O Sistema de Transportes, Recursos Naturais, Cidades e o Desenvolvimento do País

Engenheiro Paulo Augusto Vivacqua esteve no auditório da AENFER no dia 30 de agosto para participar de mais uma rodada do ciclo de palestras técnicas.

O engenheiro Paulo Augusto Vivacqua esteve no auditório da AENFER no dia 30 de agosto para participar de mais uma rodada do ciclo de palestras técnicas.

Vivacqua é engenheiro civil; pós-graduado em economia; graduação e mestrado em Ciências (astronomia); Fundou e presidiu a VALEC, empresa do Ministério dos Transportes, responsável pelo planejamento, projeto e construção do sistema ferroviário de integração do Brasil. É presidente emérito da Academia Nacional de Engenharia.

Ao ser anunciado pelo vice-presidente Alexandre Almeida e pelo diretor Helio Suêvo, agradeceu a honra de estar numa entidade tão importante para o Brasil em todos os aspectos, inclusive históricos e disse estar emocionado por encontrar pessoas tão importantes.

Ele foi convidado para falar sobre o Sistema de Transportes, Recursos Naturais, Cidades e o Desenvolvimento do País.

Vivacqua

Com muita maestria o engenheiro levantou questões importantes e considerou equivocadas algumas privatizações que foram feitas.

Lembrou que estamos no hemisfério sul, fonte de matéria prima e de mercado interno e desde os primórdios foi objeto de genocídio e massacre, até hoje sendo massacrado mas de forma sutil, contínua e lenta, através da miséria e da violência e que o norte invade e escraviza o sul de forma monstruosa.  Segundo ele, 1% da população detém mais de 50% da riqueza e 80% apenas 5.5% dessa riqueza, de acordo com um dado atual.

Falou da China que se recuperou e hoje começa a praticar seu próprio colonialismo em busca de riquezas e que estamos na mira deles. Ela é a maior economia do mundo do poder de compra equivalente, grande potência nuclear e hoje no Brasil vem ocupando o mercado interno btrasileiro, comprando e construindo infraestrutura, exportando para o Brasil serviços de engenharia, máquinas, desindustrializando e desempregando no nosso país. Ele deu um simples exemplo dos bordados que vem da China e que estamos perdendo e desempregando bordadeiras de alta qualidade.

O palestrante comentou sobre a visita do secretário de Defesa dos EUA James Mattis que esteve recentemente no Brasil e nos alertou sobre o perigo que a China nos proporciona. É preciso ficar atento para não perdermos a soberania e o mercado de trabalho.

Num breve e importante histórico, falou da era Getúlio Vargas, que em 1942 fundou a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e a Petrobras, sendo um grande salto para a economia brasileira, visto que, o mundo precisa de recursos minerais.

Ele apontou a importância da construção da ferrovia Carajás e os minérios que estavam naquele local passaram a ter valor de mercado, sendo uma capitalização brutal que a empresa estatal sofreu passando de média para grande, o que mostra a importância da ferrovia.

A ferrovia foi deixada de lado para haver maior controle. Um planejamento estratégico para vender caminhão e veículos, disse.

O palestrante enfatizou ainda o total desequilíbrio dos meios de transportes, salientando que, pelas rodovias trafegam 70% do transporte de cargas, ficando 11% para a ferrovia, 10% para rios e navegação costeira e 9% para os demais (minerodutos, aviões e outros).

Vivacqua lembrou da recente greve dos caminhoneiros e a repercussão em termos econômicos e sociais ainda com reflexos no PIB nacional.

Ele falou da Valec, uma continuação da Valuec e da construção da ferrovia Norte – Sul, feita com todo planejamento, com a finalidade de ativar as riquezas internas.

Enfatizou que a ferrovia construiu inúmeras cidades e desenvolveu grandes áreas do interior. Para o palestrante o Brasil poderia viver de recursos naturais, seguido de universidades e institutos de pesquisas, tudo derivado do uso da matéria-prima, mas ressaltou que a elite que governa está permeada fortemente por interesses contrários aos nossos.

Criticou a privatização da Vale feita pelo governo FHC para estrangeiros, sendo hoje, metade nacional, o que significa que todo o esforço de engenharia no passado foi perdido e com poucas reações da sociedade.  Ele não concorda com a ideia de se privatizar para pagar dívida, uma vez que minério são recursos naturais e frisou que, apesar de toda dificuldade que há hoje no que foi firmado, não significa que não haja como melhorar ou recuperar.

Ele lembrou que o Brasil construiu o projeto Carajás somente com empresas de engenharia brasileiras, tendo como princípio contratar somente mão de obra nacional.  Agora os novos donos contrataram a duplicação com empresas do exterior, dando emprego e prestígio aos estrangeiros, disse.

Ele citou algumas justificativas sobre a venda da Vale e que discorda totalmente

Na época, foi colocado que o governo não tinha condições para ampliar os investimentos na Vale. Para ele essa afirmação é falsa, pois a Vale financiava projetos com suas vendas. O mega projeto Carajás  já estava pronto e pago.

O governo alegou que, sendo uma estatal, não  tinha mobilidade para poder funcionar no mercado. Para Vivacqua não é verdade, pois a Vale já conquistara  25% do mercado mundial,  pronta para atender a grande  demanda da China .

Foi afirmado também que ela estava submetida a muitas regras e pagava  muito pouco imposto. O engenheiro diz que é falsa essa informação: 86% dos seus lucros (muito superiores a simples impostos) eram do Governo.

Ele salientou que devemos modificar o rumo porque o país é nosso e alertou que a Petrobras está indo no mesmo caminho da Vale. Por conta da corrupção justificam que seja o momento de privatizar para pagar dívida. Em sua avaliação, quem tem petróleo não tem dívida.

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