Trem transportará 48 mil passageiros por hora

Segundo o governador Alckmin, o novo sistema de transporte público vai tirar 15 ônibus das ruas.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) apresentou, nesta quarta, o trem que vai circular no  monotrilho da Linha 15-Prata e  ligar as estações Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes.

A previsão é transportar 48 mil passageiros por hora e por sentido no monotrilho. Isso porque ele funciona com um sistema automático de controle de tráfego, que permite um intervalo de circulação entre trens de até 75 segundos. A velocidade máxima é de 80 quilômetros por hora.

Segundo Alckmin, o novo sistema de transporte público vai tirar  15 ônibus das ruas. As estações Vila Prudente e Oratório serão inauguradas no início do ano que vem. O trecho tem 2,9 quilômetros de extensão. A composição é formada por sete carros com capacidade para transportar mais de mil  passageiros por viagem. Assim como na Linha 4-Amarela, não há operador no veículo.

Fonte: Diário de São Paulo, 30/10/2013

Negócios nos Trilhos começa semana que vem

A 16ª Feira Negócios nos Trilhos será realizada entre 5 e 7 de novembro, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). Segundo a empresa organizadora, a UBM Brazil, esta será a maior de todas as edições. Este ano, o evento contará com 210 expositores de 21 países, que ocuparão um espaço de 15.500 metros quadrados.

A NT Expo é considerada a maior feira de transporte metroferroviário da América Latina. A organização espera receber de 10 mil visitantes do Brasil e de outros países.  A edição 2013 da feira terá como eventos paralelos a Rail Brazil Tech & Summit, Rodadas de Negócios, Fórum UIC South América e Auditórios Comerciais.

A Revista Ferroviária é o veículo oficial do evento. A reportagem de destaque da edição é uma viagem pelo trecho entre Araguari (MG) e Ibiá (MG), na malha da Ferrovia Centro-Atlântica. Além disso, revista traz uma entrevista com o presidente do Metrô de São Paulo, Luiz Pacheco, e reportagem sobre a Estação Jardim Oceânico da Linha 4 do Rio; 70 anos da AmstedMaxion e 25 anos da Conprem;  uso do alumínio no setor ferroviário; tecnologias na produção de dormentes; Estudo de Mercado sobre Terminais; entre outros.

Fonte: Revista Ferroviária, 31/10/2013

Faltam investidores em logística no Brasil, diz Figueiredo

O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, disse, nesta quarta-feira, 30, que o Brasil não tem empreendedores suficientes para dar conta da quantidade de investimentos em logística que o País demanda.

“Estamos tentando contratar R$ 40 bilhões por ano em investimentos de infraestrutura em logística, mas percebemos que não temos investidores suficientes. Fizemos projetos atrativos, mas não temos empreendedores capazes de abarcar tudo isso. Ficamos muito tempo sem investir e não criamos essa capacidade empreendedora”, alegou, durante videoconferência “Rumos da Indústria” realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Figueiredo reforçou que o Brasil continua atrativo para os investidores e argumentou que os projetos apresentados pelo governo têm sim atratividade. “Nossos gargalos representam oportunidades de investimento. Nenhum outro País tem essa capacidade de crescimento se forem resolvidos os problemas de logística. A questão que a gente enfrenta é que temos que passar o patamar de investimentos em logística de R$ 15 bilhões por ano para R$ 100 bilhões”, completou.

Fonte: Agência Estado, 31/10/2013

BB terá R$ 180 bilhões para infraestrutura

Dono da maior carteira de crédito entre os bancos brasileiros, com 21% de participação no total, o Banco do Brasil (BB) pretende avançar no financiamento de projetos de infraestrutura em 2014. O banco teria R$ 180 bilhões para alavancar sua carteira de crédito, segundo projeções de mercado.

Este aumento seria possível com a utilização de uma folga em sua estrutura de capital. O banco tem hoje mais capital do que o “colchão” exigido pelas regras internacionais do acordo Basileia III (que define a relação entre empréstimos e capital que um banco deve ter). Hoje, este “colchão” do Banco do Brasil é de 15,9% e pode ser reduzido para 13%.

Estes recursos reforçarão os planos do banco para apoiar empresas e projetos nas áreas de petróleo e gás, energia, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e mobilidade urbana. “Vamos fazer sem comprometer nível de capital exigido”, disse o vice-presidente de Atacado e Negócios Internacionais do BB, Paulo Caffarelli, ao Estado.

O Banco Central exige hoje um “colchão” de 11% – Basileia prevê 8%, mas elevará esse índice a 13% até 2019.

Caffarelli informa que o banco centrará esforços nas principais frentes de atuação no mercado corporativo. Desde atividades de assessoria financeira (“advisor”), passando pela estruturação de projetos e o auxílio a companhias no mercado de dívida privada via emissão de debêntures, até operações de participação acionária em empresas (“private equity”).

Fatia de mercado. O banco costura, ainda, um Fundo de Investimento em Participações (FIP) ao redor de R$ 15 bilhões com outros parceiros para ampliar as apostas na infraestrutura.

Caffarelli calcula em R$ 1,5 trilhão o volume de recursos dos programas federais na área até 2018. O BB quer uma fatia de 10% desse mercado nascente e trabalha para elevar sua carteira de infraestrutura dos atuais R$ 94 bilhões a R$ 150 bilhões nos próximos cinco anos. “Só em petróleo e gás serão R$ 311,5 bilhões em navios, sondas, plataformas e estaleiros”, diz. Em energia, o BB projeta um mercado de R$ 100 bilhões. Em aeroportos, serão R$ 20 bilhões. Rodovias e ferrovias demandarão R$ 62 bilhões.

Além disso, a subsidiária BB Banco de Investimentos dedica-se a estruturar um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (Fidc), cujas cotas são vendidas aos chamados investidores qualificados, para entrar nos consórcios vencedores dos leilões das concessões de rodovias, ferrovias e aeroportos.

Os leilões das BRs 163 e 040, marcados pelo governo para este ano, devem contar com participação efetiva do BB por meio de financiamento em conjunto com outros bancos. O tema tem sido debatido à exaustão com governo e bancos privados.

A intensa movimentação do BB na área de infraestrutura tem como objetivo aumentar a participação dos investimentos realizados por seus clientes Pessoas Jurídicas. Hoje, 26% da carteira de pessoas jurídicas, que somou R$ 300 bilhões em junho, é dedicada a investimentos.

Ainda predominam os financiamentos ao capital de giro, com 29% do total. “Essa relação vai mudar muito rapidamente nos próximos anos. Teremos os investimentos como carro-chefe dessa carteira”, prevê Caffarelli.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 31/10/2013

Justiça nega pedido da Rumo para que ALL pague multas

A América Latina Logística (ALL) venceu uma etapa da batalha jurídica que trava com a Rumo Logística, uma subsidiária da Cosan: conseguiu manter a suspensão do pagamento de R$ 194 milhões em multas cobradas pelo suposto não cumprimento de contrato com a Rumo. A decisão foi tomada pela juíza da 38ª Vara Cível da capital paulista, Carolina de Figueiredo Dorlhiac Nogueira, em pedido da Rumo para reverter uma liminar que já isentava a ALL do pagamento até o impasse ser resolvido na arbitragem.

A juíza citou decisão anterior que livrou a ALL da multa e justificou que não há razão para aplicação de nova multa. A magistrada afirmou também que é preciso considerar que o cumprimento da obrigação nos exatos termos previstos em contrato pode ser operacionalmente impossível, como alega a ALL.

Este julgamento será feito por um tribunal arbitral, como prevê o contrato entre ALL e Rumo. O cálculo da cobrança feita pela Rumo está especificado em uma notificação extrajudicial. O documento, assinado pelo advogado que representa a Rumo, Arnoldo Wald, detalha que a ALL devia aproximadamente R$ 153 milhões por não atender os volumes previstos nos contratos, R$ 17 milhões pela utilização dos investimentos na malha ferroviária feitos pela Rumo e R$ 10,6 milhões por 44 vagões “completamente danificados”, entre outros motivos.

A Rumo afirma ainda que a ALL provocou atraso na reativação do trecho entre os municípios paulistas de Pradópolis e Barretos ao dar preferência para o transporte de grãos e deixou de transferir 20 mil toneladas de trilhos comprados para a subsidiária da Cosan, práticas que prejudica contratos da Rumo com clientes. “Aquilo que deveria ser exceção acabou se tornando regra”, afirma o texto sobre o não atendimento de transporte do volume programado. A subsidiária da Cosan diz que investiu R$ 1,35 bilhão no projeto de transporte de açúcar até o Porto de Santos.

Pedidos em xeque

A ALL entrou na Justiça contra a Rumo para encerrar o contrato alegando que os volumes previstos no acordo são prejudicados por conta de solicitações de transporte “abusivamente elevadas”, segundo a expressão utilizada pela operadora. Ao não conseguir cumprir os pedidos da Rumo, a ALL fica sujeita ao pagamento de multas. A ALL sustenta que a Rumo prefere as multas ao transporte da carga. “Os contratos se transformaram em uma máquina de dinheiro que funciona para enriquecer a Rumo e, portanto, para sangrar indevidamente o caixa do grupo ALL”, diz o documento.

A Cosan foi procurada, mas a empresa informou que está impedida de comentar o caso devido ao período de silêncio até a divulgação do seu balanço do terceiro trimestre deste ano, no dia 6 de novembro. Na semana passada, a Rumo divulgou nota referente à decisão da liminar de 17 de outubro em que afirma que a Justiça reconhece os contratos entre as empresas, incluindo a validade das cláusulas que impõem multas contra a ALL em caso de inadimplência.

RF – Leia abaixo a nota enviada pela Rumo:

“A Rumo reitera que todos os contratos celebrados com a ALL estão em pleno vigor, e devem ser respeitados pela ALL. A Rumo desconhece qualquer decisão judicial que tenha relativizado os efeitos dos contratos ou autorizado a ALL a descumpri-los. Pelo contrário, houve decisão do TJSP reforçando a validade das cláusulas contratuais celebradas entre Rumo e ALL. A Rumo reafirma que não deve e nem pode comentar o conteúdo de decisões judiciais referentes aos litígios existentes com a ALL porque os casos tramitam em segredo de justiça. De toda sorte, esclarece que a MM. Juíza da 38ª. VC do Foro Central da Comarca de São Paulo em nenhum momento decidiu que a ALL não precisaria cumprir os contratos celebrados com a Rumo”.

Fonte: Agência Estado, 31/10/2013

Metrô e trem têm manhã de atrasos no Rio

Os passageiros do metrô e dos trens sofreram com atrasos na circulação na manhã desta quarta-feira. No metrô, os transtornos foram provocados por problemas de sinalização na Estação Uruguaiana. Já nos trens, houve atrasos devido ao furto de 60 metros de cabos de sinalização próximo à estação Triagem, na Zona Norte. De acordo com a SuperVia, um dos cabos, que estava partido, chegou a cair em cima de um trem que seguia da Central do Brasil para Saracuruna. As causas da falha na sinalização no metrô ainda estão sendo investigadas pela concessionária MetrôRio.

Os atrasos no metrô prejudicaram passageiros das linhas 1 e 2, já que o problema na sinalização foi registrado entre as estações Central e Botafogo, que são compartilhadas pelas duas linhas. A concessionária explicou que os trens ficavam parados entre as estações devido ao acúmulo de composições.

Agentes da SuperVia identificaram o furto de cabos dos trens por volta das 6h desta quarta-feira. Uma equipe foi enviada ao local para efetuar os reparos. O cabo caiu em cima de um trem perto da estação Triagem às 6h40m. Os técnicos restabeleceram o sistema às 7h, e a composição pôde seguir viagem. Apesar do atraso, os passageros não precisaram desembarcar.

A concessionária informou, através de nota, que lamenta o ocorrido e que o caso será registrado na delegacia da região e apurado com o apoio da DDSD (Delegacia de Defesa de Serviços Delegados) e do governo do estado.

Concessionárias multadas

Nessa terça-feira, a Agetransp multou as concessionárias MetrôRio e SuperVia. A concessionária Metrô-Rio foi multada no valor de R$ 1.082.624,00 pelos problemas que geraram a paralisação das linhas 1 e 2 por cerca de duas horas no dia 23 de julho, durante a missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). A Agetransp considerou que o incidente gerou transtornos na mobilidade da população, uma vez que havia milhares de peregrinos na cidade.

Outras três multas, que somaram R$ 154 mil, foram aplicadas à SuperVia: uma por quebra de pantógrafo, que provocou pane na composição nas proximidades da Estação Jardim Primavera, a segunda pelo descarrilamento de trem no trecho inferior da Estação Meier, e a última pela avaria de um trem próximo a Estação Meier, que obrigou os passageiros a desembarcarem na linha férrea.

Fonte: O Globo, 30/10/2013

SuperVia revitaliza ramais e estações

A SuperVia, operadora de trens de passageiros do Rio de Janeiro, está fazendo melhorias nos ramais Vila Inhomirim e Guapimirim. Entre os serviços prestados estão recuperação de trilhos, reformas de locomotivas e carros de passageiros, além da revitalização da via férrea e de passagens em nível destes e outros ramais.

Em maio deste ano, foram concluídas as obras da estação Vila Inhomirim, que recebeu nova comunicação visual, piso tátil, cobertura e catracas. Cerca de R$ 20 milhões ainda serão aplicados em melhorias nos trechos Saracuruna -Vila Inhomirim e Saracuruna-Guapimirim.

A partir de segunda-feira (04/11) será iniciada a cobrança de passagem nas estações Vila Inhomirim, Fragoso e na integração para os trens elétricos na estação Saracuruna. Para quem usa o trem no trecho entre Morabi e Vila Inhomirim, a tarifa promocional é de R$ 2,00. O valor continua sendo de R$ 2,90 para quem for até Saracuruna ou desejar seguir viagem nos trens para a Central do Brasil. A mudança está sendo informada aos passageiros por meio de cartazes e áudios das estações.

Fonte: Revista Ferroviária: 31/10/2013

O monotrilho chegou

Em evento realizado na manhã dessa quarta-feira (30/10), o governador Geraldo Alckmin;  o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes; e o presidente do Metrô, Luiz Antonio Carvalho Pacheco, apresentam o trem que vai circular no primeiro trecho de monotrilho do Brasil.  O trem servirá a Linha 15-Prata do Metrô, que quando finalizada ligará o a Vila Prudente ao Hospital Cidade Tiradentes.

Segundo a Companhia do Metropolitano de São Paulo, o monotrilho também é o de maior capacidade do mundo, pois tem capacidade para transportar até 48 mil passageiros por hora e por sentido. Essa capacidade será alcançada graças ao sistema automático de controle de tráfego, que permite um intervalo de circulação entre trens de até 75 segundos.

A linha 15 contará com 24,6 km de extensão e 17 estações. O primeiro trecho ligando a Vila Prudente ao Oratório (2,9 km) entrará em operação assistida em janeiro de 2014. Os trens do monotrilho são fabricados pela canadense Bombardier que tem ainda mais 14 carros em fase de montagem. Ao todo, serão 54 monotrilhos, totalizando 378 carros. A produção está sendo feita em Hortolândia (SP).

Fonte: Revista Ferroviária, 30/10/2013

Agetransp multa MetrôRio em mais de R$ 1 milhão

A Agetransp multou, nesta terça-feira, a concessionária Metrô Rio no valor de R$ 1.082.624,00 pelos problemas que geraram a paralisação das linhas 1 e 2 por cerca de duas horas no dia 23 de julho, durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). O relator do processo e Conselheiro-Presidente da Agetransp, Luiz Barbosa, considerou que o incidente gerou transtornos na mobilidade da população, uma vez que havia milhares de peregrinos na cidade e que naquele dia seria realizada a missa de abertura do evento em Copacabana, na Zona Sul da cidade.

A multa, fundamentada no parágrafo 3º da cláusula décima nona do Contrato de Concessão, representa 0,5% do faturamento do Metrô Rio no ano anterior e foi aplicada por maioria de votos dos Conselheiros votantes. Cabe recurso à decisão. Em nota, a concessionária Metrô Rio informou que ainda não foi notificada oficialmente pela Agetransp. Quando isso ocorrer, a empresa disse que var recorrer do valor da multa.

Na ocaisão, o diretor de engenharia da concessionária, Joubert Flôres, havia pedido desculpas à população pelo caos. Com a circulação interrompida, as estações ficaram fechadas. Houve relatos de pessoas que ficaram confinadas nas estações. Alguns passageiros passaram mal na estação Uruguaiana. Flôres classificou a falha como um incidente e explicou que a paralisação do sistema foi provocada por um defeito em um cabo da futura estação Uruguai, na Tijuca, na Zona Norte da cidade.

Paralisação de duas horas

Na abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no dia 23 de julho, as linhas 1 e 2 do metrô ficaram paralisadas por duas horas. De acordo com a concessionária Metrô Rio, um cabo de energia se rompeu na estação Uruguaiana, no Centro Rio, e a circulação de trens teve de ser paralisada para o trabalho de equipes de manutenção.

Mais três multas

Além da multa pelas ocorrências na abertura da JMJ, a Agetransp multou em R$ 154 mil reais a SuperVia, por três incidentes distintos. A concessionária foi multada em R$ 71.538 por uma quebra de pantógrafo, que provocou pane na composição nas proximidades da Estação Jardim Primavera e, em R$ 51.904 por um descarrilamento de trem no trecho inferior da Estação Meier. Outra multa, no valor de R$ 30.625, foi devido à avaria de um trem próximo a Estação Meier, que obrigou os passageiros a desembarcarem na linha férrea. O Conselho Diretor da Agência considerou a SuperVia responsável pelos três incidentes, que comprometeram a qualidade dos serviços e prejudicaram os usuários.

O MetrôRio informou que ainda não foi notificado oficialmente pela Agetransp. Quando isso ocorrer, a Concessionária recorrerá do valor da multa.

Fonte: O Globo, 29/10/2013

Setor privado segue reticente quanto às ferrovias

O setor privado avalia que as mudanças aplicadas pelo governo à Valec ainda não tornaram suficientemente atraentes as concessões de ferrovias previstas no Programa de Investimentos em Logística (PIL). O governo divulgou nesta terça-feira um segundo decreto em menos de uma semana sobre a empresa, agora para obrigá-la a adotar as mesmas regras de governança do Novo Mercado da Bovespa. As mudanças, no entanto, não abalaram o ceticismo dos potenciais investidores dos quase R$ 100 bilhões previstos no programa.

Segundo um representante da iniciativa privada, decretos que podem ser alterados a qualquer momento pelo executivo não mudam significativamente os riscos de empreendimentos de 35 anos, que dependerão sempre de ingerência do governo. Outro interlocutor de investidores avalia que o modelo adotado pelo governo ainda tem falhas.

– Os decretos são um sinal do governo da vontade de fazer as coisas avançarem, mas não resolvem – disse um dos participantes das discussões.

Fontes do governo também reconhecem que o programa de ferrovias ainda não está completamente resolvido, mesmo com a recente elevação da taxa interna de retorno para 8,5%, e que precisa ainda amadurecer mais o modelo a ser levado a leilão. O medo principal é que a primeira licitação resulte em falta de lances, assim como aconteceu com a BR-262, forçando o governo a reformar o programa de concessões de maneira ainda mais drástica para obter algum sucesso.

O governo também descartou colocar de cara para ser leiloado um trecho sem projeto básico, como aquele da Norte-Sul entre Açailândia e Barcarena, que já está sob avaliação do TCU. Agora, considera leiloar antes um trecho da Ferrovia do Centro Oeste (Fico) que já tem projeto básico e demanda assegurada do agronegócio da região.

– Se a iniciativa privada discorda do volume de investimento sugerido, o que é mais grave quando não há projeto básico, ninguém vai – disse esse interlocutor dos potenciais investidores.

O decreto publicado nesta terça-feira atende uma determinação da presidente Dilma Rousseff, diante da desconfiança dos investidores em torno da Valec. O decreto que reestrutura a empresa, porém, não conseguiu mudar nome para Empresa Brasileira de Ferrovias (EBF), conforme previsto, porque, para isso, seria necessário chancela do Congresso – o que atrasaria ainda mais as concessões.

Conforme o GLOBO antecipou, o quadro da Valec será técnico, com executivos com experiência comprovada na área de formação e obrigatoriamente do setor de logística. A principal função da empresa será comprar o direito de uso da capacidade dos trilhos, explorados por terceiros, mas também construir e explorar diretamente o sistema ferroviário. Ainda estamos vendo com o TCU se as mudanças agradaram o tribunal e são suficientes.

Fonte: O Globo, 29/10/2013