Supervia e Rio querem solução rápida para defeito em trens chineses

A retirada ontem (18/11) de 40 trens fabricados na China, que fazem o transporte de passageiros na região metropolitana do Rio, abriu uma discussão entre a concessionária prestadora do serviço, a Supervia, a fabricante dos veículos – a chinesa CRRC – e o governo do Estado. A concessionária e o Estado esperam solução rápida para o problema, que tirou da operação 20% da frota de 201 unidades da Supervia. A estimativa é de que cerca de 420 mil pessoas podem ser impactadas de alguma forma diariamente. São usuários de linhas ou ramais da Supervia de onde os trens com problemas foram retirados. O motivo da parada dessas unidades foi a quebra da caixa de engrenagem, mecanismo que recebe a energia elétrica da rede e a transforma em energia cinética, possibilitando a movimentação do trem.

O Valor apurou que a Supervia, a CRRC e o governo do Estado discutem uma solução para o problema. Uma possibilidade é que os chineses façam a troca completa da caixa de engrenagem dos trens. Até a retirada dos 40 trens, ontem, o fabricante havia feito um “recall” que não deu certo. A primeira quebra de caixa de engrenagem aconteceu em 2016. Depois do “recall”, as composições continuaram com necessidade de reparos pontuais, que vinham sendo feitos pelo fabricante nas oficinas da concessionária, segundo a Supervia. Em nota, a concessionária informou ontem que nas últimas duas semanas observou o “agravamento” dessas falhas, o que só poderia ser resolvido pelos fabricantes.

De acordo com a Supervia, as empresas fornecedoras orientaram que os trens fossem removidos de circulação. As caixas de tração dos trens ainda se encontram na garantia, segundo a Supervia. “A SuperVia enviou comunicados frequentes aos fabricantes CRRC e Voith sobre os problemas em série detectados nas caixas de tração do segundo lote dos trens de fabricação chinesa, que foram adquiridos pelo governo do Estado e entregues à empresa entre 2014 e 2016”, diz trecho da nota da concessionária.

Da frota total de 201 trens da Supervia, 100 unidades são chinesas. O primeiro lote, com 30 unidades, foi entregue em 2012 e foi comprado diretamente pela concessionária. Esses trens não apresentam problemas. Os outros 70 trens, entregues entre 2014 e 2016, foram comprados pelo governo do Estado. São essas unidades que acusaram defeitos. Todos os trens chineses foram fabricados pela CRRC, fornecedor do setor metroferroviário não só no Brasil, mas também em outros países da América Latina, disseram fontes. Entre especialistas, trabalha-se com a possibilidade de que possa ter havido erro de projeto ou falha na especificação do equipamento dos trens que apresentam problemas. Um desafio é que o fornecedor pode ter dificuldades de repor de forma rápida as caixas de engrenagem em número elevado. Os equipamentos são importados.A reportagem entrou em contato com representante da CRRC no Brasil, mas não obteve retorno. Fontes do governo do Estado disseram que Supervia, CRRC e governo do Estado devem se reunir hoje. A Supervia detém, além dos trens chineses, trens coreanos na frota e possui ainda unidades produzidas pela francesa Alstom. Em maio deste ano, a Supervia passou por uma mudança de controle acionário, com a empresa sendo assumida pela Gumi Brasil, que tem como principal acionista a japonesa Mitsui. Os japoneses estão surpresos e preocupados com a dimensão do problema com os trens chineses.

Ontem o governador do Rio, Wilson Witzel, disse que o Estado também foi surpreendido pelo problema. “A Agetransp [a agência reguladora do Estado] vai avaliar [a situação]”, disse Witzel. E acrescentou: “Se for o caso, vai multar e vai determinar que ela [Supervia] tome providências.” Witzel disse que a concessionária pode ter sido “vítima”. “Tudo isso tem que ser apurado e a solução tem que ser a mais rápida possível”, afirmou.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2019/11/19/sup…

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