Coronavírus: transportes públicos do Rio seguem lotados

RIO – Mesmo com a recomendação de ficar em casa e evitar aglomerações, em decorrência dos casos de  coronavírus no Estado do Rio de Janeiro, os transportes públicos ainda continuam lotados. Na manhã desta terça-feira, o governador Wilson Witzel determinou que as frotas funcionem com 50% da capacidade de lotação a partir desta terça-feira,17. Mas a população segue uma rotina normal.

— Estou há dois anos sem trabalhar, e só ontem comecei no emprego novo. Com essa recomendação do governador, espero que a empresa não me dispense — lembra a jovem, que carrega um frasco de álcool em gel dentro da bolsa.

— Venho no trem lotado e evito encostar nas pessoas. Mas, impossível isso não acontecer. Mas tenho lavado as mãos com frequência e uso álcool em gel a todo momento.

A mesma medida tem sido adotada pela digitadora Ferrari Souza, de 62 anos. Ao embarcar no trem em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ela evita encostar nas pessoas, mas a lotação diária do transporte não impede o contato. Mas a idosa, que entra no grupo de risco, espero que a nova decisão do governo estadual possa ajudar a população a se conscientizar.

— Álcool em gel sempre e não ficar próximo das pessoas. Infelizmente, o trem vem lotado e isso não é possível. Espero as pessoas caiam em si e comecem a ficar em casa. O meu patrão está vendo se conseguimos trabalhar de casa. Enquanto isso não acontece, vamos tomando os cuidados necessários – afirma.

População apreensiva com o contágio

Com o aumento de casos do Covid-19 no Estado do Rio – são 31 confirmados até o momento, sendo 29 só na capital –, a população segue com medo de ser contagiado. A assistente administrativo Carla Silva, de 39 anos, está preocupada de ser infectada pelo vírus. A mulher é mais uma entre centenas de usuários que utiliza ônibus, diariamente lotado, e ainda lida com o público. Indagada se sua empregadora vai adotar o trabalho em casa, a mulher diz que não.

— Venho de Irajá diariamente e receio pegar a doença. As pessoas precisam trabalhar. Quem tem que se concretizar são os empregadores. Como não vou trabalhar? Tenho que pagar as minhas contas. Se eu não for, serei demitida – diz.

Nos serviços de aplicativos, motoristas já adotam medidas para atender os passageiros, que podem ser de diversos lugares do país e do mundo. Carlos Otavio de Oliveira Leite, de 56 anos, que trabalha nos dois aeroportos do Rio – o Internacional do Galeão e Santos Dumont – há dois anos, tem utilizado máscara cirúrgica e álcool em gel de dez em dez minutos. O profissional passou a ter esse cuidado pelo fato de receber diariamente turistas estrangeiros.

— Desde quando começou as notícias de que a doença havia chegado ao Rio, passei a usar a máscara e o gel. Pego muitos estrangeiros, e quando eles entram, ofereço o gel e digo que estou de máscara para precaução deles e a minha — explica.

Morador de Realengo, o motorista faz, pelo menos, duas vezes ao dia a limpeza do carro com álcool. Além disso, ao final do dia, o profissional lava a roupa que utilizou e toma banho antes de abraçar seus familiares.

— Faço toda uma higienização primeiro antes de tocar nos meus netos. Algumas pessoas zombam do que faço, mas é por precaução – diz.

Fonte: Jornal Extra, 17/03/2020

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