“Ferrogrão pode custar R$ 8,7 bilhões e levar sete anos para ser concluída”

A falta de infraestrutura e logística encabeça a lista dos principais gargalos do estado de Mato Grosso. Por este motivo, a conclusão de obras e a diversificação dos modais de transporte estão entre as principais demandas dos produtores rurais.

No programa Direto ao Ponto desta semana, o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, fala sobre as perspectivas para a conclusão das obras da rodovia BR-163 e a importância do investimento em ferrovias, que podem abrir novos caminhos para o escoamento da safra de Mato Grosso.

Para Vaz, o trecho da BR-163 – principal rota de escoamento da produção de grãos do estado para os portos de Miritituba e Santarém (PA) – localizado entre as comunidades de Santa Luzia e Bela Vista do Caracol tem possibilidade de ser pavimentado neste ano. São 37 quilômetros a serem concluídos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). “Vamos lutar para que até o ano que vem esteja tudo pavimentado, incluindo os trechos que estão sendo recuperados”, afirma.

Tabelamento do frete

Segundo o diretor executivo do Movimento Pró- Logística, o tabelamento do frete vem causando sérios danos para o setor produtivo. “Essa interferência do governo, numa atividade típica de mercado, está sendo muito danosa. O setor é contra o tabelamento, nós não queremos sentar à mesa para discutir um tabelamento, pois somos contra. Ainda mais quando você tem aquela ingerência de ter que pagar o frete de retorno numa contratação, isso pode inviabilizar a agricultura de Mato Grosso, assim como em outros estados. Todo mundo que contrata frete, está tendo problema”, diz Vaz.

Segundo ele, o produtor não tem como repassar esses preços, já que trabalha com commodities. ”Nós obedecemos os valores de acordo com a Bolsa de Chicago, então como vamos dizer para nosso cliente lá da China que tivemos um aumento de frete e vamos repassar o valor?”, conta.

Ferrogrão

O interesse em ampliar a malha ferroviária em Mato Grosso também faz parte das demandas antigas dos produtores rurais, que estão dispostos a entrar na ‘’briga’’ pela concessão da EF-170, a Ferrogrão, que ligará o município de Sinop (MT) ao Porto de Miritituba, no Pará. “Os produtores estão organizando uma forma de captação desse recurso para que de fato seja viabilizado a construção de um dos mais importantes trechos ferroviários do estado”, comenta Vaz.

O executivo considera que a ferrovia será um balizador de frete e trará enormes vantagens para o estado. “Sua construção beneficiará o pessoal que está na área de influência direta da ferrovia e também todo o estado”, conta.

Ele acredita que, inicialmente, seria investido o montante de R$ 8,7 bilhões para a construção da ferrovia, com um percurso inicial de 933 km. “O estudo da viabilidade da Ferrogrão é muito profundo. São mais de 4 mil páginas de projetos, 630 plantas, tudo entregue ao Ministério do Transporte. Agora falta a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) encaminhar ao Tribunal de Contas da União (TCU). E, a partir disso, teríamos mais dois anos entre a conclusão do licenciamento ambiental e dos projetos executivos. Acredito que em sete anos a ferrovia estará pode estar pronta”, afirma.

Fonte: Revista Rural, 07/10/2018

 

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