Ribeirão Pires inicia processo de adequações no museu ferroviário

O Museu Ferroviário João Evaristo de Abreu Duarte, em Ribeirão Pires, recebe reestruturação administrativa. O objetivo é adotar medidas técnicas e mecanismos de gestão recomendados pelo Ibram e pelo Sisem (Sistema Estadual de Museus), seguindo os marcos da política nacional de museus.

As adequações estão sendo realizadas pela Prefeitura da de Ribeirão Pires, por meio da Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico e do Catp (Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio). As melhorias têm por objetivo aproximar o público do local. Durante o período de ajustes, o museu estará fechado para visitação.

O local será o primeiro museu ferroviário da região a ter instalações de ferromodelismo, com maquetes que respeitam a escala. O Museu Ferroviário João Evaristo de Abreu Duarte será um equipamento de difusão, com foco em ações educativas, transmitindo a história e importância da ferrovia para o desenvolvimento do município e da região.

Até a reativação do local, a Prefeitura também prevê a criação do conselho gestor, formado majoritariamente por ferroviários, para a condução do museu por meio de gestão participativa.

Inaugurado em 2016, o Museu Ferroviário João Evaristo de Abreu Duarte é o segundo deste segmento na região.

Fonte: Diário do Grande ABC, 27/04/2018

Dia 30 de Abril – Dia do Ferroviário

A Aenfer parabeniza a todos os ferroviários que fazem a diferença, que acreditam na ferrovia brasileira, contribuindo e incentivando pelo crescimento do transporte sobre trilhos, de cargas e de passageiros.

A PRIMEIRA FERROVIA DO BRASIL

O grande empreendedor brasileiro, Irineu Evangelista de Souza, (1813-1889), mais tarde Barão de Mauá, recebeu em 1852, a concessão do Governo Imperial para a construção e exploração de uma linha férrea, no Rio de Janeiro, entre o Porto de Estrela, situado ao fundo da Baía da Guanabara e a localidade de Raiz da Serra, em direção à cidade de Petrópolis.

O Barão de Mauá, patrono do Ministério dos Transportes, nasceu de família humilde, em Arroio Grande, Rio Grande do Sul. Em 1845, à frente de ousado empreendimento construiu os estaleiros da Companhia Ponta de Areia, em Niterói, iniciando a indústria naval brasileira. Em 11 anos, o estabelecimento fabricou 72 navios a vapor e a vela. Entusiasta dos meios de transporte, especialmente das ferrovias, a ele se devem os primeiros trilhos lançados em terra brasileira e a primeira locomotiva denominada “ Baroneza”. A primeira seção, de 14,5 km e bitola de 1,68m, foi inaugurada por D. Pedro II, no dia 30 de abril de 1854. A estação de onde partiu a composição inaugural receberia mais tarde o nome de Barão de Mauá.

A Estrada de Ferro Mauá, permitiu a integração das modalidades de transporte aquaviário e ferroviário, introduzindo a primeira operação intermodal do Brasil. Nesta condição, as embarcações faziam o trajeto inicial da Praça XV indo até ao fundo da Baía de Guanabara, no Porto de Estrela, e daí, o trem se encarregava do transporte terrestre até a Raiz da Serra, próximo a Petrópolis. A empresa de Mauá, que operava este serviço, denominava-se “Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro Petrópolis”.

A locomotiva “Baroneza”, utilizada para tracionar a composição que inaugurou a Estrada de Ferro Mauá, continuou prestando seus serviços ao longo do tempo e foi retirada de circulação após 30 anos de uso. Foi a primeira locomotiva a vapor a circular no Brasil e transformada, posteriormente, em monumento cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Esta locomotiva, por seu importante papel, como pioneira, constitui pedaço da história do ferroviarismo brasileiro. Foi construída em 1852 por Willian Fair Bairns & Sons, em Manchester, Inglaterra, fazendo, atualmente, parte do acervo do Centro de Preservação da História Ferroviária, situado no bairro de Engenho de Dentro, na cidade do Rio de Janeiro.

Fonte: Dnit

30 DE ABRIL

 

É também para se festejar

Hoje é um dia

para ser celebrado.

É o dia dos ferroviários.

Poder contar com uma AENFER,

que nos faz relembrar

um passado feliz,

que nunca irá apagar

é para se comemorar.

Podem extinguir as empresas,

mas jamais irão eliminar

o espírito de equipe

que nos fez até aqui chegar.

Está aí a AENFER

para comprovar!

Ter uma Associação

que o passado faz resgatar,

defendendo nossos direitos,

promovendo palestras,

reunindo aniversariantes,

promovendo em jornal exemplar

a divulgação de temas

que é de nosso interesse acompanhar,

é também motivo para festejar.

 

Maurício F G de Souza    30/04/2018

Fórum de Mobilidade

A Associação Nacional de Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) realizará o Fórum de Mobilidade ANPTrilhos dia 04 de julho de 2018, em Brasília, com o intuito de debater o futuro dos trilhos na mobilidade urbana brasileira.

Este evento visa reunir os candidatos à Presidência da República para debater as propostas e ações para ampliar a rede de atendimento de transporte sobre trilhos no Brasil, promovendo a ampliação e qualificação da mobilidade urbana nas grandes e médias cidades.

O Fórum de Mobilidade ANPTrilhos é apenas para convidados, mas você pode entrar na lista de espera para uma possível participação. Acesse o link https://goo.gl/vy8H3t e preencha o formulário.

CONHEÇA OS PALESTRANTES DO FÓRUM DE MOBILIDADE

CLIQUE AQUI E INSCREVA-SE

Curso de pós-graduação em Engenharia Ferroviária

A Aenfer informa que a Universidade Estácio de Sá abrirá novas turmas para o curso de pós-graduação em Engenharia Ferroviária. Interessados deverão entrar em contato no site da instituição: www.posestacio.com.br ou pelo telefone 08003782246. Confira o cronograma:

 

Matriz do Curso:

Engenharia Ferroviária

Carga horária: 400hs Público-Alvo: Graduados em Engenharia, Arquitetura, Administração, Logística e Tecnologia. Disciplinas/Conteúdo

  • Sistemas Gerenciais

Política de transportes – Legislação, Normas e Regulação Segurança do Trabalho Logística e Intermodalidade dos Sistemas de transportes Tecnologia da Informação Meio Ambiente

  • Instalações Fixas

Via Permanente Ferroviária Sinalização e Sistemas Especiais Ferroviários Mecânica da Pavimentação Aplicada a Ferrovia Obras de Artes Ferroviárias Rede Aérea  e Subestações e Seccionadoras

  • Material Rodante

Tração Diesel Elétrica e Tração Elétrica  Vagões, Carros de Passageiros e Trem de Unidade  Veículos Especiais e Máquinas Engenharia de Manutenção

Projetos de Engenharia

Gerenciamento de Projetos

  • Operação Ferroviária Planejamento Operacional  Centro de Controle Operacional  Formação de Composição e Sistemas de Licenciamento Prevenção e Atendimento a Acidentes Ferroviários Regulamento Geral de Operações – RGO  • Metodologia da Pesquisa Científica

Visitas Técnicas 

 

Mais informações pelo site: www.posestacio.com.br ou pelo tel 08003782246

SuperVia realiza grande evento na Central do Brasil para quem busca emprego

Nesta sexta-feira (27), a estação Central do Brasil estará mais movimentada. A partir das 8 horas até às 13h, a SuperVia e alguns parceiros realizarão diversas atividades para auxiliar as pessoas que buscam emprego e também aquelas que desejam criar seu próprio negócio e ter uma carreira de sucesso.

A Catho, empresa de recrutamento online, estará presente, analisando currículos e fazendo as observações necessárias. Além disso, um consultor da empresa vai orientar o público sobre carreira profissional. Já quem precisa de um empurrãozinho para encontrar uma vaga de emprego, poderá conversar com representantes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação que vão analisar o perfil dos candidatos por meio do Sistema Nacional de Emprego (SINE).  Caso os participantes se enquadrem nas vagas disponíveis, receberão carta de encaminhamento, já com uma entrevista agendada. O participante que não tiver perfil compatível será cadastrado no banco de mão de obra das empresas participantes.

Durante o evento, também haverá pequenas palestras sobre empreendedorismo e mudanças das novas leis trabalhistas, ministradas por advogados que atuam no canal de vídeos Direito no Popular, voltado à população que quer saber sobre o seu direito de modo descomplicado, simples e prático. O Ministério do Trabalho estará à disposição do público, emitindo carteiras de trabalho. Para a 1ª via, são necessários: CPF, identidade civil original e dentro da validade (não pode ser CNH), certidão de nascimento ou casamento e comprovante de residência. Quem quiser emitir a 2ª via deverá apresentar todos esses documentos mais a carteira de trabalho anterior ou documento oficial com numeração da carteira de trabalho anterior, além do boletim de ocorrência (não é o pré-registro).

Espaço do empreendedor

Além das atividades oferecidas pelas empresas parceiras, a SuperVia vai aproveitar a data para lançar, na Central do Brasil, o “Espaço do Empreendedor”, um projeto piloto que consiste em um quadro para divulgação de oportunidades profissionais nas estações. O objetivo é ceder espaço para os passageiros que sejam pequenos empreendedores divulgarem seus trabalhos. O projeto será um mural colaborativo, onde os passageiros poderão expor seus folhetos e cartões de visitas.

Fonte: SuperVia, 26/04/2018

VLT e barcas resgatam história e identidade do Rio

A história das grandes cidades passa pelos seus meios de transportes urbanos. No Rio de Janeiro, os bondes e as barcas ajudaram a moldar a geografia carioca desde meados do século XIX, mudando os limites da cidade e levando transporte de qualidade à população. Hoje, esse legado continua com o VLT, novo sistema de mobilidade sobre trilhos na Cidade Maravilhosa, e com as barcas que há quase 200 anos fazem o trajeto entre a capital e Niterói.

Na década de 1850, a mobilidade sobre trilhos revolucionava o cenário da então capital do Império. As trepidantes e intermináveis viagens de charrete e carruagem estavam sendo substituídas pela rapidez e o conforto dos trens, e a cidade expandia seus limites para o norte e para o oeste, onde uma paisagem dominada por chácaras e fazendas começava a se urbanizar aos poucos.

Foi nesse contexto que surgiram os bondes. Eles foram adotados no início dos anos 1860 – na época, a tração era animal, com os carros puxados por burros. “O modelo da estrada de ferro influenciou as linhas de bondes, porque os trilhos permitiam uma circulação mais simples e eficiente, com mais conforto, mesmo com tração animal”, diz o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Com o tempo, as linhas dos bondes – tanto as mais extensas, ligando o centro da cidade às zonas norte e sul, quanto as mais curtas, fazendo pequenos trajetos – formaram uma malha que se estendeu por todo o Rio. Elas também levaram à ocupação de áreas que eram praticamente intocadas, como o Alto da Boa Vista e a Gávea, e foram decisivas para o planejamento de novos bairros. Foi o caso de Vila Isabel, inaugurada em 1872 e projetada com base no acesso dos bondes. “A ideia do transporte coletivo fazendo a expansão da cidade teve no bonde o seu elemento fundamental”, diz Cavalcanti.

No fim do século XIX, chegavam os bondes elétricos, e aí a revolução sobre trilhos se acelerava. A urbanização de bairros como Copacabana e Ipanema, por exemplo, teve nos bondes elétricos um fator decisivo. Em Santa Teresa, o bondinho chegou em 1896, dominando o imaginário dos moradores e dos turistas que visitam a localidade até os dias de hoje.

Mudanças culturais também surgiam com base nisso: as mulheres passaram a sair de casa e andar com mais frequência entre as multidões, enquanto os usuários de diferentes localidades compartilhavam os meios de transporte e desenvolviam novas formas de convivência.

Grandes autores brasileiros escreveram artigos, crônicas e poemas sobre os bondes e as transformações que causavam. Um deles foi Machado de Assis, um dos maiores nomes da literatura do país. Em um texto publicado em 1883, ele elaborou um “manual de etiqueta”, cheio de ironia e bom humor, em que fazia sugestões de bons modos às pessoas que usavam os serviços, desde dicas para disposição das pernas até a maneira correta de tossir e pigarrear no coletivo.

 

Retomada de uma tradição

 

Em 1924, o Rio tinha 641 bondes elétricos e 93 de carga, convivendo ainda com os bondes puxados a burro, que sobreviveram, em alguns pontos da cidade, até quase o fim dessa década. Até 1963, quando a Light entregou ao Estado da Guanabara todo o serviço de carris urbanos, a capital contava com uma malha eletrificada de 400 km, distribuídas ao longo de 67 linhas.

“O bonde foi por muitas décadas considerado como um símbolo da cidade litorânea, um espaço onde tudo podia acontecer”, afirma Djadjingu Quaresma Cardoso Pimentel Neto, analista de patrimônio histórico da Light, empresa que administrou os bondes do Rio. “Durante esse tempo, ele era o transporte coletivo por excelência, que permitia a qualquer pessoa se locomover de qualquer ponto da cidade.”

Na década de 1950, no entanto, os bondes começaram a cair em desuso. O Brasil começava a implementar sua indústria automobilística, e o transporte sobre trilhos dava lugar aos ônibus. Nesse contexto, com o congestionamento cada vez maior nos centros urbanos, os bondes eram vistos como lentos, atravancando a mobilidade. Na capital fluminense, os serviços foram extintos no fim da década de 1960.

Agora, com a busca por uma mobilidade mais eficiente e sustentável, o transporte urbano sobre trilhos volta a ter uma opção na região central do Rio. O VLT Carioca, inaugurado em junho de 2016 – 120 anos depois da inauguração do bondinho de Santa Teresa -, é um herdeiro dos antigos bondes, guardando semelhanças com seus “antepassados”.

Pimentel Neto, da Light, vê o VLT como uma retomada desse legado. Uma das principais semelhanças entre os bondes antigos e o novo sistema, para ele, é o trajeto. “Durante as obras do VLT, foram encontrados trilhos dos antigos bondes. Em alguns pontos, ele vai fazer o mesmo caminho feito 160 anos atrás”, afirma.

O diretor de Operações do VLT Carioca, Paulo Ferreira, concorda que o modelo atual é “descendente” dos bondes, mas ele vê diferenças importantes em termos de operação e tecnologia. O VLT é controlado eletronicamente, possui sistemas modernos de segurança e não conta com catenárias (fiação aérea). “Hoje em dia há também uma quantidade maior de pessoas, veículos e interferências em geral nas ruas”, afirma.

Ferreira sabe que, até chegar ao alcance que os bondes tiveram em seu auge, há um caminho longo a percorrer. “Mas acreditamos que a entrega e a percepção de um bom serviço são fundamentais para a consolidação a longo prazo. Hoje, temos uma resposta positiva do usuário, com índice de aprovação de 92%”, diz o diretor do VLT Carioca.

 

Barcas: 180 anos de mobilidade

 

Outro sistema de transporte de massa que se mantém vivo no Rio são as barcas que fazem há quase 200 anos o transporte entre a capital e Niterói. O primeiro serviço regular de navegação entre a antiga Corte Imperial e a cidade vizinha foi inaugurado em 14 de outubro de 1835, se tornando o mais importante meio de transporte do Rio no século XIX. Ele teve papel fundamental na expansão de Niterói, São Gonçalo e outras localidades, e foi a única opção viável de deslocamento para muitos trabalhadores até a inauguração da Ponte Rio-Niterói, em 1974.

Nesses mais de 180 anos, diversas embarcações foram utilizadas, cada uma sendo um exemplo das novidades tecnológicas de sua época. Os primeiros barcos, movidos a vapor e com rodas laterais externas, deram lugar a embarcações com hélices. Mais tarde, elas foram substituídas por lanchas de motores a gasolina, no lugar das fornalhas de carvão. Outros modelos fizeram parte dessa evolução, até a entrada em operação, em 2015, do catamarã US 2.000 e da barca Inace 500.

Desde 2012, o serviço conta com melhorias implementadas pela CCR Barcas, empresa que adquiriu a concessão do transporte. Entre elas, estão o reforço da frota com quatro embarcações modernas, obras de manutenção e reforma de infraestrutura, a inauguração de novas estações – como a Praça Arariboia, em outubro de 2013 – e a adoção de novos sistemas, como o Headway, que gerencia os intervalos entre viagens e dá informações mais precisas sobre os tempos de partidas aos passageiros.

Fonte: G1, 24/04/2018

Tertúlia poética ferroviária

Em homenagem ao dia do ferroviário e aos 164 anos de ferrovia no Brasil, comemorados oficialmente em 30 de abril, a Academia Ferroviária de Letras – AFL convida poetas e escritores para participarem da Tertúlia Poética com temática ferroviária.

Na oportunidade, serão homenageados, in memoriam, e entregues troféus aos familiares do presidente perpétuo da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária – AFPF Luiz Octávio e o fundador da AFL, professor Victor José Ferreira, por terem lutado incansavelmente pela preservação da ferrovia brasileira.

O evento será realizado no dia 26 de abril (amanhã) às 15 horas

Local: Sala Vip da Estração Trem do Corcovado

Rua: Cosme Velho, 513 – Cosme Velho

Dia 03 de maio acontece o VII Brasil nos Trilhos

No próximo dia 03 de maio acontece em Brasília um dos mais importantes eventos do setor ferroviário de cargas brasileiro: o VII Brasil nos Trilhos. Idealizado pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) e OTM Editora, o seminário coloca em pauta os principais projetos do setor na agenda dos governos federais e estaduais.

Estão confirmadas a participação do ministro dos transportes, Valter Casimiro Silveira; do diretor-geral da ANTT, Mario Rodrigues; do presidente da MRS Logística, Guilherme Mello; do diretor-presidente da Rumo Logística, Julio Fontana Neto; do presidente da VLI, Marcelo Spinelli; do diretor-presidente da Ferrovia Transnordestina, Sergio Leite; do secretário de coordenação de projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Tarcísio de Freitas; do presidente da EPL, José Carlos Medaglia Filho; e do diretor da ANTT, Sergio de Assis Lobo.
O presidente da ABIFER, Vicente Abate, participará do encerramento do evento ao lado do presidente do conselho da ANTF, Gustavo Bambini.

Confira a programação completa neste link.

Apesar do prazo apertado, governo ainda crê no leilão de ferrovias em 2018

O governo crê na possibilidade de leiloar, ainda em 2018, as ferrovias Norte-Sul, Ferrogrão e Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), afirmou ao G1 o secretário especial da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Vasconcelos.

Segundo ele, após os ajustes feitos nos estudos da Norte-Sul, o governo espera que o Tribunal de Contas da União (TCU) libere a publicação do edital do leilão desta ferrovia ainda em maio. Se isso se confirmar, o edital deve ser publicado ainda em maio ou no máximo em junho.

Os estudos da Norte-Sul foram encaminhados ao TCU em março e serão analisados pelo ministro Bruno Dantas. Depois disso, o parecer do ministro terá que ser votado pelo plenário da corte, o que não há previsão para acontecer.

Apesar de não ser obrigatório, o governo tem aguardado o aval do TCU para publicar editais de leilões.

A medida é para dar segurança jurídica ao processo e evitar, por exemplo, o que ocorreu com o leilão de óleo e gás realizado no final de março – o tribunal não foi ouvido antes sobre o edital e acabou, às vésperas do leilão, determinando a retirada dos dois blocos mais vantajosos.

“Depois que sair o edital da Norte-Sul, as outras deslancham com mais facilidade. As avaliações no TCU devem ser semelhantes e, no caso da Ferrogrão, a análise será mais rápida, já que a ferrovia não tem nenhum recurso público”, avaliou Vasconcelos.

O secretário especial do PPI voltou de uma viagem à China onde conversou com investidores. Segundo ele, os chineses manifestaram interesse pelas três ferrovias.

“O conflito comercial da China com os Estados Unidos vai beneficiar a parte de logística do Brasil. A China vê cada vez mais no Brasil um parceiro e tem a questão da segurança alimentar, com o transporte de grãos para os portos”, afirmou.

Para Adalberto Vasconcelos, por se tratar de investimentos de longo prazo, os leilões de ferrovias não devem sofrer efeitos do período eleitoral, o contrário do que preveem especialistas do setor.

Segundo Vasconcelos, os investidores que atuam nesse setor estão mais preocupados com segurança jurídica e experiência do país com outras concessões.

Os projetos

 

Saiba o que preveem os projetos para as três ferrovias:

 

NORTE-SUL – O projeto prevê a concessão de 1.537 quilômetros entre Porto Nacional (TO) e Estrela d’Oeste (SP), e o lance mínimo previsto nos estudos enviados ao TCU é de R$ 1,097 bilhão, por uma concessão de 30 anos. Entre as empresas que já manifestaram publicamente a intenção de disputar o leilão está a RZD, empresa ferroviária da Rússia. “Vamos ter os russos. A Vale é natural que entre, e eu acho que a Rumo [Logística] vai entrar. E nós teremos também os chineses”, afirmou Vasconcelos.

FERROGRÃO – O projeto prevê a construção de 933 quilômetros de linhas de ferro e o governo estimou uma outorga mínima de R$ 0,01, já que a ferrovia terá que ser toda construída pela concessionária. O trecho vai do Mato Grosso a Miritituba (PA). A concessão da Ferrogrão será de 65 anos. Segundo Vasconcelos, por se tratar de uma ferrovia que deve ser totalmente construída e que não tem dinheiro público aplicado, a análise do TCU será mais simples. A projeção é entregar os estudos para o tribunal em maio e publicar o edital no terceiro trimestre, com o leilão no quarto trimestre de 2018. Por ser um projeto maior, o governo não espera concorrência no leilão. Segundo o secretário especial do PPI, o leilão deve contar com um consórcio formado pelas empresas que intermediam o comércio entre os produtores de grãos e os compradores nacionais e internacionais e outros parceiros.

FIOL – O trecho da Fiol que o governo pretende conceder em 2018 tem 537 quilômetros e liga as cidades de Ilhéus a Caetité, ambas na Bahia. Mais de 70% desse trecho já foi concluído, e a modelagem deve ser semelhante à usada na Ferrovia Norte-Sul. Para maio, afirmou o secretário, o governo deve abrir a consulta pública para os estudos, com publicação do edital prevista para o terceiro trimestre de 2018 e leilão no final de 2018.

Fonte: G1, 21/04/2018