No PAC, obras do TAV ‘estão em dia’

O governo federal anunciou nesta sexta-feira, 27, que 95,5% das obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram concluídas até o fim de abril deste ano, consumindo R$ 871,4 bilhões em investimentos desde o início do governo Dilma Rousseff, em 2011. Apesar dos números de sucesso divulgados hoje por cinco ministros do governo, o País passou os últimos quatro anos com uma média de crescimento inferior a 2% e uma inflação sempre rondando 6%.

De acordo com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, a “grave crise internacional” não pode ser desprezada. “O que estaria acontecendo com o Brasil e nossa economia se esses investimentos não tivessem sido feitos?”

O Banco Central, por outro lado, estimou ontem, no Relatório Trimestral de Inflação, que os investimentos na economia brasileira terão um recuo de 2,4% neste ano, ante uma previsão anterior, de março, de expansão de 1%.

O relatório do PAC apresentado pelo governo hoje aponta as obras do Trem de Alta Velocidade (TAV) em São Paulo como “em dia”, apesar do leilão ter sido cancelado três vezes desde 2010. O trem-bala que ligaria Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro era inicialmente previsto para estar pronto neste ano, a tempo da Copa do Mundo.

Entre os avanços esperados pelo governo, destacados na cerimônia do programa de obras públicas, estão as concessões ao setor privado. O ministro da Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, afirmou que investimentos de R$ 9,1 bilhões são esperados nos aeroportos de Galeão (RJ) e Confins (MG), que serão totalmente transferidos para mãos de consórcios de empresas privadas em agosto.

Controle

De saída do cargo, o ainda ministro Antônio Henrique da Silveira, da Secretaria de Portos, afirmou que se o Tribunal de Contas da União (TCU) efetivamente der o sinal verde para o primeiro bloco de concessões nos terminais de Santos (SP) e Pará na semana que vem, contratos com o setor privado da ordem de R$ 5,7 bilhões em 29 terminais poderão ser assinados.

O secretário de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmou que as diversas medidas tributárias e monetárias tomadas pelo governo tornaram o custo do investimento no Brasil mais baixo. “Além do próprio PAC, que melhora a infraestrutura, podemos dizer que está mais barato investir no Brasil hoje.”

Agora, o governo somente voltará em dezembro a apresentar um balanço das obras do PAC 2 – como é chamado o programa atual, lançado em 2010, sucedendo o PAC 1. Isto porque, pela legislação eleitoral, a cerimônia pode ser considerada “palanque” a partir de 4 de julho.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 30/06/2014

Sexto trem entra em operação comercial

Na última semana, entrou em operação comercial o sexto trem fabricado pela Alstom à SuperVia. A novidade, desta vez, é que o trem foi adesivado com desenho de bola de futebol em verde e amarelo, em comemoração à Copa do Mundo.

O novo trem, assim como todos que contemplam o projeto, possui oito carros e capacidade de transportar 2,4 mil passageiros. Além disso, possui um design inovador, ar-condicionado, passagem interna entre os vagões, sistema que não permitirá a abertura de portas durante as viagens, circuito interno de câmera e painéis de LED.

Neste mês, a companhia também entregou o sétimo trem que deve começar a operar no mês de julho e já iniciou os testes para os próximos trens. Até setembro de 2014, 80 novos carros serão entregues.

Fonte: Alstom Brasil,  27/06/2014

Câmara de Macaé, RJ, aprova cessão de composições do VLT

A Câmara de Macaé, no interior do estado do Rio, autorizou a Prefeitura a ceder as composições do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ao Governo do Estado, tendo em troca a garantia de receber os R$ 45 milhões em investimento para construção do Arco Viário de Santa Teresa. Com isso, o município receberia de volta os R$ 15 milhões investidos para a compra das máquinas que nunca saíram das estações, no Centro da cidade.

Foram 13 votos a favor e quatro contra o projeto. A Prefeitura, por meio de nota, informou nesta quinta-feira (26) que o projeto terá 15 dias para ser sancionado pelo prefeito. Após a sanção e publicação da lei seguirão os trâmites para cessão do bem, mas não disse em quanto tempo a cessão será realizada.

O executivo municipal voltou a afirmar que o atual projeto é “inexequível” e engrandeceu o projeto do Arco Viário. Disse que a nova estrada irá permitir uma melhor circulação dos veículos e promover importante integração viária, tornando-se uma rodovia industrial relevante para o plano de mobilidade de Macaé e região.

No ano passado uma auditoria apontou irregularidades no projeto. Na época o prefeito da cidade, Dr. Aluízio Junior afirmou que irregularidades como compra de composições antes que garantias financeiras fossem confirmadas por entidades financeiras, como a Caixa Econômica Federal, contribuíram para que o trilho nunca tenha circulado.

O projeto foi lançado em 2009 Pela prefeitura de Macaé, que investiu R$ 15 milhões na compra dos veículos. O valor total da estrutura chegou a R$ 25 milhões. As quatro composições do veículo têm capacidade para transportar 350 passageiros. A previsão para inauguração do “Metrô Macaé” era julho de 2012, mas nunca rodou.

Fonte: G1 Região dos Lagos, 26/06/2014

Aprovado novo projeto ferroviário que liga Rio e ES

Os conselheiros do Conselho Municipal para o Desenvolvimento Sustentável (Comudes) aprovaram nesta quarta-feira (25), durante assembleia em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, um novo projeto viário que substitui o Corredor Logístico. O projeto alternativo que dispensa a necessidade do Corredor Logístico é o traçado alterado da EF 118 – Ferrovia Translitorânea que ligará os Portos do Rio de Janeiro e de Vitória-ES.

O traçado foi elaborado por empresa de consultoria técnica que aproveitou trabalho realizado por técnicos da Prefeitura de Campos para contemplar a região com passagem por fora da cidade, bem como evitando conglomerados urbanos na Baixada Campista.

A realização do projeto executivo da Ferrovia terá a participação dos governos do Estado do Rio e do Espirito Santo, tendo em vista que a partir de Vitória a EF 118 terá ligação com a Ferrovia Vitória-Minas, proporcionando o transporte de cargas dos empreendimentos do Norte Fluminense para os portos do Praia Formosa (Rio), Tubarão (Vitória) e para os mercados consumidores de Minas (Belo Horizonte e para o Centro Oeste do Brasil.

“Desde 2009 estamos defendendo na ANTT e no Ministério dos Transportes um projeto alternativo ao que foi apresentado na ocasião pela LLX, para que o então Corredor Logístico não separasse o distrito de Ururaí e a localidade da Tapera da cidade, nem seccionasse estradas importantes da Baixada Campista e nem isolasse comunidades. Hoje demos um importante passo, porque conseguimos um projeto alternativo, que foi aprovado pela representação da sociedade aqui no Comudes e agora vou comunicar a decisão ao ministro, para que sejam realizados os estudos de forma a viabilizar o projeto executivo”, explicou a prefeita Rosinha Garotinho.

Durante a assembleia do Comudes, dirigentes de entidades da sociedade civil fizeram indagações sobre detalhes do projeto, a exemplo de Geraldo Hayen Coutinho, diretor da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), que buscou saber se o trecho da ferrovia no distrito de Tocos seria contemplado com a rodovia. Também se pronunciou o empresário Ricardo Vianna, do estaleiro BR-Offshore.

Ele sugeriu que o projeto considere a necessidade do modal passageiros, tendo em vista que nos próximos oito anos o Complexo Logístico Farol-Barra do Furado terá demandas de transporte de 10 milhões de toneladas de cargas e em torno de 8 a 10 mil.

Fonte: G1 Norte Fluminense, 25/06/2014  

 

Troca no Ministério não deve afetar diálogo com ferrovias

A troca no comando do Ministério dos Transportes anunciada nesta quarta-feira não deve alterar as negociações em curso com a iniciativa privada para viabilizar concessões de ferrovias, disseram à Reuters especialistas no setor.

A principal razão para essa expectativa é a de que o substituto de César Borges, o atual presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Paulo Sérgio Passos, já foi ministro dos Transportes no governo do PT e conhece bem o funcionamento e as prioriodades da administração atual.

“Acredito em continuidade da política pública. Paulo Sérgio Passos tem uma experiência considerável no ministério”, disse à Reuters o presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Gustavo Bambini.

Borges, à frente dos Transportes desde abril de 2013 e principal articulador de uma série de leilões de ferrovias federais, foi substituído da pasta após pressão de seu próprio partido, o PR, que na terça-feira informara ao governo que não via a legenda representada por ele no ministério.

Borges, porém, não deixa o governo e assume a Secretaria dos Portos, onde terá a missão de tirar do papel outro processo de licitações, o de arrendamentos de áreas em portos, outra frente importante do ambicioso plano de logística do governo federal para melhorar a precária infraestrutura do país.

Depois de liderar o processo de concessões de rodovias federais iniciado no ano passado, Borges tentava atrair investidores para viabilizar as concessões de ferrovias, que apesar de terem sido lançadas em 2012 ainda não saíram do papel.

O ex-diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luiz Afonso Senna, também acredita que a troca de interlocutor nos Transportes com investidores não deve atrapalhar o processo de viabilização das concessões ferroviárias.

“Acredito que, independentemente de quem seja o interlocutor, se é uma vontade de governo, o programa não deve sofrer com a mudança”, disse Senna.

O ex-diretor da ANTT lembrou ainda que Passos já trabalhou antes com a presidente Dilma Rousseff e conhece o funcionamento das tomadas de decisão.

Ex-secretário-executivo do Ministério dos Transportes, quando a pasta era ocupada por Alfredo Nascimento, Passos já assumiu o comando do ministério em três ocasiões anteriores. Duas delas na administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a última já no governo Dilma. Ele inclusive foi o antecessor de Borges no cargo.

A visão otimista sobre a mudança de comando nos Transportes não é unânime, entretanto. Segundo o executivo de uma empresa que atua em concessões, mesmo com toda a experiência de Passos, a troca de comando pode gerar algum atraso nas negociações com investidores sobre as ferrovias.

“Por mais experiente que seja quem entra, sempre há um atraso nas negociações. Muita coisa precisa ser retomada, geralmente muda-se a equipe. Não é como uma corrida de bastão em que o outro corredor simplesmente continua de onde estava”, disse o executivo, que falou sob a condição de anonimato.

Fonte:  Reuters, 25/06/2014

Polícia pede imagens de câmeras da SuperVia

RIO – A assessoria da Polícia Civil informou, nesta terça-feira, que o delegado titular da 39ª DP (Pavuna), Reginaldo Félix, entrou em contato com representantes da SuperVia e solicitou imagens de câmeras de segurança para serem analisadas. O objetivo é tentar identificar cinco homens armados que entraram em um trem do ramal Belford Roxo, na estação Barros Filho, e desembarcaram na estação Costa Barros, no sábado. Funcionários da empresa serão chamados para prestar depoimento na delegacia. A concessionária que administra o transporte nega que o grupo tenham entrado na cabine e feito o maquinista refém. De acordo com o delegado, não houve registro na unidade sobre a invasão.

A Polícia Civil tenta identificar os homens armados que invadiram o trem da SuperVia. A concessionária informou, em nota, que “assim que detectou a presença de homens armados em um trem do ramal Belford Roxo, a equipe de segurança da SuperVia acionou o Grupamento de Polícia Ferroviária (GPFer)”. O caso foi comunicado à 39ª DP (Pavuna).

A concessionária afirmou, ainda, que “não houve conflito ou danos aos passageiros nem ao sistema ferroviário”. Na nota, a concessionária “lamenta a ocorrência e ressalta que, assim como a população que utiliza o ramal Belford Roxo, aguarda que sejam implementadas brevemente políticas públicas e um plano de segurança para a região”.
Fonte: O Globo, 24/06/2014

Relatório aponta falhas no projeto da Transnordestina

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva queria passear no trem da Transnordestina antes de deixar o Planalto, no apagar das luzes de 2010. Quase quatro anos se passaram e a ferrovia está mergulhada em problemas que colocam sua viabilização em um cenário sombrio. Obtido pelo Valor, um relatório interno da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), dona da obra, aponta inúmeras falhas no projeto e fala, inclusive, em inobservância da “boa engenharia”.

A obra da estrada de ferro vinha sendo tocada pela Odebrecht até setembro do ano passado, quando foi rescindido o contrato entre a empreiteira e a TLSA (Transnordestina Logística SA), subsidiária da CSN. Apesar de a Odebrecht não ter se manifestado publicamente sobre o desacordo, a inadimplência é apontada como a causa principal do rompimento. Passados mais de nove meses, a TLSA ainda não conseguiu retomar as obras.

Com pouco mais de 1,7 mil quilômetros previstos, a Transnordestina deveria ligar o município de Eliseu Martins, no interior do Piauí, aos portos de Suape, em Pernambuco, e do Pecém, no Ceará. Para os dois primeiros Estados, foram contratadas, respectivamente, as construtoras EIT e Civilport. Já o trecho cearense, o mais atrasado, não tem sequer uma empreiteira à frente. A TLSA encomendou orçamentos a Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, mas não houve acordo.

Assumidamente preocupado, o secretário de Infraestrutura do Ceará, Adail Fontenelle, disse ter informações de que a TLSA está finalizando a contratação de uma empreiteira e que as obras seriam retomadas em julho. Procurada pelo Valor diversas vezes nos últimos meses, a CSN se comprometeu a dar esclarecimentos, mas depois voltou atrás e optou por não fornecer nenhuma informação a respeito da obra.

Datado de janeiro de 2014, o relatório de análise crítica da ferrovia foi elaborado pela diretoria de projetos da TLSA e por consultores externos. O trecho analisado tem pouco mais de 400 km e liga as cidades de Trindade (PE) e Eliseu Martins (PI). Praxe neste tipo de empreendimento, o documento questiona o valor do investimento, dá sinal vermelho para a obra e recomenda que os trabalhos não sejam retomados antes do atendimento de uma vasta lista de adequações.

Foram reprovados, por exemplo, os projetos de terraplenagem, de drenagem e os estudos geotécnicos, avaliados como incompletos e, portanto, inválidos. “Desta forma, entende-se que o projeto tal como se encontra não atende às normas e nem a prática da boa engenharia podendo, caso seja implementado, induzir a futuros problemas”, alerta o relatório da consultoria WRC, anexo ao documento.

Os consultores recomendam à CSN a contratação de engenheiros permanentes em diversas áreas para reforçar a equipe da obra. Também é sugerida a contratação de uma gerenciadora de projetos para fiscalizar com mais eficiência o andamento e o custo dos trabalhos, bem como a ampliação da equipe de fiscais ambientais, insuficiente segundo o documento.

Orçada inicialmente em R$ 4,5 bilhões, a Transnordestina já foi reajustada duas vezes e está cotada hoje em R$ 7,5 bilhões. O relatório, porém, apresenta tabelas datadas de 2011 com cifras superiores a R$ 7,8 bilhões. Segundo apurou o Valor, a própria CSN tem dito a empreiteiros que a ferrovia não deve sair por menos de R$ 11 bilhões.

O relatório de análise crítica também faz uma série de ressalvas ao Capex, termo utilizado para definir o investimento total no empreendimento. De acordo com o documento, muita coisa ficou fora do cálculo do preço final, como projetos para passarelas de pedestres, pátios ferroviários, sinalização, instalações de apoio e manutenção, entre outros.

Também não foi contemplada a construção de uma estrada ligando Eliseu Martins à pera ferroviária, como é chamada a linha férrea utilizada para manobras dos trens. “Encontramos diversas evidências que comprometem a decisão do investimento. O problema se encontra na fonte de dados para elaboração do Capex; os projetos executivos estão incompletos, em processo de revisão ou por fazer”, acusa o relatório, que foi enviado ao ministro dos Transportes, César Borges.

Procurada, a assessoria de imprensa do ministério não se manifestou sobre o documento. A pasta informou que está mantido para setembro de 2016 o prazo para entrega da ferrovia, pactuado em setembro do ano passado entre governo federal e TLSA. No último balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Transnordestina aparece com o sinal amarelo, o que significa que o andamento do projeto merece “atenção”.

Questionado sobre a possibilidade de novos reajustes no custo do empreendimento, o ministério informou apenas que “o valor final da ferrovia é uma responsabilidade do concessionário, que arca com os custos e riscos do negócio”. Em março deste ano, no entanto, a TLSA recebeu um aporte de R$ 400 milhões da estatal federal Valec (ligada ao Ministério dos Transportes), que terá sua participação no negócio elevada para 25% do capital total da ferrovia.

De olho no voto dos nordestinos, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse na semana passada que está preparando “um choque de infraestrutura” para a região. Entre as obras que promete acelerar, citou a Transnordestina, que a seu ver não vai ficar pronta no prazo anunciado. Ao lado do nordestino Eduardo Campos (PSB), os mineiros Aécio Neves e Dilma Rousseff vão disputar o direito de passear no que, pelo menos até agora, está longe de ser um “trem bão”.

Com obra, procura por direitos minerários sobe 700%

Apesar dos sucessivos contratempos, a Transnordestina está aguçando o interesse dos empresários do setor mineral, que viram aumentar a competitividade da região em relação aos demais projetos de minério de ferro no país. Desde 2007, pouco depois do início das obras da ferrovia, cresceu 700% o número de direitos minerários nos três Estados atendidos pela estrada de ferro.

Dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) apontam 2.606 direitos minerários ativos em um raio de 200 km do traçado da ferrovia. Desse total, 1.472 estão no trecho entre Eliseu Martins (PI) e Salgueiro (PE). Do município pernambucano até Pecém (CE) há 571 direitos minerários ativos e do mesmo ponto até o porto de Suape, outros 563.

Com capacidade para transportar 30 milhões de toneladas por ano, a ferrovia tem na indústria da mineração um de seus principais clientes. Além do minério de ferro, a Transnordestina deve transportar gipsita, calcário, frutas do Vale do São Francisco e soja da região conhecida como Mapitoba (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia).

O primeiro acordo comercial foi fechado em 2011 pela Bemisa, mineradora controlada pelo grupo Opportunity, de Daniel Dantas, que pretende investir até R$ 4 bilhões na exploração de 15 milhões de toneladas anuais de minério de ferro no Piauí.

A própria CSN, dona da ferrovia, detém quase 200 direitos minerários nas proximidades da Transnordestina. A Vale possui alvarás de pesquisa minério de ferro no Ceará. O plano original da Bemisa previa o início das operações em dezembro de 2016, mas teve que ser readequado por conta do atraso nas obras da estrada de ferro.

A paralisação do projeto preocupa os investidores, que dependem 100% da Transnordestina para viabilizar os empreendimentos el var o produto até o porto. Sob a condição de anonimato, o executivo de uma mineradora resumiu a situação: “Diamante sai até de zepelim, mas minério de ferro precisa de ferrovia”.

Fonte: Valor Econômico, 23/06/2014

Linha 3 do MetrôRio começa a sair do papel

São Gonçalo e Niterói começam a se preparar para um dos principais projetos de mobilidade urbana da Região Metropolitana: a Linha 3 do metrô, que ligará as duas cidades e beneficiará 1,5 milhão de pessoas. O investimento é de R$ 3 bilhões e envolve recursos dos governos estadual (51%) e federal (49%). A concorrência será aberta 15 de agosto, e o consórcio vencedor, anunciado um mês depois. Mas no próximo dia 30 o edital de licitação já estará disponível para consulta pública.

Em São Gonçalo, 300 casas foram desapropriadas nos últimos dois meses, no bairro Jardim Catarina, para preparar o terreno para as obras. As famílias foram realocadas em residências do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.

O projeto da Linha 3 prevê que a maior parte do trajeto seja monotrilho em elevação e, o restante, metrô de superfície. O início da operação só deve ocorrer em 2018, com todas as 14 estações funcionando dois anos depois.

A nova linha terá 22 quilômetros de extensão e é considerada a válvula de escape para atenuar os atuais engarrafamentos que afligem moradores de Niterói e São Gonçalo. As cidades não contam com transporte de massa desde que o trem da região deixou de operar, na década de 1980.

“Você chega a perder duas horas num trecho curto, entre São Gonçalo e Niterói, em ônibus ou vans. O metrô resolve 50% dos nossos problemas de locomoção. Vale a pena lembrar que São Gonçalo tem 1 milhão e 200 mil habitantes, sendo a segunda cidade mais populosa do Estado do Rio, atrás apenas da capital”, disse o prefeito de São Gonçalo, Neílton Mulim.

“O projeto começa a tomar corpo num momento importante, porque o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) vem alterando a dinâmica do fluxo de passageiros. Se o padrão antes era muita gente saindo de São Gonçalo e Itaboraí para trabalhar no Rio, hoje tem muito carioca que vem para os lados de cá. São pessoas interessadas em trabalhar no empreendimento da Petrobras”, disse o secretário de Transportes de São Gonçalo, Daelson Viana.

Há estudos para estender a Linha 3 até o município de Itaboraí, onde fica o Comperj, mas não há data estabelecida para abertura da licitação ou previsão para o início das obras.

Fonte: O Dia, 22/06/2014

Torcedores aprovam ida ao Maracanã de metrô

Os torcedores têm sido aconselhados a usar o transporte público para ir ao Maracanã, na Zona Norte do Rio, desde o início da Copa do Mundo. Uma equipe do Bom Dia Rio foi ao estádio neste domingo (22) de metrô para saber a avaliação dos torcedores.

A estação da Botafogo, na Zona Sul, ficou lotada de torcedores que seguiam para o jogo entre Bélgica e Rússia. Eles passaram sufoco para entrar no vagão. Quem embarcou na composição nova aprovou o ar condicionado, mas quem fez a viagem no vagão antigo reclamou. Um turista norte-americano contou que não percebeu que era refrigerado.

Em São Cristóvão, um funcionário recomendava que os passageiros desembarcassem porque a estação Maracanã estava muito cheia. O aviso era apenas anunciado em português e alguns turistas ficaram sem entender.

Trens e ônibus
Antes do jogo, o movimento era pequeno nos trens e nos ônibus que seguiam para o estádio. Os franceses acharam fácil chegar ao Maracanã, mas uma coisa chamou a atenção deles.

“Parece uma corrida. Um quer ir mais rápido do que o outro. Em Paris não vemos isso”, contou um turista francês.

Quando o juiz ergueu os braços e finalizou a partida, uma multidão caminhou em direção à estação do Maracanã. Para agilizar o embarque, as roletas foram liberadas e um funcionário avisava sobre a gratuidade do transporte em português e em inglês.

“A gente veio aos outros jogos também no Maracanã e a saída tem sido muito tranquila”, falou a estudante Verônica Monareto.

“Hoje está bem melhor do que nos outros jogos”, disse o professor universitário Paulo César de Souza.

“Sempre ficamos com medo de estar tumultuado, mas estava legal, bem policiado, bastante segurança, estava bacana”, contou o publicitário Renato Pavan.

Segundo o chefe-executivo do Centro de Operações da Prefeitura do Rio, Pedro Junqueira, a operação de domingo foi positiva. “Tivemos o metrô operando em plena carga, os fechamentos foram feitos sem nenhum transtorno, a abertura da cidade após o jogo foi antecipada em meia hora, as seleções chegaram pontualmente. Foi um dia feliz para a operação do Maracanã”, disse Pedro Junqueira.

Fonte: G1, 23/06/2014

Histórias do Engenho de Dentro: antigas oficinas de trem vão ganhar vida nova

RIO — No final do século XIX, a Estrada de Ferro Dom Pedro II vivia um momento de plena expansão. Para dar conta do aumento do fluxo de passageiros e de cargas na ferrovia, foram criadas novas estações e, consequentemente, a companhia precisou construir uma nova oficina para reparos e construção dos vagões, trens e equipamentos necessários à operação ferroviária. O terreno escolhido foi o da Fazenda Engenho de Dentro, no Engenho Novo, na Freguesia de Inhaúma, que, depois de pouco mais de um ano de obras, passou a sediar o principal complexo de Oficinas de Locomoção, inaugurado oficialmente em dezembro de 1871. Erguida para atender a quatro mil quilômetros de vias, setecentas locomotivas e cinco mil carros de passageiros e vagões, em 1881, a rede de oficinas era considerada a mais importante da América Latina e servia também a outros estados.

Quem anda hoje pela região, no entanto, custa a acreditar neste passado efervescente ligado à ferrovia. Atualmente, o que se vê no entorno, além do Estádio João Havelange, o Engenhão, e da estação de trem, é um bairro com comércio decadente, casas com fachadas descascadas e velhos galpões abandonados. Pois será justamente nesse espaço que a prefeitura irá construir uma nova área de lazer para os moradores da Zona Norte, a Praça do Trem.

ÁREA DE CONVIVÊNCIA: 40 MIL METROS QUADRADOS

A ideia é revitalizar as construções do passado para dar ao local uma unidade. A grande área de convivência, com cerca de 40 mil metros quadrados, será construída ao lado do estádio (feito em parte do terreno das antigas oficinas ferroviárias). E o projeto utilizará justamente os galpões — hoje símbolo do abandono — como ponto de atração dos moradores para a praça. Prevista para ser inaugurada em 2015, a obra da nova praça incluirá, ainda, paisagismo, instalação de um mobiliário urbano, reparos de drenagem e reforma das calçadas, ao custo de R$ 35,8 milhões. A nova Praça do Trem faz parte de um conjunto de intervenções maior que, até 2016, irá entregar à população o Passeio Olímpico Engenhão, um total de 50,4 mil metros quadrados de reformas.

— Vamos revitalizar toda aquela área, melhorando ambientação na entrada do Engenhão junto à linha férrea. Hoje você só tem lá uma passarela e o que a gente quer é abrir aquilo ali para a população, para que as pessoas circulem. Vamos retirar os muros que barram a visão dos galpões, derrubando algumas paredes para criar uma grande praça de convivência. Para isso, vamos reformar os galpões: três serão restaurados e dois, que não têm relevância histórica, serão totalmente desmontados e refeitos — explica o secretário municipal de obras, Alexandre Pinto.

Durante as Olimpíadas, os cinco galpões serão usados como área de acesso ao estádio e de suporte ao equipamento olímpico. Depois do evento esportivo, a prefeitura ainda estuda como as estruturas serão utilizadas. O galpão de alvenaria pode transformar-se num centro cultural ou num museu. Já os galpões de metal, que perderão as paredes, continuarão vazados, sendo usados como grandes zonas de sombreamento na praça. Haverá uma arborização especial, garante a prefeitura, para tornar o espaço — hoje um quadrado de concreto — mais convidativo aos moradores.

— São obras que não foram feitas na época do Pan (Jogos Pan-americanos). Agora, vamos aproveitar o investimento olímpico para recuperar esses galpões. Achamos que vai ser um legado cultural importante para o bairro. São construções que estão fechadas há muitos anos. Ainda vamos avaliar no que eles serão transformados depois — diz o presidente do Instituto Rio Patrimônio, Washington Fajardo. — O trabalho é, antes de tudo, de urbanização, de revitalização do patrimônio de fato. Aquela quadra no passado abrigava importantes prédios da rede ferroviária. Pereira Passos, antes de ser prefeito, quando foi diretor da rede, teve escritório num daqueles galpões de alvenaria.

Uma das novidades vai agradar aos moradores do subúrbio que atualmente se arriscam correndo em volta do Engenhão: as calçadas serão alargadas, permitindo a construção de uma faixa para prática de esporte ao redor do estádio, inclusive ciclovia.

MUSEU E ÁREA PARA PRATICAR ESPORTE

Na vizinhança do estádio do Engenhão, outros dois equipamentos históricos remetem ao passado próspero da antiga ferrovia: a Estação do Engenho de Dentro, do século XIX, cuja arquitetura lembra uma gare europeia, e o Museu do Trem, que reabriu em abril do ano passado depois de seis anos fechado, e funciona nas dependências do galpão de pintura de carros da antiga Estrada de Ferro Pedro II. O prédio e o acervo do Museu do Trem foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) em 2011, que inscreveu um projeto de restauração da construção no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas.

TECNOLOGIA É APOSTA

Segundo o superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Ivo Barreto, a primeira fase da obras, que compreenderá toda a reforma de infraestrutura da construção, orçada em R$ 1,4 milhão, deverá ser licitada até o próximo dia 31 de julho. A segunda fase da obra, que prevê a revitalização do museu propriamente dita, está prevista para ser iniciada em 2015 e finalizada antes do início dos Jogos Olímpicos.

— Teremos primeiro uma grande obra de conservação, com reforma da estrutura do galpão, da parte hidráulica, elétrica e dos telhados e da pintura. Paralelamente, vamos elaborar o projeto museológico e de aproveitamento arquitetônico, ou seja, vamos ver o que expor e como expor — diz Barreto. — O museu foi reaberto com o acervo que ele já tinha, que é muito ligado ao passado. Mas queremos ter uma acervo também voltado para o futuro, usando tecnologia e interatividade. Pensamos em ocupar o espaço externo com uma pequena praça de tecnologia ferroviária — adianta.

A estudante de Direito Maria Luiza Souza, de 32 anos, moradora do Méier, costuma correr três vezes por semana no entorno do Engenhão e lamenta que a área em volta do estádio esteja tão degradada.

— Para começar, quando foi construído o estádio, não previram uma área de caminhada no entorno, como é o Maracanã, e somos obrigados a correr e a pedalar na calçada e em parte da rua. Se ganharmos essa ciclovia, vai ser ótimo para quem pratica esporte nos bairros da redondeza — diz a estudante.

OBRA TRARÁ SEGURANÇA

A dona de casa Ana Maria Lima, de 43 anos, acredita que correr, pedalar ou simplesmente caminhar na área de 50,4 mil metros quadrados, depois que o lugar ganhar calçadas largas e árvores e que todos os galpões forem restaurados, será mais seguro e agradável.

— Eu venho aqui desde que inauguraram o estádio, em 2007, e tenho acompanhado a decadência. Essa área é maravilhosa, com galpões e prédios lindos, que contam a historia do nosso bairro. Hoje, eu corro apesar do cenário horroroso. Se revitalizarem, vai ser ainda melhor praticar esportes aqui — diz Ana Maria.

A obra vai solucionar o problema da falta de áreas de convivência na região do Engenho de Dentro, mas, para se tornar um novo espaço de lazer na cidade (e não apenas para os moradores da Zona Norte), a prefeitura ainda enfrentará um outro importante desafio, de mobilidade: melhorar o acesso ao bairro, que atualmente é feito pela estação de trem ou pela Rua Arquias Cordeiro. Quando o estádio do Engenhão estava em funcionamento, nos dias de show e jogos, as vias do entorno sofriam com engarrafamentos.

Fonte: O Globo, 22/06/2014