Crise na Engenharia Nacional

Dando continuidade ao Ciclo de Debates  com o objetivo de discutir a urgente construção de um projeto de país comprometido com a engenharia brasileira e a soberania nacional, o Crea-RJ contando com o apoio das entidades de engenharia, promove o ciclo de palestras “Crise na Engenharia Nacional”, que aborda questões fundamentais para o crescimento do país, por meio dos encontros de grandes especialistas nacionais.

Auditório Crea-RJ | 5º andar Rua Buenos Aires, 40 – Centro | Rio de Janeiro – 17h.

  • 08/11 – Engenharia, ciência e tecnologia
    Palestrantes: Engenheiro Nelson Maculan e Engenheiro Carlos Alberto Cosenza
    Moderador: Engenheiro Fernando Uchôa

 

  • 22/11 – Sucateamento das empresas de engenharia
    Palestrantes: Engenheiro Pedro Celestino e Engenheiro Francis Bogossian
    Moderador: Engenheiro Clóvis Nascimento

 

  • 29/11 – Infraestrutura
    Palestrantes e moderador (a confirmar)

 

  • 06/12 – Mineração e soberania nacional
    Palestrantes e moderador (a confirmar)

 

Entrada Franca!

Debate entre candidatos à Presidência do Crea-RJ

Com foco na escolha consciente dos eleitores e na transparência do processo eleitoral do Sistema Confea/Crea, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) vai promover uma série de debates com os candidatos à Presidência do Conselho para o triênio 2018-2020.

O primeiro debate acontece amanhã (31/10), das 18h às 21h, na UENF, em Campos.

O Crea-RJ convida todos os profissionais do sistema a participarem deste momento democrático da área tecnológica.

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VLT Carioca prorroga gratuidade de embarque

A gratuidade de embarque na nova Estação Central do VLT Carioca, inaugurada no dia 21 deste mês, foi prorrogada. A concessionária havia anunciado que a cobrança de R$ 3,80 começaria a valer a partir deste sábado, mas voltou atrás e decidiu estender esse prazo “para melhor adaptação da população”. A nova data, porém, ainda não foi definida.

O acesso à estação Central se dá pela rua Senador Pompeu, à esquerda da Praça Cristiano Ottoni e próximo ao portão 6 da Supervia. A nova estação beneficia os passageiros que utilizam a Linha 2, principalmente os que desembarcam de outros meios de transporte na Central do Brasil. No momento, a linha 2 circula de 6h às 20h, da Rodoviária à Praça XV, e de 20h à meia-noite, entre Central e Praça XV.

Quando a cobrança começar a valer, segundo a concessionária, o passageiro poderá fazer a transferência entre as linhas 1 e 2, em até uma hora, sem precisar comprar um novo bilhete. A validação de cartões deve ser feita ao entrar na estação e confirmada no interior das composições para garantir, por exemplo, o direito à integração.

O cartão é de uso individual e pode ser comprado ou recarregado na própria estação. Usuários que não realizarem a validação estão sujeitos à fiscalização e multa conforme legislação municipal.

Fonte: O Globo, 27/10/2017

Ferrovia: O Brasil precisa e merece

Já escrevi em textos passados que o crescimento do transporte ferroviário de carga e de passageiros no Brasil era inexorável. Muita pretensão? Não creio!

Experimentamos, sim, algum crescimento, mas aquém do desejado diante da extensão continental de nosso País e dos dramas da mobilidade das pessoas.

Ainda assim, nossas ferrovias de carga, desestatizadas há 20 anos, mais do que dobraram sua produção no período. As concessionárias privadas discutem agora com a União a renovação antecipada de suas concessões, prevista nos contratos, com a contrapartida de vultosos investimentos (R$ 25 bilhões em 5 anos) que não eram previstos nos contratos originais.

Entretanto, há que se demonstrar à sociedade organizada, representada pelos Tribunais de Contas e pelo Ministério Público, as enormes vantagens de se antecipar tais renovações, flagrantes a nosso ver.

Primeiramente, porque os investimentos ora propostos não serão obrigatórios sem as renovações, o que ensejará esperarmos 10 anos sem que os benefícios dos investimentos imediatos venham a surtir efeito antecipadamente. Em segundo lugar, os valores das outorgas pelos 30 anos adicionais serão reinvestidos no próprio sistema ferroviário, o que não ocorre hoje.

Outros benefícios evidentes serão a alavanca para o inexorável crescimento do setor, através da revitalização da malha centenária existente, da execução de contornos ferroviários urgentes, em nome da segurança das cidades, das duplicações de trechos para o aumento da capacidade de transporte e da velocidade comercial, da renovação da frota de material rodante, com vagões e locomotivas modernos, mais capazes e com maior eficiência energética.

Além da premência em se destravar as amarras das renovações, espera-se que os novos projetos do PPI – Programa de Parcerias de Investimentos do Governo Federal (Ferrogrão e Ferrovia Norte-Sul principalmente) também contribuam para que o transporte ferroviário de carga ajude no crescimento do País.

Outro projeto maduro, no âmbito de passageiros, é o Trem InterCidades (TIC) do Governo do Estado de São Paulo, entre São Paulo e Americana inicialmente, que resgatará o transporte ferroviário de passageiros de média distância, que chegou a movimentar 100 milhões de passageiros por ano nas décadas de 60 e 70.

Dentre suas inerentes vantagens, destacamos uma que, em nossa opinião, não deveria postergar mais sua implementação, qual seja, a segurança deste meio de transporte. Dados alarmantes, divulgados em 20/09/2017 pelo O Estado de São Paulo, a partir de cálculos realizados pela Fundação SEADE e pelo Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, mostram que “foram registrados em 2016 quase 70 mil acidentes de trânsito nas rodovias paulistas, que resultaram num custo de R$ 4,9 bilhões à economia do Estado de São Paulo”.

Este custo representa quase que o mesmo valor do investimento previsto para o trecho São Paulo a Americana (R$ 5,4 bilhões).

Perguntamos, então, o que estamos esperando?

Fonte: Abifer, 30/10/2017

Torcedores depredam trens no Rio de Janeiro

Trens extras da SuperVia foram depredados por torcidas organizadas, no sábado (28/10). Antes do jogo entre Vasco e Flamengo, um trem do ramal Japeri com destino à estação São Cristóvão teve sete janelas arrancadas. Após o jogo, torcedores arrancaram seis janelas do trem extra para Santa Cruz. Uma torcida organizada do Vasco, ao passar pela estação São Francisco Xavier (ramal Deodoro), também depredou lixeira e uma porta que dá acesso à plataforma elevatória instalada para uso por pessoas com mobilidade reduzida.

O equipamento precisou ficar inoperante durante uma hora, enquanto técnicos da SuperVia realizavam os reparos imediatos na porta. Já no domingo (29/10), após o jogo entre Fluminense e Bahia, uma janela foi arrancada do trem extra que seguia para Saracuruna.

Este ano, já foi registrado um total de 11 casos de vandalismo em trens e estações durante deslocamento dos torcedores em jogos de futebol.

A SuperVia valoriza essa grande paixão nacional e apoia a realização dos jogos reforçando a operação dos trens após as partidas, com o objetivo de garantir maior conforto dos passageiros. No entanto, a empresa lamenta que ações de pequenos grupos causem transtornos aos demais passageiros.

 

A concessionária registra todos os casos nas delegacias para que sejam tomadas as devidas providências. Vale ressaltar que a segurança pública é uma atribuição do governo estadual, que atua por meio dos seus grupamentos militares. Apesar disso, a empresa apoia o trabalho da PM, realizando operações em dias de jogos e treinando a equipe para monitorar e acionar o policiamento sempre que necessário.

Fonte: SuperVia, 30/10/2017

Falhas disparam em linhas novas, e metrô de SP tem pane a cada 3 dias

Duas das três linhas mais novas e modernas do metrô paulista tiveram disparada de falhas neste ano e ajudaram a rede a atingir a maior marca de panes desta década.

Os problemas nas linhas 5-lilás (Capão Redondo-Brooklin), administrada pelo governo estadual, e 4-amarela (Butantã-Luz), a cargo da iniciativa privada, ocorrem às vésperas de elas receberem uma nova avalanche de passageiros devido à entrega de estações final do mandato de Geraldo Alckmin (PSDB).

Na linha 5, ocorreram entre janeiro e setembro deste ano 21 falhas graves, contra 3 em igual período de 2016, de acordo com informações obtidas pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação.

Esses dados são chamados internamente de “incidentes notáveis” e incluem apenas as panes que geram transtornos aos passageiros e que duram mais de cinco minutos.

A gestão Alckmin, que pretende conceder a operação da linha 5 à iniciativa privada, atribui a disparada de falhas à implantação de um sistema de modernização –que deveria melhorar os serviços.

Esse sistema, que controla a circulação dos trens, é batizado de CBTC e foi comprado em 2008 pelo governo do Estado. Deveria estar totalmente implantado desde 2010.

Em tese, a nova tecnologia deveria permitir acompanhar a posição dos trens com maior precisão, levando à redução do tempo de espera pelos passageiros do metrô.

Alckmin planeja entregar mais sete estações da linha 5 até 2018, elevando a quantidade de passageiros nos próximos anos da casa de 260 mil para mais de 800 mil por dia.

O tucano tentará disputar a Presidência da República pelo PSDB no ano que vem –para isso, trava embate dentro do partido com João Doria, prefeito de São Paulo.

 

NOVOS TRENS

 

Na linha 4, que é operada pela concessionária ViaQuatro, as panes significativas saltaram de 8, em 2016, para 15, em 2017 –sempre na comparação entre os primeiros nove meses de cada ano.

Neste caso, a empresa inclui os casos em que há interrupção do serviço por tempo acima de três intervalos entre trens (que costuma ser de até três minutos em dias úteis e pode passar de cinco minutos aos domingos e feriados).

A ViaQuatro culpa os testes com novos trens. A linha deve receber três novas estações entre dezembro deste ano e julho de 2018: Oscar Freire, Higienópolis-Mackenzie e São Paulo-Morumbi.

 

CONTAGEM

 

As linhas 4 e 5 foram inauguradas neste século (2010 e 2002, respectivamente), enquanto as mais antigas, 1-azul e 3-vermelha, foram entregues na década de 1970.

Além dessas falhas classificadas como “incidentes notáveis”, existem outras de menor impacto, que afetam os usuários diariamente, mas que não entram nesses critério da contagem oficial.

Em 2017, as panes graves nas seis linhas da rede do metrô chegaram a 93 até setembro –praticamente uma a cada três dias. No ano anterior, foram 80 no mesmo período.

A quantidade de problemas nos primeiros nove meses deste ano é recorde pelo menos desde 2010 –período em que começa a série histórica fornecida pelo Metrô.

Naquele ano, por exemplo, houve 13 falhas do tipo, mas havia só quatro linhas em funcionamento integral –a 4 havia acabado de ser entregue, e a linha 15-prata, de monotrilho, foi aberta em 2014.

 

‘ALTA TEMPORÁRIA’

 

O Metrô, ligado à gestão Geraldo Alckmin (PSDB), e a ViaQuatro, concessionária da linha 4-amarela, afirmam que a alta neste ano do número de falhas graves –chamadas internamente de “incidentes notáveis”– se deve à implantação de novos sistemas de controle de trens e de novos trens em suas linhas.

Por isso, alegam que esse fenômeno era esperado e que as falhas devem diminuir quando as novas estações forem entregues, atraindo maior demanda de passageiros.

“Quando a gente coloca o sistema novo, o número de falhas é um pouco maior até ele se estabilizar”, afirma o diretor de operações do Metrô paulista, Milton Gioia.

Ele se refere à implantação do sistema eletrônico CBTC (Controle de Trens Baseado em Comunicação) na linha 5-lilás, com a intenção de acompanhar a posição dos trens com maior precisão e reduzir os tempos de espera.

O Metrô está iniciando a troca do atual sistema de controle de trens nas linhas 1-azul e 3-vermelha, o que deve se prolongar respectivamente até 2020 e 2021.

 

MANUTENÇÃO

 

O pico das falhas na linha 5 ocorreu entre maio e julho.

O diretor do Metrô nega que a situação possa piorar diante do aumento do fluxo de passageiros com as novas estações que serão entregues.

Diz que, assim como em outras inaugurações, haverá uma etapa de testes com usuários –chamada de “operação assistida”– antes do funcionamento pleno da linha.

“Tudo isso é feito de maneira planejada pelo metrô de São Paulo para garantir segurança para os usuários.”

Segundo Gioia, a maior parte da manutenção da linha 5 é feita pela própria estatal –com exceção de serviços como pintura. No entanto, quando ela for concedida à iniciativa privada, isso será responsabilidade da empresa que assumir a operação.

Enfrentando grave crise orçamentária, a estatal da gestão Alckmin teve no ano passado uma queda significativa de investimentos em operação e modernização.

O diretor do Metrô diz que a quantidade de falhas da rede tem padrão similar ao de outros metrôs do mundo, como Nova York e Londres, que são mais antigos e extensos.

“Os números de incidentes que temos hoje são compatíveis com os números dos maiores metrôs do mundo, todos aceitam até este valor, até um pouquinho mais do que isso.”

 

NOVOS TRENS

 

Mauricio Dimitrov, diretor da ViaQuatro, diz que a alta do índice de falhas na linha 4-amarela se deve à introdução de novos trens no ramal.

Comprados em 2013, os trens estavam parados aguardando a abertura das estações da fase 2 da linha 4 (Oscar Freire e Higienópolis-Mackenzie, por exemplo).

Diante da perspectiva de inaugurar essas paradas no ano que vem, a concessionária diz que começou a colocar novos trens para rodar.

Segundo Dimitrov, nas primeiras viagens dos novos trens é normal constatar falhas. Essa nova remessa apresentou falhas principalmente no controle de abertura e fechamento de portas.

Dimitrov afirma que isso não resulta necessariamente em desconforto ao usuário, já que muitas das ocorrências são contornadas sem que passageiros percebam.

Segundo a concessionária, todos os problemas com os novos trens estão solucionados e não serão um entrave à operação quando as novas estações forem inauguradas.

 

‘LÍDER’

 

Com a disparada das falhas de 2016 para cá, a linha 5-lilás se tornou a mais problemática proporcionalmente ao número de passageiros –e não só devido aos trens.

Em média, de janeiro a setembro, foram 8,4 panes graves a cada cem mil usuários. Em segundo lugar nesta conta está a linha 1-azul, a mais antiga do metrô, com 2,3 falhas por cem mil passageiros. Já a linha 4-amarela teve índice de 2,2 –muito acima da marca de 1,2 no ano anterior.

A linha 5 também teve outros problemas além das panes, mesmo após a entrega de três novas estações em setembro: Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin, que adicionaram 2,8 km.

Isso porque as inaugurações foram feitas sem que as obras de acabamento tivessem sido finalizadas.

Infiltrações, vazamentos, vidros estilhaçados e elevadores em manutenção ou quebrados foram falhas encontradas nas paradas.

 

EMERGÊNCIA

 

No trecho entre as estações Capão Redondo e Adolfo Pinheiro, houve falhas no sistema de controle uma semana depois de inaugurado, e a empresa teve de acionar um plano de emergência, que deu auxílio com 30 ônibus.

A linha apresentou também problemas nos sistemas de tração, pneus e sinalização e controle de portas, segundo um outro relatório obtido pela reportagem, que mostra a quantidade de vezes em que as equipes de manutenção foram acionadas para resolver problemas na rede metroviária.

Segundo esse relatório, as estações do sistema que mais apresentaram falhas desde 2012 são Sacomã (linha 2-verde), Santana (1-azul) e Luz (1-azul, 4-amarela e CPTM).

Fonte: Folha de São Paulo, 27/10/2017

CBTU faz campanha educativa para alertar sobre passagem do VLT

A CBTU [Companhia Brasileira de Trens Urbanos] iniciou, nesta quinta-feira (26), a campanha educativa para orientar motoristas e pedestres nos locais por onde passarão o VLT [Veículo Leves sobre Trilhos] na região central de Maceió até o bairro de Jaraguá. A atividade acontece na Praça dos Palmares, até as 11h, e no cruzamento da Rua Barão de Penedo, no período da tarde. Também há ação na Rua Buarque de Macêdo.

O superintendente da CBTU em Alagoas, Marcelo Aguiar, informou que serão cinco dias de alerta, com panfletagem e placas educativas nos sinais para orientar os condutores sobre a operacionalização do VLT.

Nos próximos dias, as ações serão feitas nos cruzamentos da Rua do Imperador com a Rua Marechal Roberto Ferreira, das 11h às 15h, na Avenida Humberto Mendes (Salgadinho) nos dois sentidos, nos cruzamentos das ruas Pedro Paulino e Baptista Acciolly, na Praça 13 de Maceió e Comendador Leão De acordo com o gerente Operacional da CBTU, Fábio Dantas, a nova grade horária entre as estações de Maceió-Jaraguá-Maceió será implementada a partir do dia 06 de novembro, onde os VLTs farão diariamente 38 viagens com intervalos de 30 minutos em horário de pico e 60 minutos durante horário de menor fluxo de passageiros.

Fonte: Gazeta Web, 26/10/2017

Operação na Providência interrompe circulação do VLT

Um dia após a visita de Madonna ao Morro da Providência, uma operação na comunidade interrompeu a circulação da linha 2 do VLT por quase três horas na manhã desta quinta-feira. Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) e a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Providência, a operação tinha como objetivo checar informações sobre o tráfico de drogas na comunidade.

Ainda de acordo com a UPP, a concessionária do VLT foi avisada da operação e, por questões de segurança, esperou o fim da ação para retomar o funcionamento normal da linha 2.

Segundo a assessoria de imprensa do VLT, o trecho da linha 2 entre a Central e a Rodoviária ficou sem serviço entre 9h30 e 12h20. Durante o período, a linha 2 circulou da Central até a Praça XV.

MPF entra com ação para preservar patrimônio ferroviário em Minas

O Ministério Público Federal em Divinópolis, Oeste de Minas, entrou com ação civil pública contra órgãos do governo federal e concessionária para que adotem medidas de proteção de estações ferroviárias na região Centro-Oeste do Estado.

Na ação, o MPF exige que Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a concessionária Centro Atlântica façam levantamento de todos os imóveis ferroviários que possuam relevância histórica e cultural. O pedido do MPF também pede que a justiça obrigue os órgãos a realizar manutenções das estações ferroviárias e imóveis.

Segundo a ação assinada pelo procurador Lauro Coelho Junior, diversas estações das linhas ferroviárias Garças de Minas/Belo Horizonte, Angra dos Reis/Goiandira e da antiga estrada de ferro de Paracatu estão em estado de abandono.

Nos trechos estão as estações ferroviárias Formiga e Timboré (em Formiga), Santanense (em Itaúna), Carmo do Cajuru e Angicos (em Carmo do Cajuru), Garças de Minas (em Iguatama) e Tigre e Tapiraí (em Tapiraí). Além de imóveis localizados em Pará de Minas.

Na ação, o procurador anexou fotos que mostram a situação das estações. Em Formiga, por exemplo, na estação Timboré, parte do telhado caiu e o mato alto toma conta do local. Em Santanense, em Itaúna, o mato invadiu o espaço que anteriormente funcionava como estação ferroviária.

Não cuidar desses bens é relegar as próprias origens dos municípios e desprezar a história do desenvolvimento do Brasil, considerando que o ciclo ferroviário se constituiu de uma malha com permeabilidade por todo o território nacional, sendo um importante vetor do desenvolvimento econômico e social nacional”, explica o procurador.

‘Jogo do empurra’

A investigação do MPF começou em 2009. Para o procurador, há um verdeiro “jogo do empurra” entre os órgãos e a concessionária. “Quase sempre, um imputou a outros a responsabilidade pela conservação dos bens culturais, tendo como pano de fundo a indefinição da condição de operacional ou não operacional de parcelas significativas do patrimônio da extinta Rede Ferroviária Federal”, diz em trecho da ação.

A reportagem enviou e-mail para o Dnit na tarde desta terça-feira (24), mas não obteve retorno até o momento.

Fonte: O Tempo, 24/10/2017

Programa de concessões pode gerar 125 mil vagas

Os investimentos em infraestrutura são fundamentais não só para garantir maior crescimento à economia brasileira no longo prazo, mas também podem ajudar na reação já em curso da atividade. Segundo levantamento da consultoria The Boston Consulting Group (BCG) divulgado com exclusividade ao Valor, os projetos incluídos atualmente no portfólio de concessões do governo federal têm potencial para criar 124,8 mil empregos, sendo 41,9 mil destes diretos.

As concessões mais atrativas considerando esse critério são as de rodovias e ferrovias, que podem gerar 20 mil e 17 mil postos de trabalho diretos, respectivamente. Colocando na conta as vagas indiretas, o número de ocupações que podem ser abertas sobe para 60 mil na primeira modalidade e 50 mil na segunda.

Esse não é o único enfoque que deve ser analisado para priorizar e selecionar projetos, diz Thiago Cardoso, diretor do BCG. Na atual situação econômica do país, porém, existem motivos para se atribuir uma importância maior ao potencial de geração de empregos. “Historicamente, muitos projetos foram escolhidos com vieses políticos, pouco transparentes. Propomos uma priorização mais objetiva”, diz.

Com base em metodologia desenvolvida para um projeto em vários países da África, a estrutura proposta pela consultoria tem dois eixos principais para orientar a prioridade dada aos investimentos. O primeiro deles é seu impacto na sociedade, que avalia a população afetada, a capacidade de criação de postos de trabalho e de contribuição positiva para o desenvolvimento social. Ainda nesse quesito, são observados também o efeito de desafogamento dos projetos, seu impacto no PIB, a possível redução de custos para os usuários e, ainda, o potencial de contribuição para as receitas do governo.

No segundo enfoque – chamado pela consultoria de “viabilidade” – são considerados a sustentabilidade financeira dos projetos e a viabilidade de implementação, que é influenciada pela facilidade de realização e o interesse dos potenciais investidores. “Em geral, o peso de cada critério irá variar de acordo com o contexto de cada país. Por exemplo, na atual situação econômica do Brasil, há motivos para se atribuir uma importância maior ao potencial de geração de empregos”, aponta o BCG no estudo.

Aplicando a abordagem criada para concessões de ferrovias, a construção ao acesso ao Porto de Santos, a conclusão do projeto do Ferroanel, em São Paulo, e da Ferrogrão, ferrovia concebida para escoar a safra de grãos do Mato Grosso para os portos da região Norte, deveriam ser priorizados em função de seus impactos sociais e econômicos. De acordo com a consultoria, esses três projetos podem gerar um número estimado de 20 mil postos de trabalho.

Outro aspecto mencionado pelo BCG no estudo é o número de ocupações que podem ser abertas por bilhão investido. Nessa análise, os investimentos mais eficientes seriam em portos marítimos, que têm potencial para gerar 5,1 mil vagas por R$ 1 bilhão gasto, seguidos de hospitais (4,5 mil vagas), óleo e gás (4,2 mil vagas), aeroportos (3,9 mil vagas).

É preciso considerar, ainda, a qualidade dos postos de trabalho gerados por cada projeto. Em artigo publicado no início do ano, o BCG e a CG/LA Infraestructure concluíram que portos marítimos, hospitais e aeroportos são os investimentos mais vantajosos sob esse aspecto, uma vez que geram empregos mais duradouros, como a operação e manutenção do ativo durante seu tempo de vida útil.

Já no caso de rodovias e ferrovias, que têm maior capacidade de criação de vagas, a sustentabilidade desses empregos é mais reduzida, aponta o BCG. “A maioria da força de trabalho é demitida após a conclusão do projeto de construção, que exige menos pessoas para sua operação e manutenção”, afirma o estudo.

Se os projetos com maior índice de empregabilidade fossem priorizados, certamente a taxa de desemprego – que era de 12,6% nos três meses encerrados em agosto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE – diminuiria, diz Cardoso. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que a construção civil e a infraestrutura respondem por aproximadamente 10% dos empregos no Brasil, destaca.

“Nosso apelo é que as decisões nesses investimentos não podem ser precipitadas. É preciso uma metodologia de seleção mais robusta”, resume o diretor. O Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal trouxe vantagens porque deu maior transparência ao processo e abriu um diálogo maior com o setor privado, afirma, mas seu foco é apenas em projetos de curto prazo.

“O hiato de infraestrutura no Brasil é tão grande que precisamos fazer projetos urgentes, mas a dúvida que fica é como será o planejamento de longo prazo nessa área. Aí, o governo vai precisar ter uma metodologia de seleção”, disse Cardoso.

Fonte: Valor Econômico, 25/10/2017