Rio e Minas nos trilhos do turismo

O primeiro trem turístico interestadual do Brasil já está pronto para começar a operar em um ramal que passa por oito cidades dos dois estados, unindo Três Rios (RJ) a Cataguases (MG). A estreia definitiva vai acontecer no segundo semestre.

Segundo o presidente da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Amigos do Trem, Paulo Henrique Nascimento, idealizador do projeto, serão duas composições com 15 vagões no total duas locomotivas G12, uma unidade geradora de energia, dois vagões lanchonete/restaurante, cinco para classe turística e um para deficientes. O trecho terá 187 quilômetros e funcionará aos sábados, domingos e feriados.

“Agora, depois dos ajustes finais, falta pouco para que nosso sonho seja realizado. Acreditamos que já no início do segundo semestre, o trem, que vai estimular o turismo interestadual, começará a circular definitivamente. Vamos provar que os trens turísticos são autossustentáveis”, adianta Paulo Henrique.

O Trem Rio-Minas passará pelas estações dos municípios de Três Rios (RJ), Chiador (MG), Sapucaia (RJ), Além Paraíba (MG), Volta Grande (MG), Recreio (MG), Leopoldina (MG) e Cataguases (MG). Juntas, as cidades somam 900 mil habitantes. “Uma composição fará o trecho Três Rios-Cataguases, enquanto outra cumprirá o sentido inverso, ambas com partida às 9h. Elas vão se cruzar no meio do percurso”, explica.

Cada trecho deverá durar em torno de três horas, sendo que as duas composições terão capacidade para transportar até 860 passageiros. “Os preços das passagens ainda estão sendo estudados, mas já está decidido que os moradores dos oito municípios pagarão menos, como forma de estimular o comércio entre essas cidades”, avisa.

Empolgado, Paulo Henrique conta que, até o fim do ano, o Rio-Minas pode ganhar extensão de mais um ramal. Com cerca de 40 quilômetros, o futuro trecho teria, inicialmente, três estações Santo Antônio de Pádua (RJ) e Palma e Recreio (MG). “É o antigo ramal que chegava a Campos dos Goytacazes”, destaca, lembrando que o nome inicial seria Trem da Terra, mas foi mudado para Rio-Minas depois de citação feita pelo DIA.

O Projeto

O Rio-Minas ganhou vida graças à parceria entre Oscip, empresários, Inventariança da Rede Ferroviária Federal, líderes dos governos estaduais, Associação Brasileira de Preservação Ferroviária/Porto Novo, Agência Nacional de Transportes Terrestres, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Ferrovia Centro-Atlântica (Grupo Vale) e prefeituras. As composições foram compradas pelo Supermercados Bramil, de Três Rios, que doou para a Oscip. “Ainda há interesse de parcerias com outros empreendimentos, que poderão exibir suas marcas na lataria”, comenta Paulo Henrique.

Promessa é de gerar emprego e renda

Paulo Henrique Nascimento garante que o Trem Rio-Minas vai ser responsável por incrementar o turismo e gerar pelo menos 500 empregos diretos e indiretos nos estados do Rio e de Minas. “São pessoas que vão trabalhar no trem, na manutenção, nas estações de embarque e desembarque, e nas lojas de artesanatos. O projeto fortalecerá também a agricultura familiar da região”, contabiliza o presidente da Oscip.

Outro benefício é a possível reativação da malha ferroviária em outro pontos do Brasil. Conforme Paulo Henrique, trens necessitando de reformas para entrar em operação não faltam. “A União nunca esteve tão interessada na reativação deles. Por isso, temos insistido em parcerias”, ressalta ele, acrescentando que uma luxuosa Litorina (vagão com motor próprio), fabricada nos Estados Unidos há 57 anos, foi reformada e entrará em operação em Miguel Pereira, no Sul fluminense.

Fonte: Jornal O Dia, 20/05/2018

1 Comentário

  1. LUIZ CARLOS BERÇOT disse:

    PARABÉNS PELA INICIATIVA, PAULO HENRIQUE. AGORA PRECISAMOS ARTICULAR E VIABILIZAR A EXTENSÃO DESSE PROJETO INOVADOR ATÉ CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ, PASSANDO POR SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA E SÃO FIDÉLIS, MUNICÍPIOS QUE SÃO CORTADOS PELA VIA FÉRREA REMANESCENTE DA CONCESSÃO EFETIVADA PELA UNIÃO PARA A FERROVIA CENTRO ATLÂNTICA (FCA), A QUAL DEVOLVEU ESSE SEGUIMENTO DE LINHA-TRONCO POR RAZÕES INADMISSÍVEIS, CONSIDERANDO-SE PRIMEIRAMENTE OS TERMOS DO CONTRATO E, SEGUNDO, A INESTIMÁVEL PERDA DO VALOR PATRIMONIAL (EM DEPREDAÇÃO E SUCATEADO), VIÁRIO E CULTURAL REPRESENTATIVO DA SUBJETVIDADE COLETIVA DOS HABITANTES DESSA MESORREGIÃO (ZONA DA MATA E PLANÍCIE COSTEIRA),INCRUSTADA GEOGRAFICAMENTE ENTRE OS ESTADOS DO RIO DE JANEIRO E MINAS GERAIS.

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