Saiba algumas ações tomadas para evitar contágio no transporte público

RIO – A confirmação dos casos de coronavírus na cidade do Rio levou as concessionários de transportes públicos a adotar algumas medidas para proteger os passageiros contra o contágio da doença. Uma das ações adotadas pelo VLT, por exemplo, foi liberar automaticamente a abertura das portas, evitando assim o contato manual do passageiro com o botão de acionamento.

As concessionárias também estão intensificando a limpeza dos meios de transporte, promovendo campanha de conscientização dos usuários e treinando pessoal. Nas estações das barcas, os passageiros dispões de álcool gel para limpeza das mãos. Além disso,  a cada partida das barcas, uma  mensagem pelo sistema de som orienta os usuários sobre as medidas para evitar a doença.

Durante entrevista nesta tarde, o prefeito Marcelo Crivella divulgou uma série de recomendações para evitar o contágio na cidade, entre elas que ônibus e BRTs evitem a superlotação, e prometeu disponibilizar álcool gel nas estações do BRT. O prefeito recomendou ainda a adoção de jornadas alternativas de trabalho nos setores do comércio, indústria e serviços para evitar superlotação no transporte e, sempre que possível, adoção do trabalho em casa.

Alguns passageiros começam a mudar o comportamento, diante dos riscos da doença. Gleici Keli Nunes Barros Costa, de 45 anos disse que não sai de casa sem os lenços com álcool gel. Ainda assim, toma uma série de precauções no transporte coletivo.

– Busco evitar todo tipo de contato com outros passageiros, o que é quase impossível. Também evito passar a mão no rosto e procuro lavá-la na primeira oportunidade. Além disso, uso álcool gel onde eu vejo disponível, como aqui na estação das barcas – disse a doméstica que mora em Alcântara e trabalha no Rio.

O estudante Márcio Kempert, de 20 anos, também recorreu ao álcool gel disponibilizado na estação Praça Quinze das barcas, perto da entrada dos banheiros. Para o jovem, a precaução no transporte público é fundamental, por se tratar de um ambiente por onde circulam muitas pessoas.Já o aposentado Francisco Martes, de 65, não dispensou nem a máscara cirúrgica.

– Cheguei da Europa há poucos dias. Estava em Portugal. Todo cuidado é pouco. O uso da máscara é uma maneira de proteger a mim e às outras pessoas também – justificou o passageiro.

Embora a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado recomende fortemente que a população evite aglomerações, trens e metrô lotados continuam fazendo parte da rotina do carioca. No fim da tarde desta sexta-feira, em pleno horário de pico, passageiros disputavam espaço nos vagões.

– Medo a gente tem, mas também tem que trabalhar. Levo álcool gel na bolsa, lencinho umedecido. E como minha mãe é enfermeira, ela me orienta sobre o que fazer – conta a operadora de telemarketing Lídia dos Santos, de 27 anos, depois de descer do metrô na estação Central.

Do outro lado da Avenida Presidente Vargas, na Central do Brasil, a situação não era diferente. Filas nas bilheterias, plataformas cheias e vagões lotados formavam um cenário muito diferente do que foi recomendado pelo governador Wilson Witzel, que suspendeu aulas, atividades e eventos com aglomerações.

Enquanto esperava na plataforma do ramal Santa Cruz, a administradora de empresas Aline Dutra, de 23 anos, se dizia preocupada com a pandemia. Algumas viagens a trabalho chegaram a ser canceladas, mas a exposição ao novo coronavírus no transporte público é inevitável.

– Tenho medo, mas, infelizmente, a gente não tem outra opção. Não tiro o álcool gel da bolsa e passo o tempo todo – relata.

No VLT,  a desinfecção das composições é feita a cada fim de viagem e início da outra, com álcool a 70%. Dentro dos vagões, cada fiscal responsável por verificar a validação dos bilhetes dos passageiros carrega o seu próprio frasco de álcool gel. Alguns mudaram o método de trabalho. Um deles, que não quis se identificar contou que nem pega mais no documento de identidade dos idosos para conferir a idade. Pede para mostrarem, de longe. Ele disse que se preocupa também com a temperatura baixa dentro das composições.

– Ouvi dizer que o coronavírus não sobrevive em ambientes acima de 26 graus. Aqui (dentro do VLT), como é refrigerado, está abaixo disso  –  disse o fiscal.

Para o  infectologista Edmilson Migowski, o transporte coletivo é um ambiente que favorece a propagação do vírus, devido a aglomeração de pessoas bem próximas umas das outras. Ele sugere como medida para evitar superlotação, que as empresas adotem horários diferenciados de entrada e saída de seus funcionários, como recomenda a prefeitura.

Outra medida, segundo ele, é os consórcios de ônibus disponibilizarem um número maior de veículos e em intervalos menores, para evitar superlotação. No caso da higienização sugere a disponibilização de álcool gel para os passageiros.

–  Uma medida interessante é disponibilizar álcool gel para as pessoas higienizarem as mãos na entrada e na saída do veículo. É uma medida simples, não é um investimento alto e é o que se faz, por exemplo, nos navios de cruzeiro – diz, acrescentando que a desinfecção dos veículos a cada viagem também é uma medida eficaz e o ideal seria usar álcool a 70%.

Há quem veja também no risco da doença, uma oportunidade de ganhar dinheiro. Nesta manhã, no trem do ramal de Belford Roxo, um ambulante vestindo bermuda, camisa do Flamengo e calçando chinelos carregava um saco plástico com dezenas de frascos de álcool gel e apregoava a mercadoria a R$ 4, a unidade, sendo que quem levasse três pagava R$ 10. Em poucos minutos vendeu tudo.

Fonte: O globo, 13/03/2020

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