NT Expo Xperience

A NT Expo Xperience, evento 100% digital voltado para o setor ferroviário, chegou ao fim com 20 horas de conteúdos e participação de mais de 60 palestrantes, ao longo de três dias de evento (24 a 26 de novembro). A Revista Ferroviária foi a curadora das palestras, que continuarão disponíveis na plataforma Xperience da Informa Markets (https://ntexperience.com.br/login?utm_medium=cta&utm_source=acesseaplataforma&utm_campaign=site). Para acessá-las, basta fazer um cadastro rápido e gratuito.

Entre os destaques do período da tarde do último dia de programação, o debate sobre como aumentar a participação privada nos sistemas ferroviários de passageiros veio à tona, com a presença do presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), Eduardo Copello; do presidente da ViaQuatro e da ViaMobilidade, Francisco Pierrini; e do presidente da CPTM, Pedro Tegon Moro. A mediação foi feita pela editora da Revista Ferroviária, Bianca Rocha.

Para eles, a discussão sobre o tema é fundamental, já que acreditam que a parceria público-privada é a forma mais eficiente de promover a modernização dos setores ferroviário e de infraestrutura como um todo no país, promovendo uma melhor mobilidade às grandes cidades e contribuindo para a retomada de investimentos no Brasil.

No entanto, por mais que o setor experimente um momento de otimismo e que caminhe em direção a um novo crescimento nos próximos anos, os executivos levantaram alguns pontos. Para Copello, são necessários mais esforços pelo lado do poder público. ”É importantíssimo termos a clareza de uma política pública federal de financiamento do setor, para que assim estados e municípios possam investir com mais afinco no segmento. Além disso, é extremamente relevante a definição de uma política para o setor de curto, médio e longo prazo, para então proporcionarmos o desenvolvimento da mobilidade urbana no Brasil como um todo. Ou seja, isso precisa ser uma política de estado, não de governo”, disse.

Pierrini acrescentou a necessidade de se olhar também para a questão dos marcos regulatórios do setor. ”A rede de transporte de passageiros sobre trilhos ainda tem uma infraestrutura pequena no Brasil, mas com grande capacidade de ampliação. Para gerar mais atratividade aos investimentos, além de projetos, é preciso garantir ainda a estabilidade de um marco regulatório bem elaborado e de mais segurança jurídica aos contratos”.

O presidente da ViaQuatro e da ViaMobilidade aproveitou o painel também para adiantar um pouco sobre os projetos que envolvem as Linhas 4-Amarela e 5-Lilás. ”A 11ª estação, no bairro Vila Sônia, deve ser inaugurada em breve. Já na Linha 5-Lilás, estamos em meio a uma obra de concessão conjunta com a CPTM, na estação Santo Amaro, com o objetivo de realizar sua ampliação. Em ambos os casos, devemos ter novidades em breve”, pontuou.

Falando em CPTM, o presidente da companhia também revelou quais são os projetos da empresa em andamento, em parceria com a iniciativa privada. ”Um deles está sendo desenvolvido em uma parceria inédita com a empresa Tegra e envolve a construção da estação João Dias, na Linha 9-Esmeralda (entre as estações Santo Amaro e Granja Julieta). Um projeto que exigiu investimentos de R$ 60 milhões, com previsão de conclusão para 2021”, salientou Moro.

Mas, segundo ele, essa não é a única novidade. ”Ainda nos próximos dias teremos a publicação dos editais de concessões das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM, para a prestação de serviços públicos de transporte de passageiros em ambas as linhas. Essas concessões serão firmadas pelo prazo de 30 anos e exigirão da iniciativa privada uma série de investimentos, como a reforma de 30 estações, a ampliação de outras seis e mais uma série de outros aportes de melhorias em ambos os trajetos”, concluiu.

Operação autônoma: tendência no setor

A pauta sobre parcerias público-privada também foi destaque em um segundo painel no último dia do NT Expo Xperience. O assunto voltou à tona em uma apresentação que evidenciou a evolução da automação no transporte de passageiros sobre trilhos, com a palestra do analista de engenharia da ViaQuatro, Bruno Magalhães.

O executivo contou sobre o sucesso da operação e lembrou que a concessão firmada entre a companhia e o governo do estado foi a primeira PPP (Parceria Público-Privada) do país e que, desde então, um sistema altamente eficaz de transporte de passageiros sobre trilhos é cotidianamente operado. ”Hoje, a Linha 4-Amarela conta com 12,8 km de extensão, que contemplam 11 estações ao longo de seu percurso (sendo 10 já em pleno funcionamento e uma em vias de ser entregue). Além disso, são 29 trens exclusivos que transportam cerca de 800 mil passageiros por dia”, ressaltou.

Uma das características que mais chamam a atenção de quem utiliza estes trens é o fato de o sistema operar de forma autônoma, ou seja, sem maquinistas. Santos explicou um pouco mais sobre isso. ”Em uma linha de trens de passageiros, a responsabilidade dos comandos das vias e dos trens, tradicionalmente, é das pessoas. No entanto, a evolução dos sistemas eletrônicos permitiu a automação da operação, deixando para os gestores a supervisão e o controle dos sistemas de sinalização e segurança, os mais importantes”, esclareceu.

No caso da Linha 4-Amarela, o sistema escolhido foi o CBTC (Communication Based Train Control – Controle de Trens Baseado em Comunicação, em sua tradução literal). ”Este é o mais moderno sistema da atualidade quando se fala em automação. É ele o responsável por realizar o controle dos trens: se podem partir ou não, com qual velocidade devem ser conduzidos, a distância e o intervalo a ser mantido entre os trens, entre outras variáveis que controlam a operação. O sistema proporciona um ganho importante de eficiência à operação, com maior capacidade de transporte de passageiros, otimização de tempo de parada nas estações, menor quantidade de intrusões na via, maior segurança e etc.”, completou.

Marcopolo Rail se prepara para lançar VLT

Outro destaque do último dia de NT Expo Xperience foi a apresentação da Marcopolo Rail, que falou sobre as soluções que oferece o segmento de transporte, como People Movers e Similares e Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs).

”Nosso foco nos últimos anos tem sido inovar em diferentes segmentos de transporte e mobilidade nos quais o know-how da fabricante possa agregar valor ao produto, a chamada diversificação relacionada”, disse o Head de Inovação da Marcopolo S.A., Petras Amaral.

Segundo ele, o foco inicial da Marcopolo Rail inclui o fornecimento de soluções para modais ferroviários de até 25 mil passageiros/hora/sentido, que operem com velocidade máxima de 70 km/hora e possam atender tanto o segmento urbano, como intermunicipal, em cidades acima de 300 mil habitantes.

A empresa, afirma Amaral, prepara uma novidade para o mercado nacional: o lançamento de seu primeiro modelo de VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos). ”Nosso modelo de entrada neste mercado já está em fase avançada de produção, com o lançamento previsto para ocorrer em breve. Este será o primeiro VLT do país totalmente nacional, com capacidade para transportar até 760 passageiros. Para isso, ele será composto por quatro vagões, de 2,90 metros de largura, além de contar com uma vida útil que pode chegar a até 30 anos”, afirmou.

Além deste projeto, a companhia conta ainda com outras iniciativas, como a divisão de Projetos Especiais, que abre a possibilidade da efetivação de parcerias com outras empresas do mercado para a produção customizada de VLT’s sob encomenda. ”Estamos desenvolvendo todo um conceito de produção local, com o intuito de mostrar que o país pode sim contar com uma indústria nacional, não apenas de VLT’s, mas de veículos de transporte de passageiros sobre trilhos no geral”, comentou.

”Escolhemos a NT Expo para lançar a Marcopolo Rail porque é o principal evento da América do Sul voltado para a cadeia do setor metroferroviário e para enfatizar a nossa capacidade de fornecimento para o segmento dos trilhos, ampliando a possibilidade de negócios na região”, finalizou Amaral.

Descarbonização da operação ferroviária

A descarbonização da operação ferroviária foi um dos temas debatidos na programação do último dia do NT Expo Xperience. O painel ao vivo contou com a moderação do presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate, que salientou a ativa participação da indústria ferroviária brasileira em oferecer às concessionárias novos equipamentos, serviços e tecnologias fabricados com o viés sustentável como prioridade.

Gerente do Programa Powershift da Vale, Alexandre Salomão Andrade apresentou a agenda de sustentabilidade da companhia que pretende atingir a meta de ser carbono neutra até 2050. ”As ferrovias da Vale são responsáveis por 10% do total das emissões de carbono da companhia. Temos como objetivo fazer a transição de uma matriz fóssil para outra baseada em fontes renováveis, por isso, em 2018, lançamos o programa Powershift para estudar tecnologias que reduzam as emissões de carbono”, explicou.

Outra ação do programa da Vale foi o projeto de desenvolvimento da primeira locomotiva 100% elétrica da mineração brasileira e que está em fase de testes desde setembro no pátio da empresa na unidade de Tubarão, em Vitória (ES). O projeto é uma parceria com a Progress Rail, que fabricou a locomotiva na unidade fabril de Sete Lagoas, Minas Gerais. O diretor de Engenharia da empresa, Sidarta Beltramim, também participou do painel.

O novo modelo é movido a bateria e, além de reduzir a emissão de gases poluentes, é capaz de diminuir a emissão de ruídos. Beltramim ressaltou o papel da Progress Rail de buscar alternativas para a fabricação de locomotivas movidas a gás natural e a bateria. ”Atuamos ativamente na renovação da frota ferroviária brasileira com a reconstrução e revisão de locomotivas mais antigas – mais poluidoras do meio ambiente – , o que contribui diretamente para redução das emissões de carbono”, afirmou.

Ainda no painel, o engineering leader da Wabtec Corporation LatAm – fabricante de locomotivas e fornecedora de soluções digitais -, Rodrigo Venditti, destacou as características da locomotiva FLX Drive, solução a bateria da empresa. Para ele, o setor ferroviário sofreu uma revolução nos últimos 20 anos no aspecto de eficiência e as tecnologias de baterias foram um salto tecnológico em direção à redução das emissões de carbono. ”No futuro próximo vamos alcançar o objetivo de descarbonização total do setor”.

VLT como projeto estruturante

O papel do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) como modo de transporte estruturante no planejamento urbano das médias cidades foi moderado pelo diretor de Planejamento de Transportes da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metrô (Aeamesp), Ayrton Camargo e Silva. Ele abriu a conversa ressaltando a importância da implantação de sistemas VLT como ferramenta para uma melhor qualidade de vida dos cidadãos e o case de sucesso do sistema que está operando na Baixada Santista, que passou recentemente para a construção de um novo trecho.

Já o especialista em sistemas de VLTs, Alfonso Arroyo, destacou que falta uma visão clara do potencial de urbanização do VLT. Para ele, o modal é elemento indispensável de mobilidade urbana no futuro das cidades inteligentes (smart cities). Ele elencou os recursos característicos dos sistemas de VLT’s que promovem os benefícios para a população e a tecnologia de ponta embarcada, como câmeras internas e externas, contagem de passageiros, uso de energia renovável e conceitos rigorosos de acessibilidade e segurança para passageiros e pedestres que circulam em torno do equipamento.

Por sua vez, o diretor de Ferrovias e Transporte Urbano da Egis Engenharia e Consultoria, Philippe Grisez complementou os pontos levantados por Arroyo com imagens que evidenciam o impacto positivo da implantação de VLT’s nas cidades de Estrasburgo, Reims, Amiens e Marselha, na França, e em Sidi Bel Abbès, na Argélia. Grisez pontuou os benefícios sustentáveis como diminuição da poluição sonora, a reorganização do acesso e o fluxo na circulação de carros e os aspectos amigáveis para o deslocamento segura de pedestres e usuários de ciclovias.

Ainda na conversa online, o CEO das operações ferroviárias do Grupo Itapemirim e ex-secretário Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos na Governo do Brasil, Jean Pejo, fez coro com os palestrantes sobre as vantagens do VLT já exploradas pelo painel e destacou os dois desafios principais enfrentados atualmente para a implantação do sistema. O primeiro é que o tema não entrou na pauta das autoridades do poder público que atuam nas milhares de cidades do país. E o outro desafio é a falta de atores interessados em projetos desta natureza. ”Precisamos incentivar a participação de fundos de investimentos, por exemplo, que estão cada vez mais atuantes em projetos de infraestrutura no Brasil”.

Pejo completou dizendo que é importante discutir o sistema de VLT dentro de uma visão holística, com foco principal na mobilidade e na qualidade de vida das pessoas.

Os desafios da manutenção na via permanente

A NT Expo Xperience contou também com um painel ao vivo que reuniu profissionais das ferrovias de carga para falarem dos desafios e inovações na manutenção de via permanente. A moderação foi feita pelo engenheiro Master da Vale, Renato Lataliza Vasconcelos.

O gerente executivo da Estrada de Ferro Vitória a Minas, Fernando Lopes Alcântara, iniciou o painel falando sobre o dilema em manter o equilíbrio entre o alto nível de segurança oferecido sem aumentar os custos de manutenção da via. Ele comentou que na operação de manutenção da EFVM, os focos de atenção são o monitoramento de ativos e a potencialização da mecanização.

”Temos como previsão para os próximos cinco anos a atuação de 33 equipamentos diferentes para o processo de inspeção/monitoramento. Também estamos aumentando o nível de produtividade na troca de dormentes da ferrovia com uma máquina Tie Gang, que substitui a troca manual do material”, disse Alcântara. Para ele, a capacitação de mão de obra, a transição para a indústria 4.0 e a atualização dos aspectos regulatórios serão os tópicos que dominarão o debate sobre o futuro da manutenção da via permanente.

Participaram da conversa online também Luciano Gaudêncio, gerente geral de Manutenção da Malha Ferroviária, e Sofia Pimenta, gerente de Engenharia Industrial da empresa. Os dois apresentaram o Comitê de Inovação, criado em novembro do ano passado na MRS, com o objetivo de engajar a participação dos colaboradores para a sugestão de iniciativas voltadas para a inovação, com foco em manutenção de via mais otimizada e preditiva.

Sofia comentou que nos dois primeiros Pitch Day’s realizados foram cadastradas 141 ideias, que posteriormente foram avaliadas pelos critérios estabelecidos do Comitê. ”Já temos algumas iniciativas para a execução de projetos pilotos”, disse.

Já o gerente executivo de Via e Projetos da Rumo Logística, Thiago Fiori, falou sobre as três vertentes que guiam a manutenção da via permanente da operação sul da Rumo, que tem um alto nível de complexidade pela diversidade operacional da linha e pelo fato de a ferrovia cruzar cinco estados. Ele falou sobre a importância do controle rigoroso sobre o desperdício para uma manutenção mais eficaz, com a redução de custos, e sobre a governança que busca padronizar os processos e a sustentabilidade do negócio.

Fiori disse que há dois programas da empresa que potencializam essas três vertentes: o de certificação individual, que oferece capacitação para os colaboradores, e o de melhoria contínua, que otimiza aspectos de segurança e assertividade. ”Apenas com seis meses de ativação do projeto já registramos uma economia estimada de R$ 13 milhões com a otimização dos processos na manutenção da via e a queda de 75% em ocorrência e acidentes”, afirmou.

Para finalizar o painel, o presidente da Ferrovia Tereza Cristina (FTC), Benony Schmitz, chamou a atenção para um dos desafios que são enfrentados pela concessionária na manutenção da via da malha no estado de Santa Catarina. ”A situação mais desafiadora é a contratação de mão de obra qualificada. Temos uma rotatividade de colaboradores que chega a 30% ao ano”, disse.

Para atenuar o problema, o presidente da FTC ressaltou os esforços para aumentar a eficiência na gestão de pessoas com o auxílio de ferramentas tecnológicas. A companhia implementou um aplicativo que monitora, em tempo real, os serviços executados na via e os materiais aplicados em cada atividade (dormentes, trilhos, parafusos e etc). Com a ferramenta é possível que o supervisor de cada equipe receba de forma atualizada a programação montada mensal para a equipe, o que otimiza o processo de manutenção da via.

Revisão de engates para trens de passageiros

Explorando as temáticas mais técnicas, a NT Expo Xperience, apresentou um painel com o Business Unit Manager da Dellner, Luis Augusto Ribeiro, que falou sobre como prolongar a vida útil do sistema de engates para trens de passageiros de forma segura até o próximo período de revisão. De origem sueca, a Dellner, é líder global na produção de sistemas de conexões para trens, com soluções personalizadas para fabricantes de trens, operadores e empresas de manutenção.

Ribeiro pontuou os passos para a revisão dos engates que incluem: desmontagem, inspeção, teste não destrutivo e funcional e relatório final. No Brasil, a Dellner tem uma unidade em Cajamar, interior de São Paulo.

Fonte: Revista Ferroviária

 

 

 

 

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