Museu Ferroviário Sete Lagoas

Para quem ainda não conhece o Museu Ferroviário Sete Lagoas, a AENFER teve acesso a algumas fotos que foram registradas pelas lentes do ferroviário e fotógrafo Arthur Lamina.

Pelas fotos, percebe-se a bem preservada Estação e Museu Ferroviário de Sete Lagoas.  Em seu interior podem ser encontradas várias ferramentas e objetos de época. Na área externa encontram-se em exposição, um antigo vagão de passageiros da extinta RFFSA e duas pequenas locomotivas.

Um excelente passeio para os amantes da ferrovia e de museus.

Vale lembrar que Sete Lagoas é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Grande polo industrial, localizado a aproximadamente 70 quilômetros de Belo Horizonte, a cidade possui cerca de 214.071 habitantes, e se destaca pelo seu desenvolvimento.

MUSEU FERROVIÁRIO DE SETE LAGOAS

Av. Antonio Olinto, 600 Sete Lagoas – MG

gfavelar@yahoo.com.br Tel. (31) 3776-6033

Veja as fotos do Museu:

 

Protótipo do bonde de Santa Teresa em fevereiro

O novo modelo de bonde que voltará às ruas de Santa Teresa será conhecido em fevereiro. Em cerca de dois meses, o protótipo dos 14 bondes será apresentado pela empresa T-Trans aos órgãos responsáveis pela preservação das características originais do bondinho, como o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan).

A informação é do presidente da Companhia Estadual de Engenharia de Transporte e Logística (Central), Eduardo Macedo, que é o responsável pela revitalização do sistema de bondes, feita pela empresa que ganhou a licitação. A previsão é que as primeiras unidades sejam entregues em 2014, quando os trilhos e toda a rede aérea no bairro tiver sido substituída.

O projeto de reforma dos bondinhos é questionado pela Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast). A polêmica é a descaracterização dos veículos, que por mais de um século transportaram turistas e moradores. Os novos bondes terão capacidade de transportar metade dos passageiros que os antigos transportavam, com a inclusão de uma placa de policarbonato para impedir que pessoas viajem no estribo.

“A proteção que vamos incluir é por uma questão de segurança, uma camada de policarbonato translúcido, com estribo retrátil (para embarque e desembarque), mas que não afeta em nada o layout”, disse Macedo, ao citar o acidente em que um turista, viajando no estribo, caiu dos Arcos da Lapa e morreu. Nos últimos dez anos, no entanto, segundo a Amast, esse é o único acidente do tipo e poderia ter sido evitado com a recuperação do gradil nos arcos.

Com o fim do estribo fixo, entra um corredor para facilitar a locomoção dos passageiros dentro do bonde, o que representará a redução de 40 para 24 lugares. Com isso, a Amast avalia que o veículo perde o caráter de transporte público de massa, para atender à população em deslocamentos cotidianos, porque as vagas serão insuficientes diante da demanda.

“Bondinho com policarbonato em volta, estribo reversível, porta na frente, porta atrás, corredor no meio e capacidade reduzida é bondinho descaracterizado”, disse o diretor de Transporte da Amast, Jacques Schwarzstein. Ele desconfia de que o bonde será turístico.

Para não criar obstáculos à modernização do sistema e “em prol da segurança”, o Iphan não incluiu trilhos ou carros no tombamento do trajeto do bonde. O tombamento do órgão estadual, o Instituto Estadual do Patrimônio Estadual (Inepac), que também precisa aprovar o protótipo da T-Trans, protegeu de alterações em todo o sistema, inclusive as oficinas.

Embora o Iphan recomende que os bondes se “assemelhem ao máximo aos que estavam recentemente em uso”, a instituição explica que não pode interferir em questões relacionadas à segurança e à funcionalidade dos bondes, mesmo quando afetem a estética dos veículos.

Outra preocupação da Amast é com a funcionalidade do bonde. A T-Trans, que fez a reforma dos bondes em 2005, entregou modelos que ficaram conhecidos como “Frankestein”, por não se adaptarem às ladeiras de Santa Teresa e travarem nas curvas. Os carros ganharam modernização na parte elétrica, mas em contrapartida ficaram mais baixos e com dificuldade de deslizar sobre os trilhos.

O bairro está sem os bondes desde agosto de 2011, quando um acidente matou seis pessoas e deixou 50 feridas. Os ônibus fazem o serviço de transporte público, mas são constantemente alvo de reclamações. Em novembro, um deles bateu próximo ao local do acidente do bonde.

Fonte:  Agência Brasil, 23/12/2012

China ganha a mais longa ferrovia ‘a jato’

Imagine ir do Rio de Janeiro a Recife (Pernambuco) em apenas oito horas, em vez das mais de 24 horas que a viagem leva normalmente. É como se sentiram, ontem, os passageiros que inauguraram a mais longa ferrovia de trem-bala do mundo, na China. O percurso — da capital, Pequim, à cidade mais próspera do sul do país, Cantão — tem 2.298 quilômetros e foi feito com velocidade média de 300 quilômetros por hora.

Após uma cerimônia com autoridades estatais, o primeiro trem-bala que cobre o trajeto partiu às 9h locais (23h de terça-feira em Brasília) da Estação Oeste de Pequim, e uma hora depois aconteceu a viagem inaugural no sentido contrário.

O primeiro trem-bala Pequim-Cantão cobriu o percurso em 7 horas e 59 minutos, enquanto jornalistas chineses a bordo do que partiu de Cantão relataram uma hora de atraso, aparentemente por causa da neve e do gelo nos trilhos de um dos trechos, que fizeram com que os condutores reduzissem um pouco a velocidade.

Os trens mais rápidos da linha cobrirão o trajeto em menos de 8 horas, frente às mais de 20 dos modelos convencionais. A ferrovia passa por seis províncias nas quais vivem cerca de 600 milhões de pessoas — quase a metade da população nacional. Os bilhetes custarão 700 ou 800 iuanes (R$ 229 ou R$ 262) para a classe turística, ou o dobro nos vagões de luxo, um preço que para muitos chineses continua sendo elevado, e pouco competitivo em relação ao dos aviões.

A inauguração coincidiu com o 119º aniversário do nascimento de Mao Tsé-tung, o que mostra a importância que o regime dá à obra.

Fonte: Jornal O Dia, 27/12/2012

Implantação do 2º trecho do VLT é discutida em Santos

A implantação do segundo trecho do VLT, Veículo Leve sobre Trilhos, foi discutida em audiência pública, na UniSantos.

A equipe técnica da EMTU, a Empresa Metropolitana de Transporte Urbano de São Paulo, apresentou detalhes do trajeto, que em Santos, vai da Rua Conselheiro Nébias ao Valongo.

Fonte:  TV Tribuna, 19/12/2012

 

Tarifa da SuperVia será R$ 3,10 a partir de fevereiro

A Agetransp, agência reguladora dos transportes no estado, aprovou o aumento anual da tarifa dos trens da SuperVia. Com isso, o preço do bilhete unitário passará de R$ 2,90 para R$ 3,10. O reajuste começa a vale em 2 de fevereiro de 2013. A Agetransp determinou que a SuperVia avisar aos usuários o valor da nova tarifa a partir de 2 de janeiro.

O Conselho Diretor da agência decidiu ainda multar a concessionária em cerca de R$ 36 mil devido a um incidente ocorrido em 19 de novembro de 2011. Na ocasião, devido a um problema mecânico, uma composição não pode seguir viagem. Os passageiros tiveram que desembarcar na linha férrea na parte superior da estação Coelho da Rocha.

Na semana passada, o Departamento de Transportes (Detro) negou o pedido de aumento de 15,47% para as passagens de ônibus intermunicipais. O reajuste foi solicitado pela Fetranspor. O Detro manteve a decisão de reajuste dos valores das passagens pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), conforme determinado pela Portaria 975, de dezembro de 2009. Dessa forma, o aumento que será aplicado nas passagens dos ônibus e vans intermunicipais será de 5,534%. As novas tarifas valem a partir de 2 de janeiro de 2013.

Com este reajuste, a tarifa intermunicipal passará de R$ 2,65 para R$ 2,80. Caso fosse adotado o percentual defendido pela Fetranspor, este valor seria de R$ 3,06, onerando os gastos com passagens do usuário em R$ 11,44 por mês, por viagem, o equivalente a R$ 137,28 ao ano.

O valor do Bilhete Único também vai acompanhar o índice de 5,534%. Com isso, a tarifa passa de R$ 4,95 para R$ 5,20. A decisão do Detro foi publicada no Diário Oficial desta sexta-feira.

Os ônibus municipais também ficarão mais caros em janeiro. No entanto, em outubro, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, negou que já tenha decidido fixar em mais de R$ 3 o valor das tarifas de ônibus a partir de janeiro de 2013. Segundo ele, o que está em estudo é a transformação de toda a frota da cidade em ônibus equipados com ar-condicionado até 2016. Paes confirmou, porém, que haverá, de fato, aumento da tarifa em janeiro porque o reajuste está previsto nos contratos de concessão das empresas que operam na cidade, mas o percentual ainda não está decidido.

Fonte: O Globo, 18/12/2012

MetrôRio seleciona candidatos para agente de segurança

O MetrôRio abriu inscrições para vagas de agente de segurança, que serão preenchidas durante o ano de 2013. Os interessados precisam ter ensino médio completo, certificado ATA (específico para vigilante) ou estar em formação na área e disponibilidade de horário.

Os candidatos podem se cadastrar através do site do MetrôRio (www.metrorio.com.br) e clicar no link “Trabalhe conosco”. Os selecionados participarão de um processo seletivo composto por provas, dinâmica de grupo, entrevistas e testes psicológicos e físicos.

Os aprovados serão admitidos como Auxiliar de Operação e farão um treinamento com três meses de duração. Durante todo o ano de 2013, estão previstas quatro turmas e a primeira já começa em janeiro.

Fonte: Revista Ferroviária, 19/12/2012

MGE/Progress Rail fará locomotivas para CBTU Natal

A MGE Equipamentos e Serviços Ferroviários, que faz parte da Progress Rail, fornecerá duas locomotivas diesel para a CBTU de Natal. As máquinas serão usadas no transporte de passageiros do sistema diesel da capital do Rio Grande do Norte.

As locomotivas serão modelo PR7B, com motor diesel Caterpillar e sistema microprocessado da Zeit. As máquinas serão fabricadas na unidade de Hortolândia (SP).

A concorrência foi por Regime Diferenciado de Contratação (RDC). As máquinas serão entregues 15 meses após a assinatura do contrato.

Natal conta com duas linhas, com 56,2 quilômetros, onde funcionam trens diesel. O trecho será compartilhado com os 12 Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) que serão fornecidos pela Bom Sinal, a partir de 2014.

O resultado da licitação foi divulgado pela CBTU no começo de dezembro, após avaliação de recurso apresentado pela EIF Engenharia e Investimentos Ferroviários, outra participante da concorrência.

Fonte: Revista Ferroviária, 19/12/2012

Cadastro gratuito para uso de bicicletário é prorrogado

A SuperVia ampliou o prazo para que os clientes se cadastrem gratuitamente para usar os bicicletários inaugurados recentemente em cinco estações. A inscrição gratuita poderá ser feita até o dia 31 de dezembro. Mais de mil pessoas já estão habilitadas para utilizar o serviço de bicicletário. No total, são 3.300 vagas para que os passageiros possam deixar a bicicleta em segurança, economizar tempo e dinheiro nos seus deslocamentos, além de contribuir com a sua saúde. Em janeiro, será inaugurado o bicicletário da estação Saracuruna.

Os locais contam com segurança 24 horas, bebedouro, bomba para encher pneus e oficina para pequenos reparos. Para realizar o cadastro, os passageiros devem comparecer ao bicicletário com a cópia do comprovante de residência, identidade, CPF e levar a bicicleta que será cadastrada.

O cadastro pode ser feito nos dias úteis, das 10h às 15h, e nos fins de semana e feriados, no horário de funcionamento dos bicicletários.

Fonte: SuperVia, 14/12/2012

Laboratório inédito no estado desenvolve pesquisas sobre o setor ferroviário

Em setembro, o governo federal lançou um pacote de concessões de 91 bilhões de reais a serem investidos na reforma e construção de ferrovias brasileiras ao longo dos próximos 25 anos. Desse total, o Ministério dos Transportes se comprometeu a aplicar cerca de 56 bilhões até o ano de 2017. “Para que estes recursos sejam bem aproveitados, torna-se essencial o desenvolvimento de pesquisas na área de transporte ferroviário”, afirma o engenheiro civil, Luiz Antônio Silveira Lopes, professor e pesquisador do Instituto Militar de Engenharia (IME), onde coordena o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Engenharia Ferroviária do Estado do Rio de Janeiro (Labfer). Inaugurado no final de 2011, com auxílio do edital Apoio às Engenharias, da FAPERJ, o laboratório é o único de uma instituição de ensino superior voltado para o desenvolvimento de pesquisas no setor.

País de dimensões continentais, o Brasil tem uma rede de ferrovias bem pequena, se comparada a países de dimensões semelhantes. Para se ter uma ideia, enquanto os Estados Unidos contam com 228.464 km, a Rússia com 87.157 km e o Canadá com 48.909 km, o Brasil tem apenas uma extensão 29.798 km. Silveira Lopes explica que durante a segunda metade do século passado, o País investiu muito pouco em suas ferrovias, que se tornaram velhas e perderam mercado para o transporte rodoviário e aéreo. O investimento em trens só foi retomado no final dos anos 1990, com a privatização do setor. “As empresas que assumiram melhoraram muito o desempenho das ferrovias existentes, mas não puderam construir novas vias férreas nem atualizar milhares de quilômetros de linhas antigas sob sua gestão. Além disso, dois terços da malha ferroviária brasileira passaram a ser subutilizados”, complementa. Assim, o transporte ferroviário de passageiros entre os estados praticamente acabou e o de cargas passou em grande parte a ser feito nas rodovias. As concessionárias das ferrovias passaram, então, a se concentrar em setores mais lucrativos, como o transporte de minério, soja e outros grãos para exportação.

Em consequência desses fatores, as instituições de ensino superior fluminenses passaram a desenvolver estudos na área de pavimentação de estradas, ignorando o setor ferroviário. “O resultado disso é que, hoje, assistimos a um congestionamento do espaço aéreo e dos aeroportos, além de um excesso de veículos nas estradas, o que prejudica tanto os passageiros quanto a economia como um todo. Assim, é essencial investirmos na melhoria do sistema ferroviário existente e encontrarmos maneiras para ampliá-lo”, explica o coordenador do Labfer. Para as empresas ferroviárias de transporte de cargas, os principais gastos são o consumo do diesel, o desgaste do conjunto roda-trilho e o custo de mão de obra. “No caso do transporte de passageiros, que em sua maior parte é movido por tração elétrica, a importância do diesel diminui, mas os outros dois itens se mantêm entre os mais importantes”, completa.

Silveira Lopes destaca que poucas pessoas sabem da tradição do exército em obras ferroviárias. “Até a década de 1980, o 10º e o 11º Batalhões de Construção eram denominados Batalhões Ferroviários. Eles foram responsáveis pela construção de três mil quilômetros da malha ferroviária brasileira, o equivalente a mais de 10% do total das nossas ferrovias. A título de comparação, tal extensão, na Europa, se construída de forma contínua, permitiria ligar as cidades de Madrid, na Espanha, a Moscou, na Rússia”, afirma. Em 2005, uma equipe da MRS Logística, empresa de transporte ferroviário de cargas, responsável pelo mercado de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo – o mais importante do País – procurou o IME para desenvolverem um curso de especialização nessa área, retomando pesquisas paradas e formando novos técnicos. “O curso foi um sucesso e passou a contar, no ano seguinte, com profissionais da empresa siderúrgica Vale. Assim, passamos a incluí-lo em nossa pós-graduação, além de submeter a ideia de um laboratório para desenvolvimento de pesquisas na área a um dos editais da FAPERJ”, recorda

No Labfer, professores e pesquisadores do IME, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Centro de Estudos e Pesquisas Ferroviárias (Cepefer) e de empresas ferroviárias contam, para seus estudos, com uma infraestrutura de computadores adequados à aquisição e armazenamento de dados numéricos e softwares de simulação de engenharia de transportes. “Nosso objetivo principal é desenvolver pesquisas para uniformizar ao máximo a frota de trens, aumentar-lhes a velocidade e, com isso, diminuir o intervalo entre a chegada de uma composição e outra nas plataformas”, destaca Silveira Lopes. “Esperamos expandir a capacidade de transporte de carga através da ampliação de pátios de cruzamentos e de terminais, do aumento da capacidade de transporte por eixo, de reparos nos vagões e em toda estrutura das ferrovias, além de promover estudos de ligas especiais para aparelhos de choque e de tração, trilhos, rodas e estruturas responsáveis por suportar os eixos – os chamados mancais”, acrescenta.

Silveira Lopes explica que as pesquisas desenvolvidas no Labfer se dividem em três áreas: análise da dinâmica ferroviária, simulação computacional aplicada a sistemas ferroviários e manutenção baseada na confiabilidade. “No primeiro caso, as pesquisas vem se concentrando em analisar os veículos, investigar o centro de gravidade e outros problemas que eles possam ter, além de pesquisar o desenvolvimento de novos tipos de vagão”, afirma. Na simulação, os pesquisadores buscam reproduzir em computador o funcionamento dos pátios de cruzamento de trechos das ferrovias. “A manutenção também é foco de nossos estudos. Importamos da aviação o conceito de prever o que deve ser trocado antes que isso seja necessário”, completa.

 

Apesar de o Labfer existir há pouco mais de um ano, suas pesquisas já vêm apresentando resultados. No ano passado, 16 trabalhos desenvolvidos em seus cursos, assim como no mestrado, foram selecionados para participar do maior congresso mundial do setor, o International Heavy Haul Association (IHHA), na China. “Além disso, um dos projetos dos nossos alunos foi vencedor do Prêmio Maxion de Tecnologia Ferroviária, oferecido pelo maior fabricante nacional de vagões. Outros seis alunos receberam menção honrosa”, complementa. “A ideia agora também desenvolvermos parcerias com empresas de transporte de passageiros, como a Supervia e o Metrô, aqui do Rio de Janeiro. Esperamos contribuir para a futura implantação do trem de alta velocidade que o governo federal pretende construir nos próximos anos para ligar o Rio de Janeiro a São Paulo”, conclui.

Fonte: FAPERJ – extraído da ANPTRILHOS, 17/12/12

 

 

Mercado aprova edital do TAV e foca disputa

BRASÍLIA // SÃO PAULO – O edital de licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV) publicado ontem (13) pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) manteve as principais resoluções dentro do que era esperado pelas maiores empresas interessadas no processo.
A multinacional francesa Alstom, uma das principais interessadas no processo e líder mundial no setor, que já trabalha em projetos voltados ao TAV há três anos, diz que “tem a intenção de seguir na parceria com a operadora nacional francesa SNCF” e reafirma o interesse no projeto. Segundo a multinacional, “neste momento, há uma equipe da Alstom totalmente dedicada a analisar todo o pacote das condições, a fim de ter um posicionamento preciso sobre o projeto”, informou.
O edital também agradou à principal entidade de classe do setor no Brasil. “Gostamos do modelo, está bem dentro do que a ANTT se propôs a fazer e do que o mercado esperava. Agora vamos avaliar os detalhes, se as contribuições foram consideradas no edital e como isso foi feito. Isso é fundamental para que as empresas possam decidir a participação”, explica a gerente executiva da Associação Nacional do Transporte de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Roberta Marchesi. “Agora esperamos que haja consórcios formados principalmente com empresas já instaladas aqui no Brasil, como a francesa Alstom, a canadense Bombardier e a espanhola CAF, já que isso facilitaria todo o processo, principalmente para aquelas que se encaixam nessa primeira fase, com a transferência de tecnologia, já que as fábricas dessas empresas já estão aqui. Além disso, essas empresas acreditaram no desenvolvimento do país quando a economia não estava aquecida, então é justo que agora elas sejam recompensadas”, disse.
Sobre a participação de empresas brasileiras no processo, a gerente executiva da ANPTrilhos também demonstra otimismo: “Temos empresas nacionais que podem estar conveniadas a estrangeiras, já que a tecnologia necessária ainda não existe no Brasil. Exemplos o Grupo MPE, que tem se posicionado entre as maiores e mais respeitadas empresas em construções e montagens do País, e a TTrans, que atua no segmento metroferroviário nas áreas de energia, sinalização e controle, telecomunicações, bilhetagem eletrônica e material rodante. Neste momento, essas empresas deverão avaliar o edital para tentar concorrer e podem, sim, figurar em consórcios”, diz.
Custos
O governo vai assumir integralmente os custos com as obras do trecho do trem de alta velocidade (TAV) entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, e aumentou de 30% para 45% a sua participação no empreendimento.
“As mudanças visam a atender as recomendações do Tribunal de Contas da União [TCU] e tornar o empreendimento mais atraente para a iniciativa privada”, disse o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, referindo-se ao documento. “Fizemos mitigação dos riscos”, assinalou.
Os investimentos totais do empreendimento estão orçados em R$ 35,7 bilhões, dos quais cerca de R$ 27 bilhões são relativos às obras. O restante será investido pelo operador do TAV.
De acordo com Figueiredo, o preço mínimo para a licitação é de R$ 70 por quilômetro e a outorga do transporte renderá R$ 26 bilhões ao governo.
“É um orçamento equilibrado porque quase empata com o custo das obras”, avaliou. Em relação ao faturamento da Sociedade de Propósito Específico que será criada, com a participação da EPL, é estimado um faturamento no período de R$ 250 bilhões.
Figueiredo adiantou que a EPL poderá ter receitas adicionais com o transporte de carga postal em horários ociosos. Ele também lembrou que a Empresa de Correios e Telégrafos já manifestou interesse em investir no empreendimento por causa dessa alternativa de negócio, que pode melhorar o serviço.
Além disso, o presidente da estatal estimou em R$ 5 bilhões a receita que poderá ser auferida com a comercialização das áreas em torno das oito estações a serem construídas.
No prazo da concessão, somente no trecho Rio-São Paulo, é previsto o transporte de 8,7 milhões de passageiros em 2020, e que deverá chegar a 19,3 milhões de passageiros em 2014.
Edital
Como já havia sido publicado no balanço da última audiência pública da ANTT referente ao tema, o tempo mínimo de experiência exigido aos concorrentes foi reduzido de 10 para 5 anos. A transferência da tecnologia também corresponde ao que já era esperado por empresas e entidades de classe, exigindo que “todos os conhecimentos técnicos e científicos”, “protegidos ou não por direitos industriais e autorais” referentes à construção do TAV sejam transferidos ao Brasil.
O prazo de concessão será de 40 anos, com possibilidade de prorrogação. Com relação às tarifas, foi mantido o teto equivalente a R$ 0,49, fazendo com que o preço máximo da passagem seja de R$ 250,00 (valor atual, que será atualizado até a data de operação), com 60% da capacidade destinada à classe econômica. Para Bernardo Figueiredo, o preço máximo da tarifa para a classe econômica é bastante competitivo. “Se for pegar um vôo agora no trecho Rio-São Paulo, você paga R$ 1 mil”, comparou Figueiredo.
Segundo o governo, o leilão está marcado para 19 de setembro de 2013, um atraso de quase quatro meses em relação à data inicialmente prevista na minuta do edital que foi para consulta pública, que era 29 de maio.
A primeira fase irá definir a empresa que vai fornecer a tecnologia à operadora do trem. Já o vencedor do leilão será o que apresentar a melhor relação entre valor de outorga e o custo de construção do trem-bala. De acordo com Figueiredo, ao mesmo tempo, serão realizadas a partir do início de 2014 licitações para a contratação de itens relativos a obras, a exemplo de projeto executivo. Segundo a ANTT, os interessados no leilão podem pedir esclarecimentos sobre o edital até 16 de abril do ano que vem.

Fonte: Intelog – Porto Alegre/RS, 15/12/2012