Aenfer participa da 43ª reunião do GPAA

Foi realizada na última quarta-feira (24/05) no Rio de Janeiro, a 43ª reunião do GPAA – Grupo Permanente de Autoajuda na Área de Manutenção Metroferroviária. A abertura contou com a presença de profissionais que atuam e são envolvidos com as ações do setor metroferroviário brasileiro.

O diretor da Aenfer, engenheiro Helio Suêvo, participou da mesa de abertura.

Coordenador do grupo, Ricardo Torsani que é da CBTU de Belo Horizonte, disse em entrevista, que esta reunião é uma oportunidade de colocar em pauta assuntos de grande relevância para as operadoras e conferir inovações capazes de tornar as empresas brasileiras mais modernas e competitivas.

O encontro foi encerrado na sexta-feira, 26, com apresentações e visita técnica ao Centro de Manutenção do Metrô Rio.

Fonte: Revista Sobretrilhos, 25/05/2017

 

 

 

Programação especial da AENFER com homenagens e palestra técnica

Em homenagem aos 80 anos da Associação de Engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil (AECB) e os 25 anos da Associação de Engenheiros Ferroviários (AENFER), preparamos uma programação especial para o dia 28 de junho. Confira:

* 1) Lançamento de selo e postal em comemoração aos 80 anos da AECB e 25 anos da AENFER;

2) Homenagem aos ex-presidentes da AECB

3) Lançamento do livro da Engª Angela França intitulado “Metrô – os trilhos que mudaram o Rio”

4) Palestra com o subsecretário de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, engº Delmo Pinho com o tema: “A Renovação das Concessões Ferroviárias”.

 

Dia: 28/06/2017

Horário: 10 horas

Local: Auditório da AENFER, Av. Pres. Vargas, 1.733 – 6º andar

Entrada Franca!
*Delmo Manoel Pinho é engenheiro civil, com mestrado em Engenharia Civil pela Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, (1993), MBA em Gestão pela Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro (1997), diversos cursos nas áreas de Aviação Civil, Logística e Portos.

É subsecretário de Transporte do Governo do Estado do Rio de Janeiro desde 2007.

Anteriormente ocupou o cargo de subsecretário adjunto da Secretaria Estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio de Janeiro, atuando na área de Logística de Carga. Foi diretor-geral do Departamento Geral de Sistema de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, engenheiro e assessor especial da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO); e diretor-geral do Departamento de Portos e Aeroportos do Estado do Rio de Janeiro.

Concessões Ferroviárias

Antiga ferrovia pode dar lugar a ciclovia

Os prefeitos de Barra Mansa, Rodrigo Drable; de Angra dos Reis, Fernando Jordão; e de Rio Claro, José Osmar, se reuniram nesta segunda-feira, dia 22, com o diretor de Infraestrutura Ferroviária do Dnit, Charles Magno Moreira e dirigentes da VLI-FCA, para dar início, oficialmente, ao processo de construção de uma das mais importantes ciclovias do país: a CicloAtlântica.  Com pouco mais de 108 quilômetros, o projeto de construção ganha força depois que os três prefeitos se uniram para criação do Consórcio Intermunicipal da Ciclovia do Atlântico.  O projeto envolve desenvolvimento econômico, fomento ao turismo e a preservação de um dos trechos mais importantes do Bioma Mata Atlântica, entre os três municípios.

Para o prefeito Rodrigo Drable, um dos idealizadores do projeto e que também é ciclista, transformar uma ferrovia desativada em uma ciclovia nos moldes e nos padrões internacionais, como a Via Cláudia Augusta, na Alemanha; Caminho Francês e Português a Santiago de Compostela e as famosas rotas dos Países Baixos cria uma nova forma de aquecimento econômico, geração de emprego e renda para as cidades da região Sul Fluminense. “Temos que buscar soluções práticas, modernas e que tragam resultados econômicos para a região e para o Estado do Rio. O ciclismo é o esporte que mais cresce no Brasil e não podemos perder esta oportunidade de atrair turistas de várias partes do país e do mundo”, explica o prefeito Rodrigo Drable.

O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre) já iniciou as negociações com a concessionária VLI-FCA, que detém a exploração do trecho, para que seja feito a devolução da área, que já não é utilizada desde o início dos anos 90. Os próximos passos serão dados a partir da transmissão patrimonial, que será feita pela SPU (Secretaria de Patrimônio da União)/DNIT aos municípios do consórcio.

No documento assinado pelos prefeitos e entregue ao diretor do DNIT foi abordado que em anos anteriores tentaram transformar a ferrovia desativada em nova rota de cargas e passageiros e, até mesmo, numa rodovia como rota alternativa a RJ-155. Os prefeitos defendem que a ocupação alternativa seja utilizada por modal de transporte sustentável, com potencial para geração de emprego e renda, com fomento ao turismo, com infraestrutura, hospedaria e alimentação.   

Um pouco de história

De Goiás a Angra dos Reis. A linha-tronco da RMV foi construída originalmente pela E. F. Oeste de Minas a partir da estação de Ribeirão Vermelho, onde a linha de bitola de 0,76 chegou em 1888. A partir daí, a EFOM iniciou seu projeto de ligar o sul de Goiás a Angra dos Reis, passando por Barra Mansa por bitola métrica: construída em trechos, somente em 1928 a EFOM chegou a Angra dos Reis, na ponta sul, e no início dos anos 1940 a Goiandira, em Goiás, na ponta norte, e já agora como Rede Mineira de Viação. A linha chegou a ser eletrificada entre Barra Mansa e Ribeirão Vermelho, e transportou passageiros até o início dos anos 1990. Nos anos 1970, o trecho final norte entre Monte Carmelo e Goiandira foi erradicado devido à construção de uma represa no rio Paranaíba, e a linha foi desviada para oeste encontrando Araguari. A linha, já não mais eletrificada, é operada pela concessionária VLI-FCA.

Fonte: folhaverdedocafe.com, 23/05/2017

Nota da AENFER

Após essa notícia, nem um pouco simpática, vários internautas se posicionaram contra o projeto e levantaram algumas questões onde selecionamos algumas:

“Qual o custo pra se retirar a linha férrea e fazer uma ciclovia de qualidade e segura? Quantas pessoas serão beneficiadas e em quais camadas sociais? Agora as mesmas perguntas para a implantação de um trem de passageiros….”

“Um trem para passageiros como passeio turístico com paradas estratégicas seria o ideal para todos nós”.

“Maior besteira que vão fazer retirar a linha …vão retirar e rapidamente o povo vai tomar a posse da área…ao invés de retirar os trilhos por que não tentam implantar um trem turístico? Tenho certeza que o retorno será maior e beneficiará mais a população do que uma ciclovia que nunca trará tanto retorno como o trem”.

“Nos países evoluídos a ferrovia é sinônimo de desenvolvimento econômico. Neste país, onde nossa Memória vai sendo varrida a cada dia, vão surgindo estes exemplos deturpados de visão de futuro. Meus sentimentos”.

“Lembrando que o prefeito curte bike entao e uma escolha pessoal, a populacao deveria ser ouvida. Prefiro a reativação do trem e uma ciclovia em paralelo. Lembrando que seriam removidas toneladas de trillhos cujo dinheiro da reciclagem deve ser revertido para a uniao, mas essa remoção é impensavel seria um erro grande ao meu ver e super caro caso um dia queiram reverter”.

“Projeto macabro para acabar com o que restou da ferrovia”.

Governo do Estado publica decreto que institui o Plano Estratégico de Logística e Cargas do Estado do Rio

Foi publicado, no Diário Oficial desta segunda-feira (29/05), o decreto que institui o Plano Estratégico de Logística e Cargas do Estado do Rio de Janeiro – PELC RJ 2045 e suas futuras atualizações. O objetivo do documento é orientar políticas públicas para consolidar e desenvolver a rede logística no estado, buscando maior eficiência e redução de custos.

O PELC RJ 2045, elaborado por técnicos da Secretaria de Estado de Transportes com o apoio do Banco Mundial, é resultado de ampla consulta aos profissionais envolvidos em diversas regiões do território fluminense, por meio de entrevistas, oficinas, seminários e reuniões com associações de classe e universidades, além da aplicação de pesquisas de campo, levantamento de dados e simulações.

– O PELC é a base de uma política para o transporte de cargas e logística no estado, com cenários até o ano de 2045. É um plano diretor e estratégico, que tem como objetivo transformar o Rio em uma plataforma logística de classe mundial – ressaltou o secretário de Transportes, Rodrigo Vieira.

De acordo com o decreto, ficam criados o Conselho Gestor do PELC, com participação da iniciativa privada, e o Fórum Cooperativo Intergovernamental, no âmbito da administração estadual, tendo a Secretaria de Estado de Transportes como Secretaria-Executiva.
O Conselho Gestor tem como objetivo envolver a sociedade e o meio empresarial para atuar como elemento indutor do Plano, definindo metas, monitorando sua implementação e acompanhando o cumprimento de suas diretrizes. Poderá, ainda, solicitar o aprofundamento de estudos específicos e adequações de projetos.

Já o Fórum Cooperativo será responsável pela garantia da coordenação pública interna das políticas propostas, visando proporcionar a necessária agilidade e coerência interna do setor público estadual para a implementação dos projetos.

Além da Setrans, farão parte do Fórum as secretarias de estado da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico; de Obras; de Ambiente e de Fazenda, além do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agentransp).
– O PELC envolve uma integração entre governo do Estado, parceiros da iniciativa privada e entidades ligadas ao tema. Todos os modais na área de transportes foram considerados. O Plano tem importância fundamental para o Rio, uma vez que a localização do estado é muito privilegiada. Os investimentos que o estado não tiver condição de fazer, o setor privado será chamado a cooperar por meio dos diversos modelos de parceria – afirmou o Secretário da Casa Civil, Christino Áureo.

Caberá à Setrans organizar e conduzir as pautas das reuniões, dar suporte aos trabalhos técnicos, coordenar o andamento e a implementação das proposições e encaminhar ao Governador do Estado as propostas aprovadas junto ao Conselho Gestor e ao Fórum. A pasta será responsável por harmonizar as políticas de transporte nas diversas esferas de governo.

Ainda segundo a publicação, a Secretaria de Transportes terá que apresentar, no prazo de 30 dias, um relatório contendo as principais diretrizes extraídas da reunião inicial com o Conselho e o Fórum.

Fonte: Governo do Rio de Janeiro, 29/05/2017

Crea-PR fiscaliza ferrovias do Paraná durante esta semana

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) realiza, nesta semana, uma ação em ferrovias do Paraná (veja a lista de locais abaixo). A fiscalização começa nesta terça-feira (30) e continua até sexta-feira (2).

A operação tem, entre os objetivos, registrar as condições de uso de cruzamentos entre ferrovias e ruas ou estradas, considerando a possibilidade de acidentes graves de colisão entre trens e outros veículos.

A ação também procura mostrar a importância da participação de profissionais habilitados para adequado projeto, execução, operação e manutenção da malha ferroviária.

A responsabilidade pelas condições na passagem em nível é compartilhada pelo município e pela empresa que opera a linha férrea.

Em cada local, são verificados aspectos como: a sinalização vertical e horizontal, a conservação da pavimentação e da ferrovia e a visibilidade da ferrovia a partir da faixa de retenção dos veículos.

A ação deve resultar em um relatório apreciado pela Câmara Especializada de Engenharia Civil do Crea-PR, que pode solicitar providências das empresas e órgãos envolvidos em caso de situações desconformes.

Os levantamentos são realizados pelos agentes de fiscalização engenheiros civis do Crea-PR, em conjunto com profissionais e entidades convidados por cada regional, como conselheiros e inspetores, associações profissionais da região e prefeitura municipal, além das próprias empresas responsáveis pela operação da ferrovia no respectivo trecho.

Veja abaixo os locais que devem ser fiscalizados:

* Em Curitiba, no bairro Alto da XV, no cruzamento entre a Rua XV de Novembro e a Rua Padre Germano Mayer, às 8h;
* Em Curitiba, no bairro Boa Vista, no cruzamento entre a Avenida Anita Garibaldi e a Rua Flavio Dallegrave, após a fiscalização no Alto da XV;
* Em Goioxim, no cruzamento da ferrovia com a rodovia PR-364, no município de Goioxim, às 13h30.
* Em Maringá, na quarta-feira (31), no cruzamento entre a Avenida Paraná e a Rua Verde, às 9h30;
* Em Arapongas,na sexta-feira, no cruzamento entre a Rua Guaratinga e a Rua Pavão, às 9h;
* Em Cornélio Procópio, na sexta-feira, no cruzamento entre a Avenida XV de Novembro e a Avenida Paraná, às 13h30.
* Em Ponta Grossa, na sexta-feira, no cruzamento de acesso à Vila Borato, entre a BR-373 e a Rua Sabiá (próximo à passarela de pedestres), às 14h.

Fonte: G1, 30/05/2017

Cadê as ferrovias?

Exatamente, três anos se passaram e as ferrovias, nada! A Norte-Sul continua incompleta com apenas 682 km,  somando-se os quatro trechos, transportando 33,5 milhões de toneladas de cargas até o porto de Itaqui. 40 milhões é o volume anual estimado de insumos de gêneros agrícolas a serem exportados em trechos.

Estamos longe do ideal ferroviário necessário, em nível nacional como modo de transportes por sobre trilhos, no sistema viário.

O governo se prepara para leiloar dois novos trechos, em um bloco no próximo ano. São: Porto Nacional (TO) e Ouro Verde/Anápolis (GO) a Estrela d´Oeste (SP).  Minha crença no que creio, como ferroviário aposentado, é que as autoridades vão investir no modo ferroviário.

A obra já consumiu R$ 28 bilhões e tem menos da metade de seu trajeto concluído, “no tempo e no espaço”, desde o início das operações. O jornal Folha de São, de 13/5/17, na pag. A-10, publica a manchete: “ 30 anos de um escândalo.” Seria corrupção?

Todos sabem que a Procuradoria Geral da República designou um representante das investigações. No Congresso Nacional, foi instalada uma CPI. Nada vezes nada, foi apurado no contexto, como o esperado.

Consta que as empreiteiras que estão na Lava-Jato eram participantes do conluio em torno da Norte-Sul, diz a reportagem da Folha.

Numa competição “surda” nessas três décadas, a educação, a saúde, a habitação, a segurança, as ferrovias, a mobilidade urbana vêm perdendo para avalanche de corrupção que assola as estatais e o governo (União),  movida pelos anjinhos honestos de Brasília e de outras plagas.

Tudo bem que algumas reformas são necessárias e inadiáveis, mas não pode esquecer-se  do sistema viário e ser conectado, principalmente, o  modo ferroviário, desprestigiado há mais de 30 anos por vários governos. O  presidente Temer não está dando tratos a bola para este modal.

A população pergunta: “Cadê as ferrovias”? Quando terão igual tratamento ao das rodovias, a princesa das autoridades executivas e dos parlamentares? Pra mim, essa publicidade do governo de muitas realizações em um ano de gestão só se justificaria se o Brasil-continente  estivesse implementando a construção de muitos quilômetros de trilhos e circulando País afora os trens de passageiros e de turismo, com a mobilidade urbana  a todos “vapor”, porque,  repetindo, o Brasil precisa de ferrovias como o sangue de oxigênio e a tarefa que pesa por sobre os ombros das autoridade,  é construir muitas ferrovias, imediatamente, a fim de que tenhamos a coexistência do transporte ferroviário: cargas e passageiros, no tempo e no espaço, sem embargos das concessionárias, como vem acontecendo, infelizmente!

Genésio Pereira dos Santos – Associado da Aenfer

Advogado/Jornalista/Escritor

Ciclo de debates na Seaerj com entrada franca

Como reinventar o uso das orlas de Duque de Caxias, São Gonçalo e Magé? Hidrovias (uso  cultural, ambiental/recreativo) Esse tema será debatido na Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj) amanhã (30/05) e contará com diversos debatedores, dentre eles, o economista e vice-presidente da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária (AFPF) Antônio Pastori. Ele vai falar sobre os projetos de integração bimodal da AFPF: Barca do Imperador (Praça Mauá-Ilha do Gov-Guia de Pacobaíba/Magé) e o trem da E. F. Mauá.

O evento aberto ao público faz parte do ciclo de debates da Seaerj e terá início às 13h30min.

Endereço: Rua do Russel, nº 01 – Glória-RJ

NT EXPO – NEGÓCIO NOS TRILHOS 2017

Completando 20 anos de história, a NT Expo é hoje reconhecida como palco da maior rodada de negócios do setor metroferroviário.

São mais de mais de 100 marcas apresentando soluções e inovações de equipamentos para os segmentos de bilhetagem, construção, infraestrutura, dormentes, eletrificação, estações e terminais, gerenciamento de sistemas, interiores, material rodante, vagões, motores, operadora de cargas e passageiro, peças e componentes, lubrificantes, anticorrosivos, tinta, manutenção, retíficas, oficinas, serviços, metalúrgica, usinagem, sinalização, telecomunicações e via permanente.
Anualmente, reúne em São Paulo grandes players do setor atuando com foco em atualização, debate e geração de conteúdo através da sua grade de Conferências e do Espaço Inovação + Mobilidade.

Em 2016 foram mais de 5.300 mil visitantes qualificados, além da presença de associações, entidades e câmaras de comércio.

 Saiba mais sobre a NT Expo em http://www.ntexpo.com.br/pt/

Ferrovia Norte-Sul: Longo histórico de corrupção

30 anos de suspeitas

Irregularidades e denúncias de fraudes nos processos de licitação da Ferrovia Norte-Sul (Maranhão-Brasília) têm marcado a obra ao longo dos anos. Em maio de 1987, reportagem publicada pela “Folha de S. Paulo” denunciou um esquema de corrupção na concorrência para a construção dos 18 lotes da ferrovia, orçados em US$ 2,5 bilhões. Por meio de um anúncio codificado publicado nos classificados do jornal, a reportagem antecipou em cinco dias o resultado da disputa.

As 18 empreiteiras que venceram a licitação — parte hoje citada na Operação Lava-Jato — tinham combinado preços e definido quais lotes cada uma assumiria, conforme apontou o jornal. À época, o Ministério dos Transportes era comandado por José Reinaldo Tavares, e a ferrovia era uma das obras mais caras do governo do então presidente José Sarney.

Foram envolvidas no escândalo as empreiteiras Norberto Odebrecht; Queiroz Galvão; Mendes Jr; CR Almeida; Serveng; Egit; Cowan; Ceesa; CBPO; Camargo Corrêa; Andrade Gutierrez; Constran; Sultepa; Construtora Brasil; Alcino Vieira; Tratex; Paranapanema e Ferreira Guedes.

O inquérito policial que apurou a denúncia acabou arquivado um ano depois. Os responsáveis pelas irregularidades ocorridas na licitação não foram punidos. Os 18 lotes somavam 1.570 quilômetros entre Imperatriz, no Maranhão, e Luziânia, em Goiás.

‘Tabela Periódica’

Ferrovia Norte-Sul, em Goiás. Obra, que deveria ser entregue em 2010, deve ser concluída só no
ano que vem – Givaldo Barbosa / Agência O Globo

 

Em junho de 2016, foi deflagrada a operação “Tabela Periódica”, batizada em referência ao nome que alguns dos próprios investigados deram a uma planilha de controle em que desenhavam o mapa do cartel. A investigação apontava prejuízos aos cofres públicos de R$ 631,5 milhões, considerando somente trechos executados na Norte-Sul, em Goiás.

A operação era uma nova etapa de outra, chamada “O Recebedor”, deflagrada em 26 de fevereiro. Em acordo de leniência e delação premiada, a Camargo Corrêa se comprometeu a devolver aos cofres públicos R$ 800 milhões, dos quais R$ 65 milhões destinados a ressarcir danos acusados à Valec.

Ministério dos Transportes

Para colocar o esquema de corrupção em prática, a Valec — subsidiária da então estatal Vale do Rio Doce — foi vinculada ao Ministério dos Transportes para promover a concorrência e a supervisão da construção.

A reportagem citada, de autoria do jornalista Jânio de Freitas, ainda apontou que o valor orçado para a ferrovia pelo governo era tão alto e acima do de mercado que as empreiteiras conseguiram reduzir em 10% a quantia nas propostas. O conjunto dos lotes foi orçado por Valec e Ministério dos Transportes em US$ 2,5 bilhões.

O empate nos descontos, de acordo com a reportagem, mostrou que houve não só a divisão prévia da obra entre as empresas, mas também o envolvimento de integrantes do governo no esquema de corrupção, já que o desempate e a definição dos vencedores foram feitos pela Valec e pelo Ministério dos Transportes, atribuindo pontos a cada empreiteira. A concorrência terminou anulada.

Em 2011, a Controladoria Geral da União fez uma auditoria nos contratos do Ministério dos Transportes, após o escândalo que levou à demissão do então ministro Alfredo Nascimento. O relatório citou problemas em 12 obras rodoviárias e três ferroviárias, entre elas a Ferrovia Norte-Sul.

Rombo de R$ 127,9 milhões

Em ritmo acelerado, trabalhadores acomodam dormentes para a ferrovia Norte-Sul, no trecho entre
Palmas (TO) e Anápolis (GO), de 855 km – Ailton de Freitas / O Globo

 

Em 2015, o Ministério Público Federal no Distrito Federal entrou com uma ação na Justiça pedindo a condenação de três dirigentes da empresa pública Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A e pedindo também o ressarcimento de R$ 127,9 milhões aos cofres públicos.

O dinheiro, atualizado até 2013, referia-se a supostas fraudes ocorridas na execução de um contrato firmado em 2006 para a realização de obras em um dos trechos da ferrovia Norte-Sul. A estimativa é que tenha havido sobrepreço de 21,15% no custo total da obra.

A ação pedia que fossem responsabilizados pelos desvios o ex-presidente da Valec José Francisco das Neves (Juquinha); Ulisses Assad, que era diretor da empresa; e Cleilson Gadelha Queiróz, que era presidente da Comissão de Concorrência.

Segundo o processo, eles “promoveram a execução de contrato nulo, viciado, e desviaram em proveito da construtora”. O Ministério Público também cobra os valores da empresa CR Almeida S/A Engenharia de Obras, contratada para realizar a obra, e do ex-diretor Aloysio Braga Cardoso da Silva.

Licitação direcionada

O trecho que foi alvo das irregularidades fica em Tocantins, entre Aguiarnópolis e Palmas. O valor da obra foi estimado em quase R$ 127,9 milhões, mas, de acordo com apurações preliminares, R$ 40,5 milhões deste total teriam sido desviados em benefício da CR Almeida, vencedora da licitação. No documento enviado à Justiça Federal, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes diz que há provas das fraudes – por isso, pede que o contrato seja anulado por completo.

Segundo as apurações iniciais, houve irregularidades na fase da concorrência. Uma deles é o fato de a comissão ter adotado exigências de qualificação que direcionaram o resultado da licitação de forma favorável à CR Almeida. Há indícios de que houve combinação prévia entre os concorrentes para que cada uma das empresas concorrentes vencesse um dos trechos licitados. Um dos indícios é o de que havia sete concorrentes e todos venceram a concorrência, cada um em um trecho.

Outro problema citado nas investigações é a CR Almeida ter subcontratado outras duas empresas para realizar as obras, mesmo sem autorização para isso. Segundo os peritos, a CR Almeida recebeu dos cofres públicos mais que o dobro dos valores pagos às companhias subcontratadas para executar parte do contrato.

Fonte: O Globo, 26/05/2017

 

 

 

 

ANTT aprova aditivo ao contrato da FCA

A Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que tem a mineradora Vale como acionista indireta, informou nesta quinta-feira que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou o quarto termo aditivo ao contrato de concessão da empresa.

Conforme a FCA, o aditivo foi firmado em razão da alteração pelo governo do escopo do Programa de Investimento em Logística (PIL), o que acarretou na renovação pela agência reguladora da autorização para devolução dos chamados trechos operacionais de baixa densidade e rentabilidade, conforme a resolução ANTT 5.101/16, implicando na exclusão no contrato de concessão do anexo sobre a garantia operacional.

Fonte: Valor Econômico, 25/05/2017