TCU diz que governo ‘perdeu controle’ de Transnordestina e pode anular concessão

Uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no contrato da ferrovia Transnordestina apontou uma série de irregularidades que, se não forem corrigidas, podem resultar na anulação da concessão. Segundo o relatório da investigação, obtido pelo Valor, o governo “perdeu o controle” sobre a obra, que começou há quase dez anos, mas segue sem perspectiva concreta de conclusão e com custo quase três vezes superior ao previsto originalmente.

Apesar de ser uma obra privada, a estrada de ferro conta com farta parcela de recursos públicos, tanto por meio de financiamentos subsidiados quanto por aporte direto do governo federal, que é sócio do projeto. Do orçamento total, hoje em R$ 11,23 bilhões, menos de 30% são de recursos privados.

A ferrovia pertence à Transnordestina Logística, uma subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em 1997, o grupo participou do leilão do espólio da Rede Ferroviária Federal e arrematou toda a malha Nordeste, que abrangia 4.238 km de trilhos. No ano seguinte, começou a oferecer serviços se transporte de carga. Segundo TCU, os problemas começaram naquela época.

O relatório aponta que a CSN jamais cumpriu as metas de produção pactuadas, mas que não foi adequadamente punida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Ainda assim, em 2005 a empresa foi autorizada a construir a Transnordestina, ligação de 1.753 km entre o município de Eliseu Martins (PI) e os portos de Suape (PE) e Pecém (CE).

Para obter a autorização, a concessionária prometeu que a nova ferrovia, com capacidade para 30 milhões de toneladas anuais, seria construída em três anos e custaria R$ 4,5 bilhões, sem a necessidade de desembolsos de “grande monta” pela União. A CSN sinalizou que a Transnordestina contribuiria para um aumento de US$ 3,5 bilhões na balança comercial brasileira já em 2010.

Conforme o TCU, para cumprir o acordo, a empresa deveria ter entregue em 2006 e 2007 os estudos de engenharia, o que não ocorreu.
Ao contrário, os projetos só foram encaminhados bem mais tarde, a menos de seis meses do prazo combinado para a conclusão da obra, ainda assim em “versões preliminares”.

Quando foram apresentados, os projetos apresentaram alterações significativas, o que, segundo o TCU, deveria inviabilizar as autorizações dadas anteriormente. “As novas versões deveriam ser submetidas à manifestação da diretoria da ANTT, o que não ocorreu”, diz parecer.

“Nota-se, desse modo, que a ineficiência da concessionária em elaborar os projetos inviabilizou a construção da ferrovia no prazo pactuado”, afirma o documento do tribunal.

O reiterado descumprimento das metas deu origem, em 2012, a um processo de caducidade da concessão de toda a malha Nordeste. No entanto, a Superintendência de Marcos Regulatórios da ANTT decidiu engavetar o caso. O argumento foi de que os problemas identificados decorreram de fatos “não imputáveis” à CSN.

As irregularidades se acumularam sob um contexto jurídico frágil, já que não havia um contrato específico para a construção da Transnordestina.
As obrigações constavam de documentos que não estavam amparados em um compromisso formal. Só em janeiro de 2014 é que foi assinado o contrato de concessão, a partir do qual o governo se comprometeu a cobrar resultados da CSN.

Foram estabelecidos prazos para a entrega de cada lote, com previsão de conclusão da ferrovia em dezembro de 2016 e punições para atrasos. Para o TCU, porém, o contrato foi assinado de forma “atípica”, sem estudos prévios ou análises que justificassem o interesse público do projeto e nem que garantissem manutenção do equilíbrio econômico-financeiro.

De acordo com o relatório do TCU, a ANTT alegou, em sua defesa, que a simples inclusão da Transnordestina no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) atesta o interesse público do projeto.

Mesmo com o novo contrato em vigência, os atrasos continuaram. Segundo o cronograma vigente, 16 lotes já deveriam ter sido entregues até agora. No entanto, desse total, 6 ainda estão em execução e 4 nem sequer foram contratados, o que coloca em xeque a conclusão da ferrovia no fim deste ano. Segundo a ANTT, foi aberto processo administrativo para apurar “eventual” descumprimento dos prazos acordados.

O status dos lotes consta de apresentação feita há dez dias na Câmara dos Deputados por um representante do BNDES, que é sócio da ferrovia. Ele apresentou informações atualizadas do projeto, algo que a concessionária se recusa a fornecer. Segundo o banco, quase dez anos após o início das obras, a execução da Transnordestina está hoje em 55%.

Responsável pela fiscalização do contrato, a ANTT não consegue confirmar quais trechos foram entregues, quais estão atrasados e, segundo o TCU, nem mesmo o valor atual do projeto. “A análise permite verificar o descontrole da ANTT em relação à concessionária”, afirma o relatório da auditoria.

O documento determina que a ANTT considere a abertura de um novo processo administrativo visando a caducidade da concessão. A agência também terá que levantar os números atualizados do projeto e rever os processos internos de cobrança das multas aplicadas por descumprimento das metas.

De acordo com a legislação, se comprovada a inadimplência da concessionária, a caducidade será declarada por decreto, independentemente de indenização prévia. O relatório foi encaminhado em dezembro de 2014 ao gabinete do ministro Walton Alencar, que até hoje não pautou o processo para o plenário do TCU. A assessoria do órgão afirmou que a demora reflete a “complexidade” do caso.

Fonte: Valor Econômico, 29/02/2016

Tarifa do Metrô do Rio mais cara em abril

O passageiro carioca vai sentir no bolso mais um reajuste. A partir do dia 2 de abril, o MetrôRio vai cobrar tarifa de R$ 4,10 — aumento de R$ 0,40 sobre os R$ 3,70 cobrados atualmente.

A informação foi publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira (29) pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp).

O novo valor foi acordado em uma reunião da Agetransp na última quinta-feira (25). A concessionária tem um mês para informar o novo valor aos usuários.

Aumentos consecutivos
O aumento do valor da passagem de barcas e trens foi divulgada no penúltimo dia de 2015. O reajuste foi autorizado pela Agetransp. Desta forma, o valor da tarifa das barcas passou de R$ 5 para R$ 5,60 e dos trens de R$ 3,30 para R$ 3,70.

Já no dia 2 de janeiro, foi aplicado o reajuste de 11,7% na tarifa dos ônibus municipais. O valor passou de R$ 3,40 para R$ 3,80. O mesmo valor é cobrado quem utiliza o Bilhete Único Carioca (BUC). O aumento de R$ 0,40 na passagem foi autorizado pelo prefeito Eduardo Paes em decreto publicado na edição do dia 31 de dezembro do Diário Oficial do Município.

No mesmo dia, os táxis tiveram a tarifa reajustada. Com isso, a bandeirada dos táxis convencionais passou de R$ 5,20 para R$ 5,40. De acordo com os novos preços, cada quilômetro rodado custará R$ 2,30, na bandeira 1, que é aplicada de segunda a sábado, das 6h às 21h.

A bandeira 2, que vale de segunda a sábado, das 21h às 6h e nos domingos e feriados passa a valer R$ 2,76. A hora parada vai custar R$ 28,98 e bagagens com dimensões maiores de 60 cm X 30 cm passam a custar R$ 2,30 cada volume, desde que manuseada pelo motorista.

Fonte: G1, 29/02/2016

Prefeitura anuncia licitação do VLT para a Zona Sul até o fim do ano

RIO – A prefeitura anunciou que a primeira etapa para a expansão do serviço de Veículo Leve Sobre Trilho (VLT) para a Zona Sul da cidade começa amanhã, com a publicação da Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) — uma espécie de chamada para empresas desenvolverem o projeto para a linha. O objetivo da prefeitura é ter os estudo até outubro e licitar as obras até o fim do ano. O anúncio foi feito na manhã deste domingo, depois que o VLT realizou o primeiro teste com passageiros no trajeto entre a Rodoviária Novo Rio e a Cinelândia. Na viagem até o Centro, o prefeito Eduardo Paes esteve acompanhado pelo secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, e pelo coordenador municipal de Governo, Pedro Paulo.

— Os pré-projetos apontam uma expansão de 23 quilômetros, até a Gávea. Nosso cronograma é que toda a proposta das empresas interessadas esteja pronta até outubro — explicou Pedro Paulo. — Acreditamos que é possível fazer a obra em dois anos, mas esses prazos ainda dependem da conclusão dos estudos.

O projeto de apresentação do VLT para a Zona Sul prevê estações na Glória, Flamengo, Botafogo, Humaitá, Jardim Botânico e Gávea. Boa parte dos bairros por onde o VLT passa não é atendido pelo metrô. Por isso, segundo a prefeitura, a ideia é que os novos trens sirvam para integrar os passageiros aos meios de transporte que percorrem distâncias maiores.

— Talvez, o início da tragédia de mobilidade do Rio tenha começado quando o Rio abandonou os bondes. A gente espera que o VLT seja um novo tempo na mobilidade — disse Eduardo Paes.

No teste deste domingo, o bonde moderno percorreu os 5 quilômetros que separam a rodoviária da Cinelândia em pouco mais de 20 minutos, passando por 16 das 18 estações previstas na primeira fase de operação. Embora muito silencioso, o novo transporte parecia uma celebridade e arrancou dezenas de selfies por onde passava. A velocidade média foi de 15km/h, mas chegou a alcançar 40km/h em trechos da Zona Portuária.

Cada trem do VLT terá capacidade para 420 passageiros e funcionará durante as 24 horas do dia. Dentro do trem, o prefeito Eduardo Paes testou o aparelho que verifica se o usuário pagou a passagem. Trata-se de um dispositivo semelhante às maquinas de cartão de crédito. Com ele em mãos, o fiscal solicitará ao usuário que aproxime seu cartão pré-pago (Riocard ou Bilhete Único) e o visor exibirá mensagem informando se houve cobrança ou não naquele cartão. O cartão pré-pago é a única forma de pagamento.

Sem catracas ou cobradores, o próprio passageiro deverá validar o bilhete em máquinas no interior do trem. A tarifa é de R$ 3,80. O sistema aceitará o Bilhete Único, que permite fazer duas viagens ao custo de uma só. No caso da terceira perna, o valor da tarifa cairá para R$ 2,10. Quem não validar a passagem estará sujeito a multa estipulada em R$ 170 — que está em fase de regulamentação. Fiscais percorrerão os trens e abordarão passageiros aleatoriamente para checar se o pagamento foi feito.

— É uma mudança de paradigma, uma mudança de cultura. Temos certeza que o carioca e os visitantes vão se adaptar a essa nova mudança — sustentou Rafael Picciani. — Quando se oferece um serviço de qualidade, o cidadão respeita e faz a sua parte.

Desde outubro, os trens já fazem testes noturnos pela Região Portuária, sem passageiros. A partir de agora os testes diurnos pelo movimentado Centro da cidade passará a ser rotina, como preparação para o início de operação com usuários. O primeiro trecho do VLT começa a operar em abril, com 18 estações (da Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont, passando pela Avenida Rodrigues Alves, Praça Mauá e Avenida Rio Branco). O tempo estimado para o percurso é de 30 minutos. De acordo com a prefeitura, o investimento no VLT é de R$ 1,156 bilhão, sendo R$ 624 milhões da iniciativa privada e o restante custeado pela União.

Fonte: O Globo, 28/02/2016

Até julho todos os trens terão ar-condiconado

Até julho, 100% dos trens que operam nos cinco principais ramais da SuperVia (Deodoro, Santa Cruz, Japeri, Belford Roxo e Saracuruna) terão ar-condicionado. A promessa é do diretor de Operações da concessionária, João Gouveia, que informou que 95% de todas as viagens atuais já são feitas em composições refrigeradas.

Ele explicou que, dos últimos 70 trens chineses comprados pelo governo estadual, os últimos 10 já estão em fase de ajustes para começar a operar até a Olimpíada. Com isso, segundo ele, será possível aposentar as composições antigas que ainda não tem ar-condicionado. Além disso, o diretor lembra que há mais 12 trens encomendados pelo governo no Brasil, que devem chegar nos próximos 18 meses. O governo já havia anunciado que os 100% da frota com ar seriam atingidos no ano passado.

A primeira das seis estações que passarão por reformas para a Olimpíada, Ricardo de Albuquerque, será inaugurada nesta segunda-feira. Estão ainda na lista de reforma para os Jogos: São Cristóvão, Engenho de Dentro, Magalhães Bastos, Vila Militar e Deodoro, que será expandida também. “Todas essas estações serão totalmente renovadas e atenderão às especificações de acessibilidade. Ricardo de Albuquerque teve a capacidade de embarque ampliada em 25%”, afirmou Gouveia, acrescentando que todas as estações do ramal Deodoro serão pintadas até agosto.

Fonte: O Dia, 26/02/2016

Tarifa do VLT custará o mesmo preço do ônibus

A tarifa do Veículo Leve sobre Trilhos custará o mesmo que a passagem de ônibus da cidade: R$ 3,80. A informação foi confirmada ontem pela Secretaria Municipal de Transportes, que informou, no entanto, que ainda não há definição sobre se será permitida aos portadores do Bilhete Único Municipal (BUC) fazer a terceira viagem, no VLT, pagando uma só tarifa. A possibilidade já foi mencionada pela prefeitura porque o VLT terá o papel de ser o grande integrador dos diversos meios de transportes. Atualmente o BUC permite duas viagens em ônibus municipais (ou BRT) com a cobrança do valor de uma passagem.

Como o VLT não terá catracas e a validação dos bilhetes eletrônicos será feita espontaneamente pelos próprios passageiros, a prefeitura informou que vai enviar à Câmara Municipal um projeto de lei para estabelecer multa de R$ 170 para quem for pego viajando no VLT sem pagar a passagem. A fiscalização será aleatória e os fiscais terão leitores eletrônicos que vão checar se o passageiro passou o cartão nos validadores, que serão colocados dentro das composições do VLT.

Pelo contrato de concessão, a conta dos calotes pode cair para o contribuinte. Caso a falta de pagamento passe de 20% da estimativa de passageiros, o Tesouro Municipal vai arcar com os prejuízos. Entre 10% e 20%, a prefeitura dividirá esses custos com o consórcio operador. Abaixo de 10%, não há compensação da prefeitura.

Além do uso dos bilhetes da RioCard (incluindo bilhetes únicos), os passageiros poderão comprar cartões unitários do VLT (que terão um tempo de duração ainda não definido) em máquinas automáticas em todas as 32 paradas. Só três deles (Praça 15, Central e Rodoviária) serão fechadas, com roletas.

Na madrugada desta quinta-feira, uma das composições do VLT circulou, em testes, pela Avenida Rio Branco. O primeiro eixo, que vai da rodoviária ao Aeroporto Santos Dumont, terá 18 pontos e será inaugurado em abril. O segundo eixo, que vai da Central à Praça 15, tem previsão de inauguração no início do segundo semestre.

Fonte: O Dia, 26/02/2016

 

Ação da PF ligada à Lava-Jato apura desvios para construção de ferrovias

BRASÍLIA, RIO e SÃO PAULO – A Polícia Federal cumpre na manhã desta sexta-feira 44 mandados de busca e apreensão, e outros sete de condução coercitiva em seis estados e no Distrito Federal. Batizada de “O Recebedor”, a operação é baseada em informações obtidas em acordo de leniência e delação premiada fechado com a Camargo Corrêa, empreiteira investigada pela Operação Lava-Jato. As buscas têm como objetivo recolher provas do pagamento de propina para a construção das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste, além da prática de cartel e lavagem de dinheiro obtido a partir do superfaturamento de obras públicas.

No acordo, a Camargo Corrêa também se comprometeu a devolver aos cofres públicos R$ 800 milhões, dos quais R$ 65 milhões destinados a ressarcir danos acusados à Valec, estatal ferroviária vinculada ao Ministério dos Transportes. A empresa entregou ainda provas contra outras empreiteiras que participaram do esquema e contra José Francisco das Neves, o Juquinha, ex-presidente da Valec.

Um mandado de condução coercitiva foi expedido contra Juquinha. A Camargo Corrêa admitiu ter pago mais de R$ 800 mil em proprina ao ex-presidente da estatal. Em 2012, gravações da PF indicaram que Juquinha teria subornado funcionários da Valec Engenharia para favorecer sua defesa em processos contra corrupção na construção da ferrovia Norte-Sul.

Segundo a PF, foi detectado desvio de mais de R$ 630 milhões somente no estado de Goiás, em trechos executados nas obras da ferrovia. Além de Goiás, 188 agentes realizam mandados no Paraná, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Na cidade de São Paulo, os agentes foram à sede da construtora Constran, ligada à UTC, empresa de Ricardo Pessoa, já investigada pela Lava-Jato.

FERROVIA NORTE-SUL

A empreiteira confessou a prática de cartel, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes de licitação. Em abril de 2015, O GLOBO revelou que o ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, confessou à Justiça que a empresa pagou propina para executar obras na Ferrovia Norte-Sul. Segundo o empresário, o esquema era similar ao realizado com contratos da Petrobras investigados pela Lava-Jato e abasteceu partidos políticos e agentes públicos.

O Ministério Público de Goiás suspeita que empreiteiras realizavam pagamentos regulares, por meio de contratos simulados, a um escritório de advocacia e a mais duas empresas do estado indicados por Juquinha, que eram usados para lavar dinheiro proveniente de fraudes em licitações públicas.

O nome da operação faz referência à defesa apresentada por Juquinha na investigação anterior intitulada “Trem Pagador”, na qual seus advogados alegaram que “se o trem era pagador, o alvo não fora o recebedor”.

Essa é terceira operação realizada pela PF somente esta semana. Na segunda-feira, foram cumpridos mandados de prisão temporária na 23ª fase da Lava-Jato. O principal alvo foi o marqueteiro João Santana, suspeito de ter recebido U$ 7,5 milhões no exterior originários de propina da Petrobras. Na quinta-feira, a Operação Zelotes teve uma nova fase. Foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão e 22 de condução coercitiva, uma delas contra André Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau.

Fonte: O Globo, 26/02/2016

China tem interesse em projetos para trens de passageiros, afirma Barbosa

A China confirmou a disposição de manter seus planos de investimentos no Brasil e na América Latina, segundo balanço feito pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, após dois dias de encontros com autoridades chinesas em Pequim. “A disposição da China continua a mesma. O que trabalhamos agora é como viabilizar para que os fundos sejam direcionados para os projetos”, disse o ministro.

Em setores que acompanham as discussões com os chineses, em Brasília, surgiu recentemente um alerta sobre se Pequim manteria seus planos. Segundo essas fontes, os chineses dizem que o Brasil é preferível a vários outros emergentes, mas Brasília acha que isso tem que se traduzir em compromissos efetivos e mais rápidos.

Em Pequim, Barbosa discutiu mais projetos de investimentos específicos em infraestrutura e maior colaboração no setor de energia do que sobre os fundos pelos quais Pequim anunciou planos de investir no Brasil. Em encontro no Banco de Desenvolvimento da China (BDC), o chairman Hu Huaibang informou já ter desembolsado US$ 24 bilhões em empréstimos para o Brasil e mostrou disposição de ampliar o montante, de acordo com as oportunidades.

O BDC tem tradição de cooperação em petróleo e gás e se diz disposto a participar do setor ferroviário, apoiando empresas chinesas. Duas delas – a China Railway Construction e a China Railway Engineering – confirmaram interesse em participar de concessões no setor de ferrovias. A novidade é que gostariam de entrar na área de transporte de passageiros.

Barbosa informou que esse interesse será avaliado, julgando que pode ser uma oportunidade de atrair investimento no curto prazo. Lembrou que o governo tem pelo menos dois estudos na área de transporte de passageiros: os trechos Rio-São Paulo-Campinas e Brasília-Anápolis-Goiânia.

O chairman do China Investment Corporation (CIC), Ding Xuedong, responsável pela gestão de parte das enormes reservas internacionais chinesas, também manifestou interesse em investir em projetos de infraestrutura. O CIC é um fundo soberano com ativos de US$ 746 bilhões, que busca projetos de longo prazo com possibilidade de rendimento maior.

Recentemente, ao ser perguntado sobre países emergentes que interessavam, o executivo do CIC citou India, México, Indonésia e Nigéria. O CIC tem interesse sobretudo em investir nos EUA, segundo a direção da companhia. Barbosa disse ter relatado a representantes chineses as iniciativas tomadas para facilitar o investimento e a participação de investidor externo.

Na reunião do G-20 que acontece amanhã e sábado em Xangai, Brasil e China devem adotar posições convergentes em relação às medidas para recuperar a economia mundial. Pontos de interesse comum entre os dois governos foram debatidos durante encontro entre Barbosa e o ministro chinês de Finanças, Lou Jiwei.

O ministro da Fazenda explicou a Jiwei os projetos de reformas que estão em andamento, como a renovação de concessões em petróleo e gás e o novo decreto para a política de conteúdo local, além do plano para atualizar e reformar a regulação na área de telecomunicações. No lado fiscal, mencionou a preparação de proposta de reforma da Previdência e a reforma fiscal, que espera finalizar com os Estados até o fim de março.

Fonte: Valor Econômico, 25/02/2016

Linha 4, do metrô Rio, pode estrear com capacidade reduzida

Operários correm contra o tempo para terminar a Linha 4. O novo secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira, disse ontem que o metrô ficará pronto para os Jogos, mas pode estrear com capacidade reduzida. Após especulações de que a Linha 4 do metrô não ficaria pronta a tempo das Olimpíadas, o novo secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira, garantiu ontem que o trecho entre Ipanema e Barra da Tijuca entrará em operação em julho, um mês antes dos Jogos, que começam no dia 5 de agosto. Sem detalhar o cronograma de testes, o secretário admitiu, no entanto, que os trens não vão operar com plena capacidade e que circularão em horários reduzidos. Segundo ele, haverá um acompanhamento para aumentar o número de passageiros gradualmente.

— Não existe lançamento de linha metroviária com capacidade total. É feita uma curva de crescimento, que estou discutindo com os técnicos.
Mas ela abre para operação em julho. Ao longo dos meses, vai atingindo a sua capacidade total. As pessoas vão aprendendo a usar essa linha metroviária, optando por trocar os modais que utilizavam. É assim que funciona o metrô. A gente não abre as portas em um dia já com a capacidade total. É um crescimento, é um aprendizado da população de usar esse sistema — afirmou o secretário.

Rodrigo assumiu o cargo anteontem, após a saída de Carlos Roberto Osorio, que deixou o PMDB para se filiar ao PSDB e possivelmente concorrer à prefeitura do Rio este ano. Ontem, em visita às obras nas estações Nossa Senhora da Paz e São Conrado, Rodrigo preferiu não cravar a data exata do início da operação para o dia 1 º de julho, como havia sido estabelecida por seu antecessor.

— Assumi a secretaria ontem (terça-feira). Estou me debruçando sobre os dados com os técnicos e avaliando todas as informações. Nossa prioridade é finalizar a obra e fazer os testes. Se, eventualmente, entendermos que deve ser feito algum ajuste no cronograma de testes, nós vamos fazer.

Antes de deixar o cargo, Osorio afirmou que os testes operacionais da parte elétrica e de sinalização haviam sido iniciados em janeiro. Já os primeiros testes com trens, entre as estações General Osório e Nossa Senhora da Paz, teriam início em março. E o percurso entre o Jardim Oceânico e São Conrado seria testado em abril.

O novo secretário ainda aguarda um financiamento de cerca de R$ 900 milhões para finalizar o trecho das cinco estações previstas para serem inauguradas até as Olimpíadas (Jardim Oceânico, São Conrado, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz). Para ligar o metrô de Ipanema até a Barra, ainda faltam 200 metros de escavações e três quilômetros de trilhos de um total de 16 quilômetros.

“Os recursos virão”, diz Vieira

Segundo Vieira, o governo federal se comprometeu a liberar o financiamento restante na próxima semana. Questionado sobre a possibilidade de não haver a liberação da verba, o secretário afirmou apenas que “os recursos virão” e que “há garantia do governo federal”.

Na opinião do engenheiro Pedro Celestino Pereira, presidente do Clube de Engenharia, o início da operação da Linha 4, em horário reduzido e com menos passageiros, segue as normais internacionais de segurança.

— Final de obra é sempre assim. Pode acabar amanhã ou daqui a dez dias. É um ajuste fino. O que importa é o teste em conjunto com todos os sistemas funcionando, que pode levar cerca de dois meses. Nesse período, o metrô já pode receber passageiros fora do horário de rush. Normalmente, funciona durante seis horas, entre 9 e 15 horas, por exemplo. Então, os técnicos têm praticamente 18 horas para corrigir falhas e fazer a manutenção.

Fonte: O Globo, 25/02/2016

Nota de falecimento

É com muito pesar que informamos sobre a morte do nosso associado Ubyrajara de Souza, nesta quarta-feira, 24 de fevereiro. Ele estava com problemas de saúde e encontrava-se internado há três meses.

Ubyrajara era formado em ferreiro artífice pela Escola Profissional de Além Paraíba-RJ. Trabalhou na Leopoldina, sendo chefe do Dep. Pessoal. Trabalhou também na CBTU com o amigo já falecido Victor José Ferreira.

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Na Aenfer, apresentou palestras pela Academia Ferroviária de Letras.

O local do velório ainda não foi informado.

VLT carioca resgata memória de bondes com sustentabilidade

Em abril, quando o VLT começar a circular em seu primeiro trecho – da Rodoviária Novo Rio até o Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio –, estará sendo escrito um novo capítulo na história dos transportes públicos da cidade.

Movido à eletricidade e totalmente não poluente, o novo meio de transporte, que vai atender a cariocas e visitantes, também resgata lembranças da época dos bondes elétricos. Até mesmo o som do antigo será lembrado. Por ser extremamente silencioso, na cabine do condutor haverá um botão para a tradicional buzina e um outro que reproduz a campainha dos antigos bondes.

Os bondes circularam na cidade entre 1892, quando pertencia à Companhia Ferrocarril São Cristovão, e depois de 1905 até o final da década de 60, quando estavam sob o controle da Light, concessionária de energia. Para antigos usuários, especialistas em história e autoridades, o VLT é o que pode se chamar de um “bonde turbinado com alta tecnologia”.

A professora Márcia Mendes, moradora da Gamboa, na Região Portuária do Rio, contou que tem memória da infância quando usava o bonde para ir para a escola na companhia da irmã. “Achava o máximo, me sentia gigante com a sensação de liberdade quando ficava na janela”, lrelembrou.

Para ela, o VLT, que tem uma parada na porta da casa dela, é uma visão futurista dos bondes. “Eu estou otimista. Vai ser bom sim se ele realmente for usado como planejado”, opinou.

O VLT carioca é um dos primeiros do mundo projetado sem a tecnologia catenária, que usa cabos para captar energia elétrica em fios suspensos. Os trens não têm fios em rede aérea e são alimentados por duas fontes de energia.
Em entrevista ao G1, o secretário de Concessões e Parcerias Público-Privadas, Jorge Arraes, explicou que o modelo do VLT do Rio é inédito até mesmo em outros lugares do mundo.

“Abastecimento pela superfície a gente tem conhecimento que existe em Dubai, mas lá é um pouco diferente já que eles circulam em áreas mais livres e não passam por regiões com construções como aqui no Rio”.

A energia vem de um terceiro trilho, sistema APS (alimentação pelo solo) instalado entre os trilhos de rolamento do veículo, cuja alimentação ocorre apenas no trecho sob o trem. As composições também têm um supercapacitor, uma espécie de bateria, que recebe energia da rede e pode ser recarregado pela energia absorvida no processo de frenagem do trem. Além disso, ele é silencioso.

Segundo Arraes, a sustentabilidade não é o principal foco do projeto, mas ele foi levado em consideração. “No mínimo, esses três aspectos, da poluição direta por conta do combustível, da sonora e da visual, ele atende os requisitos da sustentabilidade”, explicou.

Ele explicou que quando a operação for plena, serão feitos testes ambientais para saber, por exemplo, qual a quantidade de carbono está sendo capturada pelo fato do trem não estar queimando combustível.

Outra semelhança com os antigos bondes é o trajeto. Durante as obras, foram encontrados trilhos dos antigos bondes. Em alguns pontos, o VLT vai fazer o mesmo de 160 anos atrás. Entre os achados arqueológicos descobertos embaixo das movimentadas ruas está o calçamento da Rua da Constituição.

Parte do piso será preservada e exposta como previsto na proposta enviada e aprovada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A área tem 15 metros quadrados é o trecho mais antigo, que ainda mantém o desenho original e de maior representatividade histórica, conforme avaliação dos arqueólogos.

E é também por isso a preocupação com os prédios históricos ao longo do traçado do VLT. Para minimizar o impacto e evitar vibrações haverá um mecanismo de controle de ruído atendendo um pedido do Instituto do Patrimônico Histórico (Iphan) e do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

“Como o trem vibra quando passa nesses locais, por exemplo na Rua da Constituição, e na Rio Branco onde estão prédios históricos, nós colocamos nesses trechos equipamentos para reduzir o impacto. É um isolante, um material sintético que é colocado no topo do trilho para proteger, dar uma proteção física”, explica Arraes.

O secretário afirmou que depois da transformação urbana da Região Portuária eles estão fazendo projetos para a expansão do VLT até a Zona Sul.

“Será com outro viés que não só o da integração. Tem a ver com o resgate da mobilidade, da recuperação urbanística de um bairro como Botafogo. O VLT sairia da Cinelândia para seguir até Flamengo, Botafogo, Jardim Botânico e Gávea, para integrar com o Metrô”.

Retomada da história
A museóloga do Instituto Light, Roberta Saragoça, ressalta que o VLT trouxe da volta a memória dos bondes. Segundo ela, aumentou o interesse na história deles aumentou a partir do momento em que começou a se veicular notícias sobre a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos.

“Somos frequentemente procurados por pesquisadores e outros profissionais sobre o assunto. O VLT trouxe a memória do bonde. Quem andou e teve o privilégio não esqueceu. Para quem não conhece, o assunto voltou”, explicou.

O instituto abriga parte da história dos bondes. São fotografias de Augusto Malta, documentos, mobiliário e equipamentos à disposição da pesquisa. Um bonde reformado está em exposição e são feitas visitas teatralizadas com personagens vestidos como na década de 20 para ajudar a manter essa memória.

Menos carro e material reciclado
A implantação do novo meio de transporte tem custo avaliado em R$ 1,157 bilhão, sendo R$ 532 milhões com recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, e R$ 625 milhões viabilizados por meio de uma parceria público-privada (PPP) da Prefeitura do Rio.

De acordo com informações da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto Maravilha (Cdurp), os carros que circulam diariamente pelos centros urbanos transportam em média 1,3 passageiros. A capacidade de cada VLT é de 420 passageiros. Considerada uma taxa de ocupação média, cerca de 255 carros deixarão de circular pela cidade.

As obras do VLT utilizaram equipamento de fresa ao longo da intervenção na Avenida Rio Branco para a remoção do pavimento, de forma a garantir o melhor uso dos recursos. Ao todo, 3.240 metros cúbicos de asfalto foram retirados da avenida e seguem sendo aproveitados nas obras.

O novo modelo de transporte alterou o visual da Avenida Rio Branco, uma das principais da cidade. Está em construção um boulevard, com extensão de 600 metros. Nesse ponto, a pista será compartilhada com o VLT e ciclofaixa, nas proximidades da Cinelândia, onde fica o Theatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional.

Como vai funcionar a operação

O VLT vai operar 24 horas por dia nos sete dias da semana, confirma Arraes. Em agosto, quando estiver totalmente entregue o VLT terá 28 quilômetros de comprimento com 32 paradas. Serão 32 trens em operação. Até o início de fevereiro sete trens já haviam sido entregues: cinco deles produzidos na França e dois produzidos na fábrica da Alstom, em Taubabé, São Paulo. A capacidade total do sistema chegará a 300 mil passageiros por dia.

Atualmente 28 condutores estão em fase final de treinamento e habilitação para começar a trabalhar em abril. O objetivo é formar mais 40 profissionais.

Para as duas turmas iniciais, o primeiro mês aconteceu na França, no centro de treinamento da RATP, empresa responsável pela operação do metrô e VLT em Paris. Eles também usam um simulador de condução que apresenta o trajeto entre a Rodoviária e o Aeroporto Santos Dumont reproduzindo situações a serem encaradas durante a operação.

A segunda etapa de implantação do VLT – Central do Brasil até Praça 15 – está marcada para agosto.

Segundo Arraes, um dos principais desafios será o início da circulação onde será possível saber se o novo transporte terá o mesmo dinamismo pensado na implantação.

Ele confirma que o VLT terá prioridade nos sinais de trânsito e os outros motoristas vão ter que se adaptar a isso.

” Se ele vem em uma linha e o sinal está fechado, existe abaixo um sinalizador em que o sinal abre para ele automaticamente e fecha para os outros carros, mas isso é uma situação comum”. Ele lembrou ainda os problemas enfrentados pela prefeitura quando o BRT foi implantado e muitas pessoas andavam de skate e cruzavam as vias exclusivas dos ônibus.

De acordo com Arraes, as ruas estreitas, no Centro, a região da Central do Brasil com grande circulação de pessoas serão os pontos mais complicados. O VLT terá velocidade de 18 quilômetros nos trechos mais difíceis e de até 50 quilômetros, nos trechos mais desertos e durante a madrugada. A previsão é que eles circulem na horas de pico com frequência de três minutos.

Preço das passagens x validação

De acordo com o secretário, a prefeitura do Rio irá fazer o anúncio do preço da passagem do VLT em meados de março.

O pagamento será feito por cartões validados em oito máquinas próprias, no interior dos módulos do trem.

Esse é um sistema inédito no país, mas também haverá fiscalização e a prefeitura pretende mandar um projeto de lei para a Câmara para estabelecer uma multa no caso de alguém não validar a passagem. O modelo é semelhante ao que ocorre com o Lixo Zero. Segundo o secretário, o valor da multa também deverá ser o mesmo.

” Mantivemos essa que é a opção mundial. Esse tipo de transporte no mundo inteiro é assim. Em alguns países funciona melhor e em outros pior. Haverá campanha educativa e também fiscalização”, acrescentou.

No entanto, Arraes acredita que as pessoas já estão acostumadas porque já fazem uso do Bilhete Único nos ônibus, barcas e no metrô. A diferença é que no VLT não existe catraca.

Fonte: G1, 23/02/2016