30 de abril: Dia do Ferroviário

No dia 30 de abril comemora-se o Dia do Ferroviário no Brasil. Mas você sabe por quê? Em 30 de abril de 1854 foi inaugurada a primeira linha ferroviária do Brasil, a Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis ou como é conhecida hoje, Estrada de Ferro Mauá. A ferrovia foi construída pelo empreendedor brasileiro Irineu Evangelista de Sousa, que por conta deste feito ganhou o título de Barão de Mauá.

Desde então, as estradas de ferro e seus trabalhadores se tornaram muito importantes para o desenvolvimento do país. A história do Brasil, em diversos sentidos, caminhou sobre os trilhos dos trens, puxada pelas locomotivas. Por exemplo, a origem brasileira do futebol também veio das ferrovias. As duas primeiras bolas de futebol trazidas para o país foram utilizadas numa partida entre os funcionários da São Paulo Railway e os da Companhia de Gás. Os ferroviários ganharam por 4 a 2.

Na década de 1950, o trem era o principal meio de transporte entre as duas maiores cidades do país: São Paulo e o Rio de Janeiro. A ponte aérea só surgiria em 1959.

A bela história das ferrovias no Brasil teve uma estagnação a partir da vinda da indústria automobilística, mas nos últimos anos vem recuperando seu brilho com grandes projetos como o Trem de Alta Velocidade (TAV) Campinas-São Paulo- Rio de Janeiro, e os investimentos para a construção de mais 10 mil quilômetros de ferrovias pelo país.

É por conta de toda sua bela história que as ferrovias merecem lugar de destaque no passado, presente e futuro do país. A Revista Ferroviária parabeniza a todos que fizeram e que fazem parte dessa história.

Fonte Revista Ferroviária, 30/04/2013

Obras do VLT do Porto começam no 2º semestre

A licitação para construção e operação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Região Portuária e do Centro foi vencida pelo consórcio VLT Carioca, único participante da concorrência pública realizada na última sexta-feira. O projeto prevê seis linhas de bondes modernos, com 28 quilômetros de trilhos, 38 paradas e quatro estações. Segundo a prefeitura, o critério para a seleção da empresa que vai implantar e operar o novo serviço de transporte público da cidade foi o de menor valor de contrapartida a ser pago pelo município.

Liderado pela CCR (por meio da Actua Assessoria), Invepar, Odebrecht Transport e Riopar (empresa de investimentos da Fetranspor), e formado ainda pela francesa RATP e a argentina Benito Roggio Transporte, o consórcio apresentou proposta de R$ 5,959 milhões mensais pagos pela prefeitura durante todo o período do contrato. As obras devem começar no segundo semestre.

O prazo do contrato será de 25 anos. A iniciativa privada ficará responsável pelas obras de implantação, compra dos trens e sistemas, operação e a manutenção do VLT durante esse período. A estreia do novo transporte, que ligará os bairros da Região Portuária ao Centro e ao Aeroporto Santos Dumont, passando pelas imediações da Rodoviária Novo Rio, Praça Mauá, Avenida Rio Branco, Cinelândia, Central do Brasil, Praça Quinze e Santo Cristo, será até 2016. O objetivo é fazer com que a integração com outros meios de transportes melhore o trânsito da região central, reduzindo o fluxo de veículos.

– O VLT chega para mudar a maneira como o carioca se locomove pelo Centro. Este novo modal garantirá conforto, rapidez e segurança ao mesmo tempo em que possibilitará a racionalização do trânsito, com menos ônibus e carros em circulação – diz o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio.

Fonte: O Globo, 30/04/2013

Rail Brazil Tech & Business Summit 2013

Encontro reunirá os principais executivos da área de transporte ferroviário de carga e de passageiros, para discutir assuntos relacionados às novas alternativas de tecnologia e de negócios com vistas à diminuição de custo e aumento de eficiência das ferrovias.

São Paulo, abril de 2013 – Idealizado e organizado pela CK Eventos, o Rail Brazil Tech & Business Summit 2013 tem como tema principal “Construindo a Plataforma Tecnológica e de Negócios para Diminuição de Custos e Aumento de Eficiência do Setor Metroferroviário Brasileiro”.

O evento, que acontecerá nos dias 11 e 12 de junho, no auditório do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo – IBEF (Edifício Spazio JK) chega ao mercado para apresentar e debater temas relacionados às tecnologias, inovações e projetos voltados para o setor de transporte ferroviário de carga e de passageiros no Brasil.

De acordo com a diretora da CK Eventos, Cristina Kerr, o Rail Tech Summit definirá diálogos estratégicos, técnicos e comerciais. Serão dois dias de palestras e workshops com a finalidade de conhecer apresentar alternativas de tecnologia e de negócios para diminuição de custo e aumento de eficiência das ferrovias. “Desenhamos este encontro para atender os executivos das áreas de suprimentos, engenharia, compras e tecnologia das empresas operadoras de carga e passageiros, indústria, prestadora de serviços, etc.”, comenta Kerr.

O evento conta com o apoio das principais entidades do setor metroferroviário:

ANTF – Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários;

ABIFER – Associação Brasileira da Indústria Ferroviária;

PAC 3 chega em setembro

A presidente Dilma Rousseff vai deflagrar em setembro, pouco antes do período de um ano até as eleições, uma série de anúncios de concessões que integram a expectativa de R$ 500 bilhões em investimentos na infraestrutura ao longo de três décadas. Os destaques do esforço para lançar editais e fazer leilões deverão ser contemplados pela propaganda oficial como a terceira versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Entre eles, estão as licitações de dois grandes aeroportos, de rodovias federais e do Trem de Alta Velocidade (TAV), carro-chefe dos PACs 1 e 2, que ainda não saiu do papel. Lançado em janeiro de 2007, o ousado portfólio de obras da União ganhou a marca PAC 2 em março de 2010, começo do último ano da Era Lula, como relançamento e sinal de continuidade. Em seis anos, o programa do qual Dilma foi denominada “mãe”,  tem avançado com dificuldades, mas ganha mais fôlego nos anos eleitorais — 2008, 2010 e 2012. Em 2014 não deverá ser diferente. Quando setembro vier, o Planalto espera deixar o terreno pronto para, em 2014, acelerar projetos de ampliação e modernização de rodovias, portos, ferrovias e aeroportos. A chefe do Executivo ainda vai se dedicar a uma maratona de inaugurações até 7 de julho do próximo ano, dentro do prazo autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de três meses antes das urnas. Após conseguir avanços no seu relacionamento com o Tribunal de Contas da União (TCU), o governo deverá tentar vencer outras barreiras burocráticas para viabilizar seu plano de obras, a mais eficaz política para animar a economia.  O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Wellington Moreira Franco, confirmou ao Correio que recebeu a missão de promover o leilão dos aeroportos do Galeão (RJ) e de Confins (MG) em setembro. O governo anunciou, no fim de 2012, que os editais deverão ser publicados em agosto e estima investimentos de R$ 11,4 bilhões das futuras concessionárias. A exemplo do modelo adotado nas disputas pelos terminais de Brasília, Guarulhos (SP) e Campinas (SP), participarão consórcios formados por grupos privados com grandes operadores internacionais.

Retomada – O primeiro contrato de concessão rodoviária da gestão Dilma foi assinado no último dia 17 com quase um ano de atraso em razão de impasses na Justiça. O vencedor do leilão do trecho da BR 101, que percorre todo o Espírito Santo, vai investir R$ 2,7 bilhões em 25 anos de concessão. Durante a assinatura do contrato, o ministro dos Transportes, César Borges, evitou chamar o anúncio de “símbolo da retomada” do Programa de Investimentos em Logística (PIL), dentro da terceira etapa das concessões rodoviárias federais, que prevê 6 mil quilômetros em sete trechos. “Só cumprimos uma etapa”, afirmou. O PIL prevê R$ 42 bilhões em três fases, sendo R$ 23,5 bilhões nos primeiros cinco anos. Os leilões de concessão dos novos segmentos ferroviários estão agendados para o segundo semestre de 2013. O planejamento de expansão da malha ferroviária é tocado pela estatal federal Valec. As concessões levarão ao acréscimo de 15 mil quilômetros, mais da metade da malha atual, de 28,7 mil. O governo também corre contra o tempo para transformar em editais a medida provisória dos portos, que tem de ser votada em definitivo até 16 de maio nos plenários da Câmara e do Senado. O pacote de concessões e arrendamentos de terminais estima investimentos de R$ 54,2 bilhões até 2017.

De olho no pré-sal  –  Vai entrar de forma antecipada na contabilidade do virtual PAC 3 a retomada dos leilões para exploração de petróleo, adiados desde 2008 em razão da longa negociação para mudar as regras gerais do setor. A décima primeira rodada de áreas está prevista para 14 e 15 de maio, e já atraiu  o interesse de mais de 70 empresas, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). De olho nas oportunidades do pré-sal, 19 companhias nacionais já manifestaram interesse em participar. A rodada vai licitar  289 blocos em 11 bacias sedimentares. Mesmo antes dessa nova etapa,  a Petrobras e as suas parceiras responderam por cerca de metade dos recursos efetivamente investidos no PAC desde o seu lançamento.

Pacote eleitoral  – Obras para pavimentar o caminho à reeleição

Rodovias – A segunda etapa das concessões rodoviárias do governo Dilma Rousseff — que engloba 6 mil quilômetros em sete trechos — deverá ser anunciada em até seis meses, com projetos do Programa de Investimentos em Logística (PIL). O desembolso previsto é de R$ 23,5 bilhões nos primeiros cinco anos.

Aeroportos – A Secretaria de Aviação Civil (SAC) quer publicar os editais da nova etapa de concessões de aeroportos até agosto e realizar os leilões do Galeão (RJ) e de Confins (MG) um mês depois. Os investimentos somados das concessionárias são estimados em R$ 11,4 bilhões.

Ferrovias – Os leilões dos novos segmentos ferroviários estão previstos para meados do segundo semestre de 2013. O governo promete acrescentar 15 mil quilômetros de trilhos, mais da metade da malha atual, de 28,7 mil.

Trem-bala – Depois de anos de adiamento, o leilão do trem-bala, que vai ligar as cidades de Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro, está previsto para 19 de setembro. A assinatura do contrato deverá ocorrer em 27 de fevereiro de 2014. O custo total do projeto é de R$ 33,5 bilhões. 

Portos – O governo corre contra o tempo para efetivar, no segundo semestre, mudanças regulatórias dos portos, que serão votadas até 16 de maio no Congresso Nacional. O pacote para o setor estima investimentos de R$ 54,2 bilhões até 2017, a partir de concessões e arrendamentos.

Fontes: Ministério do Planejamento e analistas

Correio Braziliense – Brasília/DF – ECONOMIA – 29/04/2013

Museu do Trem atrai público

O Museu do Trem está tentando voltar aos trilhos. Fechado à visitação desde  2007 — quando perdeu parte de seu terreno para a construção do Engenhão — o  equipamento reabriu as portas este mês e já virou um concorrido ponto de  visitação. Nos primeiros 12 dias, 550 pessoas foram ao Engenho de Dentro ver de  perto vagões, maquinários, trilhos e maquetes que ajudam a contar a memória  ferroviária do país. No acervo, entre as mais de mil peças disponíveis,  destacam-se a locomotiva Baroneza (na grafia antiga, com z), a primeira a  trafegar pelo Brasil, em 1854; e o vagão Imperial, que servia a D. Pedro II.  Está lá, também, o vagão presidencial, que foi usado pelo presidente Getúlio  Vargas na década de 1930. O prédio e o acervo do Museu do Trem foram tombados  pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) em 2011, que  inscreveu um projeto de restauração da construção no Programa de Aceleração do  Crescimento (PAC) das Cidades Históricas.

— Temos recebido principalmente moradores da região, mas também já tivemos  turistas de outros estados. As escolas também têm nos procurado. Isso demonstra  que o museu é importante para a cidade e que todo nosso esforço em reabri-lo  está valendo a pena — diz o historiador Bartolomeu D’El Rei, que é responsável  pelo Museu do Trem desde julho.

Dentro do museu, há cinco locomotivas e quatro vagões antigos. Alguns  preservam o mobiliário e até objetos de decoração originais. O Carro  Presidencial, por exemplo, é todo revestido de peroba do campo e chama atenção  pelo luxo. Já a locomotiva Baroneza, que recebeu este nome em homenagem à mulher  do Barão de Mauá, Maria Joaquina Machado de Souza, é uma das preciosidades do  acervo. Fabricada em 1852, em Manchester, na Inglaterra, por William Fairbairn & Sons, foi usada para tracionar a composição que inaugurou a Estrada de  Ferro Mauá, sendo retirada de circulação após 30 anos de uso. Em perfeito estado  de conservação, e ainda funcionando, ela teve apenas a estrutura dos vagões  reformada.

Além de vagões e locomotivas, o museu tem maquetes de trens, fotos e pelo  menos 30 placas de metal de locomotivas que rodaram pelas estradas de ferro  entre os século XIX e XX.

Mas se o acervo dentro do museu está bem conservado, as locomotivas e peças  guardadas no pátio jazem sob ação do tempo. Uma locomotiva de cremalheira que  circulou na serra de Petrópolis, por exemplo, virou casa de abelhas.

— É importante destacar que os bens da área externa estão em avançado  processo de deterioração. Eles precisam ser restaurados — critica Antonio  Pastori, diretor da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária — Estamos  preocupados também com o fato de o Engenhão ter sido interditado por problemas  na estrutura de metal. Temos medo de que o telhado, que fica muito perto, caia e  afete o museu — completa.

Instalado nas dependências do galpão de pintura de carros da antiga Estrada  de Ferro Pedro II, o museu, que foi reaberto em caráter experimental, está  funcionando ainda de forma precária. Como só há dois funcionários, as visitas só  ocorrem de terça à sexta-feira, das 10h às 15h. O prédio, uma construção do  início do século XIX, está necessitando de reparos: tem vidros quebrados e está  com paredes descascadas.

Segundo Cristina Lodi, superintendente do Iphan no Rio, o órgão elaborou um  projeto de restauração que prevê a reforma do telhado, dos banheiros e uma  melhoria da parte elétrica. Também estão nos planos a reconstrução de um galpão  vizinho, que permitirá a ampliação do museu e a retomada de um antigo passeio de  locomotiva num tour por dentro do terreno.

Fonte: O Globo, 25/04/2013

18/04/2013 – AENFER promove confraternização de aniversariantes em Juiz de Fora

A Associação de Engenheiros Ferroviários (AENFER) promoveu no dia 18 de abril um encontro com os aniversariantes de janeiro, fevereiro, março e abril. São associados residentes em Minas Gerais que participaram da confraternização de aniversário realizada na Churrascaria Potência do Sul em Juiz de Fora (almoço por adesão).

A confraternização contou também com presenças de associados do Rio de Janeiro. A AENFER disponibilizou uma van que saiu da sede da Associação para dar oportunidade e comodidade àqueles que participaram do momento comemorativo.

Pela Associação dos Engenheiros da Estrada de Ferro Leopoldina (AEEFL) estavam o presidente daquela entidade Almir Ferreira Gaspar, o diretor Manoel Geraldo Costa e o primeiro secretário Ivan Oliveira do Nascimento.

Os convidados foram recebidos com muita alegria pelo presidente da AENFER Luiz Lourenço de Oliveira e a diretora Telma Regina que na ocasião sortearam brindes tradicionalmente oferecidos pela entidade.

A AENFER agradece a presença dos aniversariantes Adamastor Pereira Domingues, Gilberto dos Santos, Jorge Luiz Ribeiro da Costa, Norival Ramos e daqueles que proporcionaram o dia de festa.

Lembramos que o próximo encontro já tem data marcada. Será no dia 22 de agosto para a comemoração dos aniversariantes de maio, junho e julho.

Valec negocia empréstimo de trilhos

Já que a compra de trilhos não tem data para sair, o que resta é pedir emprestado. Pressionada pelo atraso crônico que compromete a construção de suas ferrovias, a estatal Valec decidiu apelar para a ajuda da Ferrovia Transnordestina, empreendimento tocado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Pernambuco, Ceará e Piauí.

A Valec, conforme adiantou ontem o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, negocia um empréstimo de trilhos com a Transnordestina Logística. Pelo acordo com a CSN, que pertence ao empresário Benjamin Steinbruch, a empresa emprestaria 20 mil toneladas de trilhos para a Valec. O negócio ainda não foi selado, mas só depende de uma sinalização do governo para que se concretize. O empréstimo não resolve a vida da Valec – que precisa comprar 243 mil toneladas de trilhos -, mas ajuda a aliviar a tensão sobre os cronogramas da Ferrovia Norte-Sul, com obras entre os Estados de Goiás e São Paulo, e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), projeto de mais de 1 mil km de extensão, em fase preliminar na Bahia.

Procurada, a Transnordestina Logística se limitou a informar que “não comenta negociações em curso com o governo federal”. A Valec confirmou as negociações com a empresa, mas informou que ainda não há uma decisão tomada e que outras alternativas são avaliadas neste momento pela estatal, caso a compra de trilhos demore ainda mais para se concretizar. “É claro que nossa prioridade é comprar os trilhos, mas não podemos ficar parados, por isso estamos estudando alternativas. O empréstimo é uma dessas opções”, disse o presidente da Valec, Josias Cavalcante.

As alternativas não são nada simples. Dois caminhos são considerados pela Valec, em detrimento do empréstimo que poderá ser feito pela CSN. A estatal já estuda a possibilidade de transferir a compra de seus trilhos para as empreiteiras que atuam nas obras civis das ferrovias. Para que isso ocorra, no entanto, seria preciso aditivar os contratos das construtoras, saída que teria de contar com o aval do Tribunal de Contas da União (TCU). Depois dos escândalos que varreram a cúpula do Ministério dos Transportes há quase dois anos, nenhum contrato da Valec tem autorização para receber aditivos que ultrapassem 25% de seu valor de contrato. Há riscos, portanto, dessa alternativa não ser viável. Além disso, há o problema da economia de escala. Se a compra de trilhos for fatiada entre muitas construtoras, corre-se o risco de o preço dos lingotes de aço subir demais.

A última alternativa analisada é mais radical. A Valec assumiria a responsabilidade de concluir etapa de terraplenagem do traçado das ferrovias. A partir daí, ela concederia a malha para a iniciativa privada, que assumiria a responsabilidade de comprar os trilhos e instala-los. “São possibilidades. Estamos fazendo tudo o que é possível para levar nossos projetos adiante”, disse Cavalcante.

O drama da Valec teve início em 2011, quando a estatal tentou comprar 1.711 km de barras de aço de uma só vez. O leilão, vencido pelo consórcio formado pela empresa Distribuidora de Manufaturados (Dismaf) e a chinesa Pangang, foi parar na Justiça, após uma sequência de irregularidades apontadas pelo TCU e uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou o certame e permitiu que a Valec retomasse o processo. A Dismaf e seus donos, por conta de suposto envolvimento em esquemas de corrupção nos Correios, acabaram impedidos de participar de novos contratos com a ECT. No início deste ano, a Valec voltou a fazer dois leilões internacionais para comprar trilhos. Mais uma vez, a família Dismaf – por meio de uma empresa criada pelos filhos de seus donos – se uniu à Pangang e foi a única a apresentar proposta no leilão. O TCU achou indícios de restrição à competitividade e suspendeu o negócio. Hoje, a Valec tenta cancelar esses leilões para refazer o edital. A Dismaf, porém, foi a justiça para exigir que sua vitória seja homologada.

Os problemas não se restringem a trilhos novos. Uma situação ainda mais delicada envolve aquilo que já foi comprado, entre 2007 e 2009, da própria Dismaf e Pangang. Em um relatório de julho do ano passado, o Ministério dos Transportes já questionava a Valec sobre defeitos nos lingotes assentados. O ministério, conforme relatório divulgado no mês passado pelo TCU, informava que “foi constatada uma alta incidência de defeitos superficiais nos trilhos e que tais defeitos não foram gerados por problemas causados pelo tráfego ferroviário, haja vista que ainda não há operação comercial de trens de carga”. A Pasta alegava ainda que, “mesmo que se venha a comprovar, através de documentos, a qualidade dos trilhos adquiridos, faz-se necessário registrar que a qualidade dos trilhos assentados na via não corresponde ao esperado” e que o tempo de vida útil dos trilhos de aço “poderá não ser a prevista pelo projeto”. A Dismaf tem negado qualquer irregularidade com seu material.

Fonte: Valor Econômico, 25/04/2013

SuperVia adota moderno sistema de comunicação

Os canais de comunicação das estações ferroviárias do Rio de Janeiro vão ganhar um upgrade para informar mais rápido e com maior precisão aos 540 mil passageiros que circulam pelos 12 municípios por onde o trem circula. Em um aporte de R$ 2 milhões, a SuperVia, empresa controlada pela Odebrecht TransPort desde 2011, adquiriu um moderno sistema de sonorização chamado Eclipse.

A aparelhagem é similar à utilizada em Estádios Olímpicos, parques da Disney, famosas rede de hotéis e pistas de Fórmula 1. Fabricado pela norte-americana Harman Kardom, permitirá a codificação de informações sobre a circulação para painéis instalados nas estações, que poderão ser consultadas em tempo real pelos passageiros nas plataformas.

Além de exibir a informação na tela, as antigas caixas de som serão substituídas por outras, mais modernas, encomendadas da empresa Community. O sistema é o mesmo utilizado pelo Metrô de Nova York e tem como diferencial a qualidade do áudio, mais limpo e sem ruídos, que pode ser compreendido com eficiência pelos passageiros.

As novas caixas de som já foram instaladas em 15 estações e entram em testes até o fim deste mês. A perspectiva é que outras 15 estações recebam os aparelhos até fim do ano. “Queremos ser o transporte parceiro do dia a dia de milhares de cidadãos e, para isso, precisamos nos comunicar de forma clara e eficaz com nossos passageiros. O equipamento contratado é referência em estações ferroviárias de países desenvolvidos e será aplicado gradualmente em todas as estações do nosso sistema”, ressalta o presidente da SuperVia, Carlos José Cunha.

Fonte: (Redação – Agência IN) – 24/04/2013

Grupo espanhol quer trazer ferrovias ao País

Seguindo a tendência que vem sendo apontada pelo governo desde o lançamento do Planograma de Investimento em Logística (PIL), uma delegação de 12 empresas do setor ferroviário espanhol passa durante esta semana pelo Brasil para analisar as novas possibilidades de participação nos planos de modernização de infraestrutura e transporte aprovados pelo governo.

Sob a coordenação da Associación Ferroviaria Española (Mafex), os representantes devem se encontrar com as principais entidades ferroviárias públicas e privadas, como a operadora do Metrô de São Paulo e também a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), além da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), a Agência Nacional de Transportadores de Passageiros Sobre Trilhos (ANPTrilhos) e a Empresa de Planejamento e Logística (EPL). Além disso, foram programados outros encontros no Rio de Janeiro, com as operadoras do Metrô Rio e da Supervia, além de uma reunião com a Vale.

A delegação chega ao Brasil em um momento oportuno para os dois países, já que paralelamente à necessidade brasileira de melhoria da infraestrutura logística, a negociação com o Brasil é fundamental para as exportações ferroviárias espanholas, uma vez que este meio de transporte se transformou na grande aposta de investimento para os próximos 25 anos dentro do Programa Estatal de Transporte (PET), que teve um investimento inicial de 53,5 bilhões de euros, principalmente para ferrovias e estradas.

Fonte: DCI/Agências, 24/04/2013

Editorial: Trilhos tortos

Relatório interno do Ministério dos Transportes, ao qual a reportagem desta Folha teve acesso, aponta novos e graves problemas na ferrovia Norte-Sul. Pelo menos 855 quilômetros da via (de um total de 3.100 km) teriam sido construídos com trilhos de baixa resistência, que já consumiram R$ 470 milhões em recursos públicos.

O material, importado da China a partir de 2007, apresenta, segundo técnicos, baixa dureza –com partes que se desgastam e sinais de trincamento. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), a Valec, estatal responsável pela obra, foi omissa ao não verificar se o produto apresentava as características exigidas em contrato.

Não é demais lembrar que em 2011 a presidente Dilma Rousseff, em meio à faxina que se viu compelida a promover na pasta dos Transportes, havia afastado o presidente da empresa, José Francisco das Neves, sob suspeita de enriquecimento ilícito.

O caso tem ramificações que sugerem favorecimento político. Os trilhos foram adquiridos e fornecidos à Valec pela Dismaf, vitoriosa em duas licitações. A empresa, de Brasília, pertence aos irmãos Basile e Alexandre Pantazis, ex-militantes do PTB, ligados ao senador Gim Argello (DF), da mesma sigla.

Licitada em 1987, durante a presidência de José Sarney, a ferrovia Norte-Sul já nasceu torta. A concorrência para as obras, como expôs reportagem do colunista Janio de Freitas, foi fraudulenta. Os nomes dos vencedores divulgados pelo governo haviam sido publicados com antecipação, de maneira cifrada, pela Folha.

A anulação da concorrência não bastou para colocar nos trilhos o empreendimento, que já consumiu mais de R$ 8 bilhões do erário. No ano passado, a mesma Valec, que havia comandado a disputa pública na década de 1980, foi apontada por laudos da Polícia Federal como suspeita de superfaturamento em obras da ferrovia.

O episódio dos trilhos que ora se noticia é apenas mais um a evidenciar que o velho vício do tráfico de influência e da apropriação da máquina pública por interesses privados continua a marcar a cultura política do país.

Quanto a isso, a atuação do PT em dez anos de governo federal serviu mais para perpetuar do que para remediar os problemas tradicionais. Bastaria, aliás, para demonstrá-lo, mencionar o julgamento do mensalão e o desastroso aparelhamento da Petrobras.

Fonte: Folha de S. Paulo, 24/04/2013