse a graduação em engenharia ferroviária, teria optado  pelo curso.

João Gouveia, diretor de operações da SuperVia, explica que a formação de  profissionais internamente é uma característica do setor ferroviário  brasileiro.

— Pode ser que, no futuro, a gente consiga encontrar profissionais já  formados no mercado. Mas isso, provavelmente, não excluirá os treinamentos in company, já que cada empresa tem um tipo de trem e de tecnologia— ressalta Gouveia.

Tanto Vale quanto SuperVia também oferecem programas voltados para a formação  de técnicos aptos a atuar em ferrovias, pois, assim como com os engenheiros, o  déficit de mão de obra operacional e técnica preocupa os especialistas.

— Não dá para pensar que podemos aumentar a capacidade de produção de  engenheiros e técnicos de um dia para o outro. O que se pode dizer é que se  houver mais pessoas querendo seguir a profissão, há capacidade nas escolas para  absorver, mas o resultado não será para amanhã — ressalta Hostílio Xavier Ratton  Neto, professor da Escola Politécnica da UFRJ.

Além dos técnicos, que serão requeridos nas etapas de construção e manutenção  de ferrovias, os investimentos, quando começarem a acontecer, vão impactar  também todas as engenharias, e a área de logística, gestão e planejamento,  criando oportunidades também para economistas, administradores e profissionais  correlatos.

— Se tudo funcionar e os projetos saírem do papel conforme o planejado,  haverá grandes oportunidades para diferentes carreiras — conclui o professor da  FGV, especialista em logística e transporte de cargas, Renaud Barbosa.

Fonte: Jornal O Globo, 26/08/2012: http://oglobo.globo.com/emprego/ferrovias-abrem-7-mil-vagas-ate-2014-ressuscitam-graduacao-no-setor-5899705

CNJ quer remover vagões sucateados de ferrovias

Um termo de cooperação assinado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pretende acelerar a remoção de locomotivas e vagões sucateados dos pátios das concessionárias de transporte ferroviário em todo o país.

O documento firmado na sexta-feira (24) prevê a criação de um grupo de trabalho formado por órgãos do Judiciário, Executivo e entidades envolvidas com o setor.

O grupo irá estudar os entraves que impedem a remoção da sucata e traçar metas, em atuação semelhante à que foi implementada para a remoção de carcaças de aeronaves deixadas em aeroportos.

Segundo o CNJ, existem hoje 1.643 locomotivas e cerca de 6.000 vagões parados há mais de 15 anos nas ferrovias brasileiras. Envolvidos em ações judiciais, as carcaças estão se deteriorando e prejudicam o transporte sobre trilhos.

Os equipamentos pertenciam à Rede Ferroviária Federal, estatal que administrava as estradas de ferro que foram transferidas à iniciativa privada por meio concessões entre 1996 e 1998.

Mário Dirani, diretor de infraestrutura ferroviária do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte), afirma que, por se tratarem de bens da União, não é possível se desfazer deles de qualquer maneira.

Participaram da reunião a Corregedoria Nacional de Justiça, Procuradoria-Geral da República, Advocacia-Geral da União, Dnit, ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), que representa as concessionárias.

“Removendo as locomotivas e os vagões dos pátios operacionais, melhoraremos a segurança, a saúde pública e a logística para a redução do custo Brasil”, afirmou Marlos Melek, juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça.

Segundo a procuradora da República Denise Vicente Túlio, o problema é grave e “já devia ter sido solucionado há muito tempo”.

A iniciativa foi vista com bons olhos pelos representantes do setor ferroviário. “Saímos com a alma leve e um sentimento de esperança de que esse problema será resolvido”, afirmou Eduardo Parente, da presidente da MRS Logística e representante da ANTF na reunião.

Fonte: Folha de S.Paulo, 26/08/2012

Trem chinês do metrô do Rio precisará de ajustes

O trem fabricado na China entra hoje em circulação no metrô do Rio. Ontem, a viagem inaugural mostrou que ajustes ainda precisam ser feitos: as composições não estavam niveladas com as plataformas. Uma diferença de 5 a 6 centímetros era vista em todas as 13 estações percorridas e dificultava o acesso de cadeirantes, podendo ainda provocar acidentes diversos.

“De que adianta aumentar o conforto, se vai causar mais risco de acidente?”, questionou o analista de sistemas Luis Carlos Gomes. Ele relatou que um dos passageiros, um deficiente visual, encontrou dificuldade para entrar na composição, por causa do desnível entre o vagão e a plataforma. “Isso é absurdo, é uma falha”, reclamou Gomes durante a primeira viagem aberta à população, depois de um breve itinerário com convidados.

No primeiro percurso, que teve a presença do governador Sérgio Cabral, de funcionários do MetrôRio e da imprensa, o desnível entre o trem e a plataforma da Estação Maracanã criou um degrau de mais de 10 centímetros. O presidente do MetrôRio, Flávio Almada, alegou que aquela não era uma viagem comercial e destacou que o nivelamento será feito por um controle automático. “Existe um ajuste eletrônico do trem, que regula a altura. Então, isso não vai acontecer no dia a dia, vai ser o mesmo nível. Hoje não foi uma operação comercial, foi uma operação especial para nós, então não houve preocupação.”

Durante o primeiro mês, o novo trem circulará em “operação assistida”, entre 10h e 15h e entre 21h e meia-noite, horários de menor movimento, para garantir total adaptação à operação com passageiros. No mês passado, o trem virou polêmica quando sindicato e especialistas denunciaram que a concessionária estaria realizando ajustes em estações e túneis para evitar possíveis colisões laterais das composições que, mais leves que as atuais, poderiam chacoalhar mais. Na época, o MetrôRio rebateu as acusações, alegando que os ajustes foram feitos para adequações a padrões internacionais.

Investimento. O MetrôRio investiu R$ 320 milhões na aquisição dos 19 novos trens. Até o fim do ano, dez deles estarão em circulação. Os demais serão integrados ao sistema até março. Com isso, a frota será ampliada em 63%, aumentando a capacidade de passageiros dos atuais 700 mil para 1,2 milhão por dia.

Fonte: O Estado de São Paulo, 25/08/2012

Regresso de corpo funcional de ex-empregados da CBTU

No dia 24 de agosto, a CBTU Administração Central recebeu  278 ex-funcionários para serem reintegrados. Após 16 anos afastados, esses  funcionários ganharam o direito na justiça de voltar a exercer suas funções. Um  Oficial de Justiça esteve na companhia para reconhecer a autenticidade de cada  agente de segurança.

O reintegrado Inácio Cardoso diz ter uma excelente  perspectiva de retorno e espera exercer novamente sua função, assim como o seu  colega de profissão Odir de Carvalho, que afirmou que todos estão muito  emocionados e que ninguém acreditava que pudesse haver esse retorno à empresa.

Antônio Deco, da Comissão Nacional dos Policiais  Ferroviários, afirma que o resultado da ação que foi ingressada no Ministério  Público do Trabalho em 2009 é um presente para a categoria.

Fernando Ricardo, presidente do Sindicato dos Ferroviários  da Central do Brasil, reiterou que esse retorno é um prêmio dado a todos e que  é um recomeço para cada companheiro.

Fonte: Imprensa – CBTU – RJ, 24/08/2012

Prata da Casa no trem chinês

Quem anda no novo trem chinês já deve ter reparado na voz suave que passa as informações para os passageiros.

A gravação foi feita pela engenheira Mônica Baggetti. Prata da Central Logística, Mônica trabalha há 25 anos no sistema ferroviário do Rio e já fez parte dos corais da Gama Filho e da RFFSA.

Jornal Extra, julho/2012

Mônica é também conselheira da AENFER