Artigo – As greves, rodoferroviárias de ontem e de hoje a quem interessar possa

Está na hora de o governo pensar realmente num sistema viário, que inclua o modo ferroviário  como o mais necessário ao País, dada  a sua dimensão de 8 milhões e quinhentos 500 mil km2 e cobrar mais das concessionárias, que mal ou bem resolveriam o  transporte de cargas pesadas em longas distâncias e, paralelamente, com a circulação de trens de passageiros, sem prejuízos outros, ao longo de muitos trechos e suscetíveis de revitalização, amanhã.

Há algumas décadas, o Brasil, praticamente, deixou de ser um País de ferrovias, pois, já chegamos a ter 37 mil quilômetros de linhas, transportando insumos e gente. Em 1996, 28 mil km foram concedidos à iniciativa privada (concessionárias), tão somente para cargas; essas operam apenas 12 mil km.  Cerca de 16  mil km estão ao abandono ou destruídos…

Se os governos tivessem tido pulso de gestão para coibir a destruição de nosso patrimônio, o cenário viário hoje seria, fatalmente, bem diferente ao do que estamos assistindo de prejuízos político-econômico-sociais. Sabe-se, que, mais de 80% de  carga que circulam sobre trilhos, são de acionistas (agroindustriais).

No contexto geral, as exploradoras das  Malhas da extinta RFFSA (SR’s), poderiam ser mais partícipes, pois detêm a exclusividade de melhores trechos concessionados  e,  têm o filé mignon  do transporte de cargas (MRS).

Como analista escrevo mais em tese, nos meus temas, pouco utilizo de estatísticas devido as suas mutações constantes, o que, de certa forma deixa de retratar a realidade de momento.

Os governantes dessas três últimas décadas têm muita responsabilidade pelo que estamos assistindo no movimento dos caminhoneiros. No recente jogo de pedir e conceder, na atual conjuntura, o governo foi mais espaçoso em contrapartida ao retardo às condições normais da vida da sociedade brasileira, a ponto de atingimento das raias do abuso, pelo que, fartamente, obtiveram em suas reivindicações, “no tempo e no espaço”.

Se a operacionalização de  transporte de carga tivesse a logística de até 500 km, por rodovia e acima disso, por ferrovia, afirmo que este caos não teria acontecido. Este estado de coisas repercutirá mais à frente, se continuar a predominância do modo rodoviário sobre o ferroviário. Podem esperar! O governo terá culpa no cartório, como a “figura elipse gramatical,” isto é, se continuar omisso em relação à falta de ferrovias, no País…

Ao tempo das 22 ferrovias, lá pelas décadas de 60, 70 os ferroviários, pelo poder de mobilização chegaram a obter do governo de então, 110% de reajuste salarial, mas  só receberam  30%. Os líderes se deitavam à frente das composições e os trens não circulavam.

As greves por melhores salários eram  justas, mas não causavam tantos e tamanhos prejuízos à sociedade, como esta dos caminhoneiros neste mês de maio de 2018. Vamos pensar BRASIL.

Genésio Pereira dos Santos, Advogado/Jornalista/Escritor/Ferroviário aposentado e associado da Aenfer.

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