Artigo: Helio Suêvo, grande ícone da Engenharia Ferroviária

A partir de 1975, o quadro de engenheiros da extinta Rede Ferroviária Federal S.A.-RFFSA foi enriquecido com a admissão de um jovem competente, que, logo, logo, se tornaria um talentoso profissional: Hélio Suêvo Rodriguez. De lá para cá, nesse lapso de tempo, o meu personagem neste artigo, cresceu e amealhou um rico e extenso currículo e só veio a somar técnica ao modo ferroviário e por onde passou. Falar dele é difícil e fácil ao mesmo tempo, como pessoa, dadas as suas características de cidadão contribuinte-eleitor e de fácil trato profissional e social.

Pode-se dizer que o “lifestyle” profissional é algo diferenciado. Há décadas, foi trazido para o Movimento de Preservação Ferroviária-MPF, pelo saudoso professor Victor José Ferreira,  o maior instituidor de todos os tempos, no modo ferroviário. Na composição do MPF, Suêvo ocupa o cargo de Diretor Técnico, função que, até hoje, exerce com rara competência.

Hélio vestiu a camisa e foi inspirador de vários projetos para o Movimento, que foram seguidos fielmente, na busca de obter-se a volta dos trens de passageiros e de turismo no Estado do Rio e, via de consequência, no Brasil. Por todo esse lapso temporal, luta com todas as suas forças a fim de que se concretize. Ao lado de uma plêiade de outros abnegados ferroviários e ferroviaristas, não poupa energia e esforço. Nessa “estrada,” enfrentou dissabores em razão de não ter encontrado efetiva manifestação positiva por parte das autoridades, ávido para que os objetivos colimados se tornassem exequíveis.

Aposentado da RFFSA, Suêvo dedica-se de corpo e alma aos trabalhos de consultoria técnica em superestrutura de via permanente, projetos para a reativação de trens de passageiros e de turismo, entre Paraíba do Sul e Cavaru; Miguel Pereira a Governador Portela e a reativação da Estrada de Ferro Mauá e nos demais trechos importantes abandonados ao Deus dará.

Hélio, é autor de inúmeras obras-primas, numa apreciável quantidade e trabalhos publicados de rara relevância. São temas que apresenta com grande desenvoltura em nível nacional, daí, ser requisitado  por entidades de engenharia para proferir palestras, debates etc., por estes Brasis afora.

Dentre as suas obras literárias, destaco: A formação das Estrada de Ferro no Rio de Janeiro- o resgate de sua memória; Manual Básico em Engenharia Ferroviário, o seu carro-chefe. Participou da redação de capítulos versando sobre:- A origem das Estradas de Ferro, Conceitos Básicos (Função e Constituição da Via Férrea, Bitola Ferroviária e Noções Gerais-Material Rodante), Projetos técnicos de superestrutura e outros complementares, no tempo e  no espaço e  sua atuação como agente de mudança,   progresso e de desenvolvimento do modo ferroviário.

De há muito, manifesta o seu inconformismo com a situação degradante em que se encontram os trechos de linhas férreas no Estado do Rio.

Todos, indistintamente todos, ficávamos atônitos e nos perguntávamos:  como ficar sem o Hélio, naquelas alturas do jogo? Perdendo de 10 x O, com a inércia de vários governos ignorando a situação dos trechos abandonados. Ponderávamos no sentido de que o Suêvo não levasse à frente a ideia de pendurar as chuteiras. Não podíamos perder o nosso “Suevogol,” pois nutríamos a esperança de que algo de bom iria acontecer. Para gáudio e satisfação  da  galera, eis que, neste final de 2019, surge a Frente Parlamentar; na linguagem e ditado popular, está sendo a   “salvação da lavoura.”

Nessa empreitada da volta dos trens, não se pode desvincular a figura marcante de Hélio Suêvo, pois, em várias  oportunidades,  ele foi e é peça- chaves, pelo seu conhecimento técnico, tendo-se em vista estar presente em todos os momentos anteriores dessa luta, que será vitoriosa para o Estado do Rio.

Em nossas reuniões nos Conselhos, da AENFER, do MPF e até nas da Academia Ferroviária de Letras, AFPF, como prestador do múnus  público  dedicado  às tarefas que lhe são cometidas, até dias atrás, Hélio ficava aborrecido por não ver as iniciativas das autoridades para a volta dos trens aos trilhos.

Suêvo é um apóstolo ferroviário e não vê a hora  do  retorno  dos trens circulando pelos trechos abandonados. Com instalação da Frente Parlamentar Ferroviária e já no estágio de operacionalização de medidas efetivas, em sua fala, na Audiência Pública realizada no dia 06/11, ele  manifestou otimismo e acredita no êxito das demarches que estão sendo tratadas pela presidência da Frente, de um número representativo de deputados e a participação do Executivo Estadual, na pessoa do Secretário de Estado de Transportes, Dr. Delmo Pinho. Eles não estão sozinhos.

Registre-se que as obras literárias produzidas pelo Hélio, são fontes de consulta pelos acadêmicos  de  engenharia,  de  administração,  e até de direito e professorado, que desejam conhecer a  rica história das ferrovias brasileiras.

Valho-me da oportunidade para fazer uma pequena digressão: Em inúmeras atividades da vida brasileira,  tivemos  duplas  de  agentes  famosos. No futebol, Pelé e Coutinho; na RFFSA, os professores Victor José Ferreira e Wallace de Souza Vieira (VW); na literatura, nas últimas décadas, não desejando fazer  comparações,  registro  a formação da dupla: Hélio  Suêvo  e João Bosco Setti, autores que editaram verdadeiras obras do gênero, que têm sido fontes de consultas por engenheiros, estagiários e  tecnólogos  interessados de várias áreas.   

Em verdade, em verdade, é  justo  que  nós outros, como o Hélio nos sintamos otimistas e a ele tributemos as justas homenagens, por sua dedicação  à causa ferroviária, como reconhecimento de quem só quer somar para a volta dos trens, missão que nos enriquece a todos, nessas alturas dos acontecimentos no processo viário brasileiro.

Em termos pessoais escreveria páginas e mais páginas, mas, jornalisticamente, dou “meia trava,” por questão do  espaço  que  é deferido.

Efetivamente, registre-se,  Suêvo é um ícone admirado, respeitado por grande parte da comunidade que fez e faz o trem andar (circular).

 

Genésio Pereira dos Santos/Advogado/Jornalista/Escritor.

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