Palestra-MagLev

O professor, mestre e doutor Richard Stephan da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, apresentou no dia 5 de junho no auditório da AENFER, palestra sobre o veículo de Levitação Magnética denominado MagLev-Cobra.

O movimento deste veículo se fundamenta no princípio de levitação para transporte desenvolvido na COPPE/UFRJ. É baseado no efeito de exclusão de campo magnético do interior dos supercondutores (chamado também de Efeito de Meissner-Ochsenfeld, que foi descoberto em 1933) e só pode ser explorado devidamente a partir do final do século XX graças ao avanço técnico em novos materiais magnéticos e pastilhas supercondutoras de alta temperatura crítica.

A tecnologia do MagLev-Cobra permite que ele se locomova através da formação de um campo magnético de repulsão entre os trilhos e os módulos de levitação. Pastilhas supercondutoras substituem as rodas e são compostas de ítrio, bário e cobre. Para criar este campo magnético, que faz o trem levitar, os cientistas resfriam os supercondutores a negativos 196º Celsius, utilizando nitrogênio líquido.

O nitrogênio líquido é um meio refrigerante que custa menos de R$ 0,30 por litro e não polui o meio ambiente. Mas essa não é a única entre as vantagens econômicas e de sustentabilidade do MagLev-Cobra da UFRJ. A energia estimada para seu uso é de 25 quilo-joules (kJ) por passageiro-quilômetro, bem menos que o consumo de um ônibus comum que é de 400 kJ, ou de um avião de 1200 kJ por passageiro transportado a cada quilômetro.

Atualmente, o sistema está sendo implantado no Campus Fundão  UFRJ numa linha de testes de 200 metros com finalidades experimentais, que já transportou mais de 15 mil pessoas, entre visitantes, autoridades, alunos e professores. A pista fica entre os prédios CT1 e CT2 no Fundão, estando aberta à visitação sempre às terças-feira no horário das 11 às 15, de forma gratuita.

Entre as vantagens do MagLev-Cobra, o professor citou o baixo peso do veículo, baixo consumo energético, ausência de ruídos no deslocamento e a não emissão de poluentes. A estrutura modular do veículo faz com que ele se assemelhe a uma cobra, permitindo que o mesmo se inscreva em curvas de pequenos raios.

A Infra e a Superestrutura que suportam o MagLev são de baixo custo, implicando em obras civis mais rápidas e enxutas. Sua utilização em vias elevadas dispensa a abertura de túneis. Calcula-se que o MagLev Cobra custe bem menos que o metrô, a solução urbana mais corriqueira no mundo. Enquanto os metrôs custam de R$ 100 a 300 milhões/km, o MagLev Cobra custará aproximadamente R$ 33 milhões/km.

Segundo o professor, os custos totais, desde a sua criação sob a forma de protótipo em escala reduzida no ano 2000 até hoje, custou pouco mais de R$ 10 milhões e são necessários apenas mais R$15 milhões para sua homologação como veículo de transporte de pessoas. Contudo, o professor lamentou as enormes dificuldades na obtenção de apoio institucional e financeiro para o projeto.

Na opinião da diretoria da AENFER o projeto é merecedor de todo apoio, pois trata-se de um novo paradigma com tecnologia limpa desenvolvido pela engenharia nacional. É de se admirar que essa luta de Dom Quixote por um projeto dessa magnitude não encontrou eco na administração pública.

 

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