Abraço à Estação Leopoldina pede recuperação de imóvel tombado

Em uma tentativa de chamar atenção para o estado de precariedade do prédio da Estação Leopoldina, no Centro, a Sociedade Memorial Visconde de Mauá organizou um abraço simbólico, na manhã desta quinta-feira, à estrutura inaugurada em 1926 e tombada pelo Iphan. Após o incêndio no Museu Nacional, a preservação do patrimônio nacional foi a principal bandeira levantada pelos presentes. Nesta terça-feira, O GLOBO mostrou que a estação está coberta de pichações e com pedaços de reboco soltos. Laudo feito pela Polícia Federal no ano passado afirma que há “risco iminente de arruinamento ou desmoronamento de partes do imóvel”.

Entre os participantes, estava Eduardo André Chaves Nedehf, tetraneto de Visconde de Mauá, considerado pioneiro da ferrovia no Brasil, e historiador. Ele conta que o prédio da Leopoldina tem danos em toda a estrutura. E alerta, ainda, que há o risco de desabamento.

— Aqui o perigo não e só a instalação do museu ferroviário, mas de todo o prédio cair mesmo. Estão tirando o que sobrou para tentar preservar o patrimônio — explica Nadehf. — A peça que está na fachada, feita de bronze e aço, está para cair a qualquer momento. É um risco para quem transita pela área.

O historiador relembra que obras da Estação leopoldina também foram perdidas no incêndio do Museu Nacional.

— No Museu Nacional, perdemos dois espelhos que emprestamos. Meu primo emprestou dois lustres, que eram da sala dos embaixadores, e também foram perdidos.

Eduardo Lafayette, geógrafo e membro da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), também estava no abraço simbólico. Ele lamenta que o prédio da Leopoldina está abandonado, e diz que existe potencial para que as linhas de trens que ligam cidades do estado fossem reativadas.

— O Museu Nacional, que aparentemente tinha a estrutura um pouco melhor que a da Leopoldina, pegou fogo. A situação aqui é bastante delicada. É lamentável que a construção esteja tão abandonada — lamenta Lafayette. — Esse prédio, sendo revitalizado, pode ter um espaço para museu que iria contar a história do passado ferroviário, e ser um ícone para reorganizar o sistema ferroviário no estado, o qual está abandonado.

ESTAÇÃO CORRE O RISCO DE DESMORONAMENTO

Como O GLOBO noticiou, a antiga Estação Barão de Mauá, conhecida como Estação Leopoldina, está coberta de pichações e com pedaços de reboco soltos, o que hoje transforma o local em um patrimônio em ruínas. As condições do prédio, inaugurado em 1926 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foram detalhadas num laudo feito pela Polícia Federal no ano passado.

A perícia constatou que há “risco iminente de arruinamento ou desmoronamento de partes do imóvel”. As áreas mais degradadas estão no edifício anexo: o hall de entrada e a escada de concreto encontram-se em “estado avançado de comprometimento estrutural”, segundo os peritos. De acordo com o laudo de 20 páginas, o colapso da escada “pode atingir ou lançar escombros” sobre o prédio principal. Além disso, há risco de queda de revestimento sobre quem passa na calçada. O edifício histórico tem ainda risco de incêndio.

Fonte: O Globo, 20/09/2018

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