Artigo – A estação de JAPERI – histórico e depreciação

A expansão ferroviária na região sudeste se iniciou com a linha que fazia parte da E. F. Dom Pedro II, que a partir de 1889 passou a se chamar E. F. Central do Brasil. O primeiro trecho foi entregue em 1858, da estação Dom Pedro II até Belém (Japeri). Mais tarde subiu a serra das Araras, alcançando Barra do Piraí em 1864. Daqui a linha seguiria para Minas Gerais e sonhava em partir para Belém do Pará. Deste modo deu-se início à malha ferroviária brasileira que se destinava a escoar o café do Vale do Paraíba e outros produtos agrícolas voltados para o comércio exterior. Embora esse aspecto econômico fosse preponderante, outros efeitos decorreram do desenvolvimento da infraestrutura ferroviária, como a migração populacional e o crescimento de centros urbanos. É o caso da cidade de Japeri, que se originou no entorno da estação férrea e até hoje mantém uma relação intrínseca com o local.

A ESTAÇÃO: inicialmente denominada Belém, foi inaugurada em 1860. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) o prédio foi construído em 08/11/1858. Embora não totalmente comprovado, especula-se que o inglês Edward Price tenha comandado as obras da estação, feitas com materiais vindos da Europa – não por acaso, o casarão tem características rústicas comuns em construções encontradas no norte do continente europeu.

A partir de 1898 passou a fazer parte da E. F. Melhoramentos, que vinha também do centro do Rio de Janeiro (da estação Alfredo Maia) e seguia, sempre com bitola métrica, para Porto Novo, também galgando a serra do Mar. A Central do Brasil acabou por incorporar essa linha em 1903, alterando seu nome para Linha Auxiliar.

Belém era praticamente a primeira parada do trem para São Paulo ou Belo Horizonte, depois de sair do Rio de Janeiro, sendo que em algumas épocas havia paradas intermediárias, como em Cascadura, Deodoro ou Nova Iguaçu. Entre 1945 e 1947 a estação teve seu nome alterado para Japeri. Mais tarde, passou a ser ali o ponto de partida do trem Barrinha, que transportava passageiros e a produção agrícola da serra para Barra do Piraí, extinto em 1996 depois de um grande desastre com vítimas.

Por ocasião do lançamento dos selos em homenagem às estações Luz, Japeri e São João Del Rei, a revista Ferrovia de julho e agosto de 1984 publicou o seguinte texto sobre a estação Japeri: “O prédio no mesmo estilo das construções usadas no norte da Europa, foi construído na técnica enxaimel, que consiste em estacas ou caibros de madeira constituindo um engradado destinado a receber a vedação de alvenaria de tijolo maciço. O telhado, em telhas francesas originais, é formado de três elementos: o primeiro cobrindo o corpo principal do prédio; os outros dois, em quatro águas com mansardas cobrindo os dois pavimentos superiores que formam os corpos laterais. Os elementos decorativos das fachadas são compostos pela própria estrutura de madeira, formando desenhos geométricos, pelas mãos francesas e pelos apliques em madeira recortada”  (Jorge Alves Ferreira, 2003).

Já em 2009 o velho prédio estava abandonado e, pior, cheio de cupim. O prédio da antiga estação era apenas uma velha fantasia.

Em 2007 a Lei nº.11483 atribuiu ao IPHAN a responsabilidade de receber, administrar e zelar pela monta dos bens móveis e imóveis de valor artístico, histórico e cultural oriundos da nossa querida e saudosa RFFSA. Desde 2010 o prédio integra o Patrimônio Ferroviário daquele Instituto.

Propriedade do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a estação está sob concessão da SuperVia, que investiu cerca de R$ 2 milhões no restauro entre nov/2018 e out/2019, sob a supervisão do IPHAN. Depois disso passou a ser utilizado como escritório para o pessoal da ferrovia.

Segundo o Engº Helio Suêvo, vice-presidente da AENFER, “desde o incêndio a concessionária Supervia só se responsabilizou pelo isolamento do prédio afetado, por questão de segurança. Não é de responsabilidade daquela empresa a sua restauração novamente. Na realidade, a Supervia pouco se importa com essa situação e com outras questões referentes à preservação ferroviária no nosso Município, e posso citar como exemplo a mudança de nome de diversas estações de forma arbitrária, fato que a AENFER já denunciou e de nada adiantou.”

SITUAÇÃO ATUAL

Infelizmente, em 19 de julho de 2020 foi totalmente destruída por um incêndio, o que significa uma perda para a cidade e também para a história do transporte ferroviário no Brasil.

Por seu lado o IPHAN também pouco se importa com o acervo recebido da RFFSA. Aqui na AENFER já havíamos demonstrado esse desapreço pelo patrimônio ferroviário após a liquidação da RFFSA.

Luiz Fernando Dias Aguiar

Conselheiro da Aenfer e membro do Conselho Editorial

FONTES: Site ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DO BRASIL; O Globo de 19/7/2020; Eng Helio Suêvo (AENFER)

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