Surfe ferroviário: acompanhe a série “o trem passou”

Um dos trens novos — adquiridos a partir de 2012 —, com ar-condicionado, trafega em direção a Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Após passar pela estação de Vila Rosali, em São João de Meriti, a composição se aproxima de uma curva, que revela quatro portas abertas no lado esquerdo, repletas de passageiros dependurados. Dois jovens viajam com o corpo completamente do lado de fora do trem. Eles praticam o surfe ferroviário de portas. Um deles se segura nas alças de ferro da cabine do maquinista. Outro se apoia numa peça do trem abaixo do nível das portas, a poucos centímetros dos trilhos.

A cena aconteceu às 18h31m, no dia 6 de novembro, e foi flagrada pelo EXTRA e é revelada no segundo dia da série “O trem atrasou”, que vem mostrando as promessas descumpridas pelo Estado e pela SuperVia e os problemas enfrentados pelos passageiros de trem.

Na teoria, viagens com trens novos de portas abertas seriam impossíveis de acontecer. Mas, naquele dia, o trem seguiu seu percurso sem acidentes. Segundo o governo estadual e a SuperVia, as composições deste tipo possuem um sistema que impede a abertura de portas durante às viagens. E, desde 2009, uma liminar expedida pela 6ª Vara Empresarial do Rio proíbe que a concessionária deixe que os trens circulem abertos.

A liminar, expedida pela Justiça a pedido do Ministério Público (MP) estadual, estabeleceu multa de R$ 20 mil por dia, em caso de descumprimento. No processo que resultou na liminar, consta que a SuperVia foi flagrada desobedecendo à ordem por 12 dias, o que gerou multa de R$ 240 mil.

A Justiça bloqueou apenas R$ 64 mil nas contas da concessionária. A empresa recorreu e entrou com um pedido de impugnação da execução da dívida, que, com juros, giraria em torno de R$ 420 mil atualmente, segundo o MP.

Protelar o pagamento de multas, recorrendo de decisões judiciais ou de infrações anotadas por órgãos de fiscalização, é prática recorrente da SuperVia. A concessionária deve mais de R$ 8 milhões em penalidades, cujos prazos para recurso já se esgotaram.

Só a Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) multou a empresa 59 vezes, desde 1998. As infrações somam R$10, 6 milhões. Deste total, 77% das multas não foram pagas.

Os pagamentos já concluídos ou que estão sendo parcelados, relativos a 24 infrações anotadas pela Agetransp, somam R$ 2,5 milhões.

Outras 22 penalidades, cujos prazos para pagamento já se esgotaram, foram inscritas na dívida ativa do estado, num valor aproximado de R$ 6,1 milhões.

Uma vez inscrita, a cobrança passa a ser feita pela Procuradoria Geral do Estado, que tenta recuperar, na Justiça, o que ainda é devido.

Agência aplica três multas por ano

As 59 multas aplicadas pela Agetransp representam uma média de apenas 3,4 por ano desde que o contrato de concessão, de 1998, entrou em vigor. Do total, 34 foram anotadas entre 2014 e 2015. Outras 25 ocorreram num período de 16 anos. A maior parte das infrações foram falhas operacionais.

Segundo a agência, 13 das penalidades aplicadas ainda estão em fase de recurso ou de cobrança administrativa. Apesar de 17.213 viagens da SuperVia de janeiro a setembro deste ano terem sofrido atraso, o índice não extrapolou a tolerância de 17% previsto no contrato. Ao todo, os atrasos representaram só 8% de todas as 219.749 viagens feitas.

Desde 2013, a Secretaria estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) também acumula multas contra a concessionária. Nos últimos dois anos, os valores das infrações anotadas chegam a mais de R$ 1 milhão (R$ 1.144.470,15). A maior parte das infrações foi motivada por reclamações de atrasos ou interrupções nas viagens, ou ainda por acidentes ocorridos na linha férrea. Até hoje, nenhuma multa foi paga.

Morte ao cair de trem em movimento

Apesar de ser proibido que os trens circulem com portas abertas, o estudante Yan dos Santos Torquato, de 18 anos, morreu em 9 de outubro, após cair de uma composição em movimento, em Nilópolis. Ledi Torquato, de 62, pai de Yan, lamenta que a lei não tenha sido cumprida, poupando a vida de seu filho.

— Passei por uma cirurgia de próstata e tinha menos de um mês de operado quando ele morreu. Por isso, nem desci do carro no cemitério e não pude acompanhar o caixão descer na sepultura. Quando o Yan morreu, um pedaço de mim se foi também — disse.

A SuperVia alega que Yan caiu no vão entre o trem e a plataforma, após ele próprio impedir o fechamento das portas de um trem.

A concessionária informou que, se constatadas portas abertas durante as viagens, são adotados procedimentos para redução da velocidade dos trens até a estação mais próxima para realizaçãode uma vistoria.

A SuperVia afirma que os trens novos têm dispositivo que impede a abertura das portas depois de fechadas. No entanto, diz a concessionária, há registros de uso de pedras, moedas, pilhas, chaves de fenda e até vergalhões para travar a porta ao longo do percurso.

Fonte: Jornal Extra, 30/11/2015

Por: Marcos Nunes

 

 

 

 

 

 

Secretário anuncia ampliações na SuperVia

No ano que vem, os ramais de Santa Cruz e Japeri, da SuperVia, terão mais trens circulando em intervalos menores graças a construção de uma quinta linha, entre Deodoro e Madureira. Além disso, o trecho entre Gramacho e Saracuruna será duplicado. As metas foram apresentada pelo secretário de Estado de Transportes, Carlos Roberto Osorio em Nova Iguaçu, durante assinatura do termo de cooperação com os municípios da Baixada Fluminense para elaboração do Plano de Mobilidade Urbana.

As medidas fazem parte do convênio entre a Secretaria de Transportes e seis cidades da Baixada: Belford Roxo, Mesquita, Nova Iguaçu, Nilópolis, Queimados e São João de Meriti. O trabalho está sendo realizado há quatro meses.

— Nós entendemos que era melhor fazer a elaboração regional desses planos. Claro que cada uma vai ter o seu plano, mas o ideal é que eles nasçam articulados. As fronteiras dos municípios são meras divisões geográficas, no dia a dia das pessoas as cidades estão conectadas — declarou Osório.

Entre as propostas apresentadas no plano, estão ainda a criação de um BRT na Via Light, que será expandida até a Avenida Brasil, e a construção de corredores expressos para ônibus, os BRS, e de mini terminais rodoviários.

Na próxima semana, haverá uma reunião com representantes do Banco Mundial para que os projetos sejam financiados. Segundo o secretário, a verba de contratos atuais será realocada para o projeto.

Jornal Extra, 27/11/2015

 

SuperVia libera embarque com grandes volumes de compras

Durante todo o mês do Natal, a SuperVia irá autorizar o embarque de passageiros com grandes volumes de mercadorias nos trens. A liberação terá início na próxima terça-feira (01/12) e vale até o dia 10 de janeiro: de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, e, aos sábados, domingos e feriados durante o dia inteiro, em todas as estações de trem. No Teleférico do Alemão, o embarque poderá ser feito a partir de 21/12. Os passageiros devem procurar por um agente ou auxiliar de plataforma na estação, que estarão à disposição para prestar a ajuda necessária durante o embarque.

A iniciativa tem como objetivo atender uma necessidade pontual dos passageiros, que aproveitam a chegada do 13º salário e movimentam o comércio com as compras de Natal e o período de trocas de presentes e liquidação posterior às festas de fim de ano.

A concessionária espera beneficiar passageiros de todos os ramais, grande parte embarcando na Central do Brasil, estação mais próxima ao “Saara”, que nesta época do ano chega a receber até 1 milhão de pessoas por dia, além das regiões próximas às estações Madureira, Mercadão de Madureira, Méier, Campo Grande, Bangu, Santa Cruz, Nova Iguaçu, Nilópolis, Penha, Bonsucesso e Duque de Caxias, que contam com centros comerciais próximo à ferrovia. As regras para utilização do benefício poderão ser consultadas no site www.supervia.com.br.  

Fonte: SuperVia, 26/11/2015

Frente parlamentar para as ferrovias

Foi lançada ontem em Brasília a frente parlamentar de ferrovias sob a liderança do deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), com o objetivo de acompanhar a tramitação de projetos de interesse do setor e promover o debate e apresentar sugestões de políticas e ações relacionadas às ferrovias.  A frente parlamentar mista das Ferrovias está aberta à adesão de entidades representativas do setor como membros colaboradores. No lançamento da frente, o deputado Uczai destacou a necessidade dos diferentes órgãos governamentais agirem em conjunto e na mesma direção e citou o caso de seu próprio estado, Santa Catarina, onde existem projetos ferroviários, audiências públicas e propostas conduzidas individualmente pelo Dnit, Valec, ANTT e EPL. “É preciso uma ação coordenada”, disse Uczai.

Fonte: Revista Ferroviária, 25/11/2015

Governo estadual quer dar subsídio de R$ 39 milhões à SuperVia

O governo estadual, que sofre com a falta de recursos também causada pela queda na arrecadação, quer dar um subsídio que pode chegar a quase R$ 39 milhões à SuperVia. Em projeto enviado para a Assembleia Legislativa, Pezão alega que o dinheiro é para evitar aumento de R$ 0,30 na passagem.

O governo bancaria a dívida da concessionária com a Light que, segundo o projeto, foi causada pelo aumento da energia elétrica — mais de 90% em um ano, segundo a Secretaria de Transportes. De acordo com o governador, a SuperVia passa por “grave situação”, e o endividamento junto à Light pode afetar “a continuidade e a regularidade” dos trens.

Compensações

Se a proposta passar, a dívida será abatida do ICMS que a Light pagará ao longo de 12 meses. O acordo entre o governo e a SuperVia prevê compensações em caso de desequilíbrio no contrato de concessão. O valor do subsídio foi calculado pela Agetransp.

Dedo-duro

Os fiscais que atuarão no VLT usarão uma maquininha dedo-duro, que verificará se o passageiro validou seu cartão.

Fonte: O Dia, 25/11/2015

Trens podem ser alternativa de transporte sustentável no Rio Destaque

Você deixaria de usar o automóvel para pegar um trem que tivesse wi-fi, não fosse poluente e, mesmo ao frear, gerasse a própria energia?

Trocar a comodidade do automóvel pelo transporte público sempre foi pouco atrativo para os latino-americanos por muitas razões: o mau estado dos veículos, a poluição, a baixa pontualidade e o serviço limitado a poucos bairros.

Mas, nos últimos anos, surgiu uma nova geração de transporte limpo, que aos poucos se expande pela região. Especialistas em transporte defendem que, além de ambiental, trata-se de uma questão de saúde e de economia.
Por causa da crise brasileira, por exemplo, o uso dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro aumentou 11% no último ano, o que promoveu um recorde no número de passageiros: 700.000 em apenas um dia, segundo a Supervia, empresa que opera a concessão do setor.

Investir no transporte de massa se torna essencial para cuidar do clima e dar mobilidade às pessoas.
Para dar conta do aumento da demanda, o sistema ganhou o reforço de 120 trens que, apesar de contar com ar-condicionado, usam apenas um terço da eletricidade dos antigos. Além disso, ao frear, os veículos também geram energia, retroalimentando a rede elétrica. Um projeto envolvendo o Banco Mundial, a Supervia e o governo estadual do Rio de Janeiro tornou a aquisição possível.

Emissões do transporte
“O transporte é o setor que mais consome combustíveis fósseis e no qual as emissões de CO2 crescem mais rapidamente no mundo. Por isso, investir no transporte de massa se torna essencial para cuidar do clima e dar mobilidade às pessoas”, avaliou o especialista em transporte, Daniel Pulido, do Banco Mundial, após visitar as reformas de algumas estações para os Jogos Olímpicos de 2016.

Ele também destaca que, além de se tornarem mais verdes, os trens do Rio estão mais confiáveis: em 1998, alcançavam 30% das metas de pontualidade; hoje, o índice chega a 90%. O sistema cobre 75% da área metropolitana do Rio de Janeiro, onde vivem cerca de 12 milhões de pessoas.

Fonte: Via Ecodesenvolvimento, 24/11/2015

Governo segura verba da habitação e saneamento para pagar VLT olímpico

Faltando pouco mais de 250 dias para o início da Olimpíada de 2016, o governo federal resolveu priorizar o pagamento da obra do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) do Centro do Rio de Janeiro prometido para o evento. O interesse da União na conclusão do projeto olímpico é tanto que ela está disposta segurar verbas que seriam destinadas a projetos nacionais de saneamento e habitação para custear a construção do trem urbano.

Essa decisão foi oficializada pelo governo numa resolução do CG Olimpíada (Comitê Gestor dos Jogos Olímpicos de 2016), publicada no Diário Oficial da União há uma semana (veja abaixo). O CG Olimpíada é grupo que reúne autoridades de várias áreas atuantes na preparação para os Jogos de 2016.

No último dia 4, o CG Olímpiada reuniu-se em Brasília. Nesse encontro, seus membros decidiram declarar a obra do VLT do Rio como de “interesse público” e prioritária. Fizeram isso considerando compromissos do Brasil assumidos com o COI (Comitê Olímpico Internacional) para os Jogos de 2016, a urgência para o cumprimento dos prazos de construção, entre outras coisas.

Pelo fato de o VLT ser de “interesse público”, o grupo de empresas contratado para implantar as linhas de trem urbano no Rio já não precisa entrar fila de pagamentos existente no Ministério das Cidades. Agora, qualquer ordem de pagamento referente ao VLT deve ser a primeira a ser liquidada pela pasta. Como o ministério também é o grande responsável pelos investimentos federais em habitação social, saneamento básico e mobilidade urbana, por exemplo, todos os projetos dessas áreas terão seu ritmo de pagamento alterado.

A mudança na fila de pagamentos foi confirmada pelo Ministério das Cidades. Representantes do órgão não estiveram na reunião do CG Olimpíada que determinou a decretou a prioridade sobre o VLT. A resolução do comitê, contudo, é resultado de uma decisão de governo e vai ser cumprida.

O ministério informou ainda que, em 2016, a quantia do Orçamento Geral da União disponível para obras será “muito menor” do que em 2015. Por isso e para garantir que o VLT do Rio receberá seus repasses em dia, é necessário que o pagamento da obra seja priorizado em detrimento de outros projetos. “Para 2016, os recursos de Orçamento são muito menores que os deste ano, e as obras [do VLT] estão em ritmo mais acelerado, o que significa que exigirá mais recursos num espaço de tempo menor”, explicou a pasta, em comunicado ao UOL Esporte.

Legado não essencial

O VLT do Rio é uma obra de R$ 1,18 bilhão viabilizada por uma PPP (parceria pública privada) estruturada pela prefeitura. Desse valor, R$ 656 milhões vêm das empresas responsáveis pela implantação e operação do trem urbano (Odebrecht, Invepar e outras). Outros R$ 532 milhões vêm do governo federal.

A construção das linhas do VLT começou em fevereiro de 2014. A primeira fase da obra está prevista para terminar no segundo trimestre do ano que vem, ou seja, meses antes do início da Olimpíada.

Essa etapa da obra do VLT ligará o Centro, a região portuária, a rodoviária e o Aeroporto Santos Dumont. Como ela facilitará o transporte de turistas no Rio durante os Jogos de 2016, foi incluída no plano oficial de legado do evento. Ela, entretanto, nunca foi considerada uma obra essencial nem esteve em promessas específicas feitas pelo governo ao COI.

O próprio prefeito do Rio, Eduardo Paes, já declarou que o VLT está sendo construído visando a melhorias gerais no sistema de transporte público do Rio. Segundo Paes, o primeiro trecho da obra vai ser entregue até a Olimpíada. Caso isso não fosse possível, porém, o evento não seria prejudicado por isso.

Interesse público duvidoso

Especialistas em direito administrativo e contas públicas questionam a priorização dos pagamentos ao VLT em detrimento de outras obras, de diferentes áreas. “Uma exceção na fila dos pagamentos é justificada quando há uma emergência, como no caso do rompimento da represa em Mariana (MG). Priorizar uma obra como a do VLT pode romper com os princípios de isonomia e impessoalidade”, afirmou o presidente da Comissão de Controle Social dos Gastos Públicos da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo), Jorge Eluf, ao UOL Esporte.

O consultor e auditor Inaldo Soares, especialista em administração pública, acredita que a medida precisaria de uma justificativa melhor. “Ela deve demonstrar que a mudança atende ao interesse público. Só essa obra é de interesse público? E as outras da Olimpíada? E as obras em execução?”, questionou.

A Prefeitura do Rio não se pronunciou sobre a decisão do governo federal de priorizar os pagamentos da obra. O Ministério das Cidades reforçou que a decisão é do CG Olímpiada. O grupo é coordenado pelo ministro do Esporte George Hilton. O Ministério do Esporte foi procurado para explicar a priorização. Não comentou.

Fonte: UOL, 22/11/2015

Santa Teresa recebe nova etapa de instalação de trilhos definitivos

Começou neste domingo a nova etapa de instalação dos trilhos definitivos dos bondes de Santa Teresa. O trabalho se dará entre a Praça Odilo Neto e o Largo do França, numa extensão de cerca de três mil metros. Para minimizar o impacto na vida dos moradores do bairro, a obra será realizada por etapas.

Para não prejudicar a rotina de pedestres e motoristas, as intervenções não vão interditar as vias totalmente e, com isso, não haverá alteração nos itinerários dos ônibus. Nos locais de obras, haverá técnicos da Secretaria estadual de Transporte e operadores de trânsito para orientar as pessoas.

Também começou a fase final da instalação da rede aérea do sistema de bondes entre os largos do Curvelo e dos Guimarães. A previsão é de que o trabalho seja concluído na segunda quinzena de dezembro. Em seguida, começará a etapa de testes no trecho, sem passageiros.

Os primeiros testes do bonde que ligará o bairro à Lapa, até a esquina da Rua do Riachuelo, começaram no mês passado. O trecho, de aproximadamente 500 metros, que estava fora de operação desde a década de 1960, após uma série de alagamentos na região, deve ser inaugurado para o público nas próximas semanas e será integrado ao que está em atividade desde o dia 1º de agosto, que faz ligação entre os largos da Carioca e do Curvelo.

Fonte: Extra, 22/11/2015

VLT passa por teste com passageiros no Centro do Rio

O Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) começa a circular no primeiro semestre do ano que vem no Centro do Rio, mas neste sábado (21), algumas pessoas já conseguiram experimentar o novo transporte, entre eles uma equipe do RJTV.

O “bonde do futuro” tem capacidade para 420 passageiros e velocidade média do VLT é de 15 km/h — onde houver muito pedestre a velocidade será ainda menor. Na Praça Mauá, por exemplo, ele não passará de 5 km/h.

Há previsão de seis linhas entre o Centro e Zona Portuária. A primeira vai da rodoviária até o aeroporto Santos Dumont, passando pela nova Praça Mauá. A expectativa é que ele entre em operação no primeiro semestre de 2016.

A prefeitura ainda não decidiu o preço da passagem, mas garante que será uma forma diferenciada de pagar o transporte e quem não pagar será multado. “Aqui é uma coisa de mudança cultural. A gente vai ter um tipo de fiscalização, de acompanhamento, monitoramento, mas a gente quer apostar nessa coisa do respeito ao cidadão. No final do dia, quando você dá prejuízo ao poder público, não é o prefeito que paga, quem paga é a população”, garantiu Eduardo Paes, que postou uma foto em seu Facebook supostamente pilotando a composição. “O primeiro passeio pilotando o VLT a gente nunca esquece”, escreveu, na legenda.

Após a primeira viagem deste sábado com a presença do prefeito, mas assim que ele foi embora, um grupo que estava passeando pela Praça Mauá conseguiu entrar e virou o primeiro teste com passageiros. “A gente impôs aí e ele abriu e, graças a Deus, deu para a gente entrar”, afirmou Catarina Schumann. “Muito confortável, não está indo rápido demais, é bonita a vista aqui”. 

Fonte: G1, 23/11/2015

Novo trem de luxo que faz passeio pela Serra do Mar é inaugurado no PR

Interessados em fazer uma viagem pela Mata Atlântica a bordo de um trem de luxo têm mais uma opção a partir deste fim de semana. O trajeto que leva os passageiros de Curitiba à cidade histórica de Morretes, no litoral do Paraná, agora conta com três vagões – considerados os únicos de luxo do país.

Os dois primeiros circulam pela Serra do Mar paranaense desde 2008. O mais novo foi reformado neste ano e fez a viagem inaugural na sexta-feira (13). A experiência garante aos usuários uma viagem mais confortável – com pequenos sofás, poltronas e mesas – regada a espumante ao longo do caminho. O trajeto leva cerca de quatro horas para ser concluído.

Um dos diferenciais do passeio é o serviço: comissários da litorina oferecem café da manhã aos passageiros, com bebidas servidas à vontade durante toda a viagem.

O novo vagão de luxo foi batizado de “Curitiba”, enquanto os mais antigos se chamam “Foz de Iguaçu” e “Copacabana”. A novidade é o espaço mais clean, permitindo uma capacidade para 40 pessoas. Os outros dois levam 22 passageiros, em cada um deles.

Apesar do glamour oferecido nas litorinas, sem dúvida, o principal atrativo da viagem é o visual. Estar no meio de um dos trechos de Mata Atlântica mais preservados do país numa estrada de ferro com 130 anos de idade é um privilégio.

Mesmo em uma manhã nublada, como foi o caso da sexta-feira, o roteiro vale muito a pena. Saindo da Estação Ferroviária de Curitiba, o trem passa por belos pontos até chegar ao destino final. O conjunto montanhoso do Marumbi, a Cascata Véu da Noiva e a Ponte São João, que foi inaugurada em 1885 e tem 110 metros de altura, enchem os olhos dos turistas.

O passeio foi classificado pelo jornal americano The Wall Street Journal como uma das três viagens ferroviárias de luxo mais bonitas do mundo. Já o britânico The Guardian colocou o trajeto entre os dez mais interessantes do planeta.

É comum a presença de grupos estrangeiros entre os passageiros. Por isso, as litorinas de luxo oferecem guias bilíngues. Brasileiros também apreciam a viagem. O modelo Gilson Fraante, de 29 anos, natural de Recife (PE) e morador do Rio de Janeiro (RJ), ficou impressionado: “Tudo está sendo maravilhoso”. Durante os quatro dias em que esteve na capital do Paraná, fez questão de descer a Serra do Mar de trem, e no vagão de luxo. “É perfeito. Pagaria até mais caro pelo passeio”, disse.

O trecho da viagem no trem de luxo custa R$ 296 para adultos e R$ 225 para crianças. Porém, é possível fazer o trajeto em outras classes, com preços mais em conta, que variam de R$ 79 a R$ 144,50 para adultos. Quem mora em Curitiba, pode comprar o ticket com 40% de desconto nas categorias turística e executiva ao apresentar um comprovante de residência. Mas a promoção só e válida para as quartas-feiras.

Os passeios na litorina de luxo ocorrem apenas nos sábados, domingos e feriados, sempre às 9h15. Já a viagem no trem comum é diária, com saída às 8h15 todos os dias. Para o retorno, não é necessário voltar pela ferrovia. Como a viagem pelos trilhos é mais demorada, há quem prefira fazer o regresso à capital paranaense de carro, ônibus ou van.

A psicóloga Ana Maria Tolentino, de 53 anos, e o aposentado Miguel Ângelo Ribeiro, de 62 anos, são de Porto Alegre (RS) e já no primeiro dia em Curitiba foram fazer o trajeto no trem de luxo, junto com o afilhado Rodrigo Zoares, de 21 anos. “É muito legal. Já tinha feito uma viagem de trem pela costa de Buenos Aires [Argentina]. Mas este vagão [de luxo] é bem diferenciado”, afirmou a gaúcha.

Depois do passeio de trem, ainda é possível curtir os encantos e sabores de Morretes. Considerado o prato típico da região, o barreado é uma das graças do município e pode ser encontrado em praticamente todos os restaurantes. Feito à base da carne e de farinha da mandioca, leva de 10 a 12 horas para ser preparado em uma panela de barro. O modo de fazer inclusive é um ritual essencial para garantir o sabor do prato de sucesso da gastronomia local.

Fonte: G1, : 15/11/2015