Supervia diz ter prejuízo com redução de embarques durante a pandemia, mas trens vêm circulando lotados

RIO — Apesar de a SuperVia alegar prejuízos com a queda no volume de passageiros durante a pandemia, quem usa trens diariamente vive uma rotina de superlotação. Usuários reclamam da desobediência aos intervalos e da necessidade de baldeações, que tornam as viagens mais longas em vagões cheios, desrespeitando as regras de distanciamento social.

O Sindicato dos Ferroviários diz que o problema é resultado da redução de frota. Isso acontece, segundo o presidente do sindicato, Valmir Lemos, o Índio, porque pelo menos 800 dos cerca de 3 mil funcionários da concessionária, incluindo maquinistas, foram afastados de suas atividades por integrarem o grupo de risco da Covid-19.

Enquanto isso, quem depende do transporte sofre. Na quinta-feira, a equipe de reportagem embarcou numa viagem no ramal Japeri e constatou que as composições circulam cheias, com passageiros espremidos uns contra os outros, num flagrante risco sanitário, pois nem todos usavam máscara. Era tanta gente que nem os camelôs tinham espaço para circular com suas mercadorias. Num dos vagões, um vendedor de vassouras não conseguia sair do lugar.

— Acho que os trens estão circulando mais cheios do que antes da pandemia. Distanciamento não existe — afirmou a recepcionista Juliana Morais, de 34 anos.

Passageiros de outros ramais também se queixam dos mesmos problemas. O gestor de logística Douglas Mendonça, de 32 anos, utiliza o de Saracuruna. Na quinta-feira, por volta de 9h20, ele viajava em pé no trem que o levava de Gramacho para a Central. De acordo com a SuperVia, o pico matinal nesse ramal se concentra das 5h às 8h.

— O certo seria aumentar a frota para promover espaçamento entre as pessoas e não ter aglomeração — sugeriu Mendonça.

Queda no movimento

Segundo a Supervia, o movimento apontava uma perda de 308.812 passageiros ocorrida na última quinta-feira, o que corresponde, segundo a concessionária, a uma redução de 51, 2% de usuários em relação a uma quinta-feira comum, antes da pandemia. No acumulado de 14 de março até agora, a perda total estava em 36.122.453 passageiros.

Em nota, a Secretaria estadual de Transporte garante que a taxa de ocupação dos trens está abaixo de 50% determinado pelo estado durante a pandemia. “No ramal Japeri, por exemplo, a taxa média de ocupação no pico da manhã está em torno de 40%. Cabe à Agência Reguladora (Agetransp) fiscalizar o cumprimento dessa lotação máxima.”

Segundo a secretaria, “na próxima semana deverá ser apresentado e aprovado na Câmara de Deputados um projeto de lei que destinará recursos para a mobilidade urbana nacional.”

A Agestransp, por sua vez, informou que está fazendo um grande estudo técnico sobre o sistema durante a quarentena. A nota da agência reguladora diz que “estão sendo analisadas desde as reduções de oferta e de demanda até o afastamento de pessoal por motivos de doença e de prevenção ao Covid-19. Inclusive, foram realizados ajustes necessários para que o funcionamento das concessionárias pudesse se adequar às regras vigentes com os decretos do Governo do Rio”.

Fonte: O Globo, 25/07/2020

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