UMA SEGMENTAÇÃO PARA OS TRENS TURÍSTICOS BRASILEIROS (segunda parte)

3. DEFINIÇÃO DAS VARIÁVEIS

A formulação do problema consiste na definição das variáveis a serem aglomeradas. O conjunto de variáveis escolhidas deve descrever a semelhança entre os objetos de forma relevante para o problema de pesquisa. As variáveis podem ser escolhidas com base em pesquisas passadas e na teoria. Entretanto, quando o objetivo for um estudo exploratório, o pesquisador deve utilizar a sua intuição investigativa para definição das mesmas como é o caso deste estudo.

Para compor as variáveis deste estudo, escolheu-se três grupos de fatores associados à oferta local onde está inserido o trem turístico. O primeiro fator contempla as características internas do próprio sistema ferroviário. O segundo diz respeito às características sócio-econômicas dos municípios. E o último trata dos atrativos turísticos do passeio, denominado “fatores de atratividade”.

3.1. Características Internas do Sistema de Transporte Ferroviário Turístico

O primeiro fator, relativo à demanda turística ferroviária, refere-se às variáveis internas do sistema. Estas variáveis foram obtidas a partir de dados operacionais para o ano de 2000, coletados junto às operadoras de trens turísticos. Considerando-se que muitas informações não puderam ser obtidas pela inexistência das mesmas em alguns sistemas, foram selecionadas apenas três que estão, diretamente, associadas aos fluxos turísticos. São elas:

  • Passageiros transportados: total de passageiros transportados pelo sistema durante o ano. Esta variável poderia ter sido a única selecionada para a segmentação entre os trens turísticos, porém, como se acredita que outros fatores também contribuem para a composição da demanda turística ferroviária, foram selecionados uma série de outras variáveis associadas ao tema em questão. A inclusão desta variável serve de parâmetro para as demais, inclusive de outros fatores;
  • Tarifa: sendo a viagem um movimento entre dois pontos, verifica-se que a demanda turística depende tanto das características relativas a estes dois pontos quanto do custo deste movimento Considerando-se que, em alguns sistemas, existem tarifas diferenciadas por tipo de viagem, percurso, composição etária, para simplificação deste estudo, optou-se pela maior tarifa praticada no ano, no percurso de ida, para representar esta variável.

 

Tabela 3.1.1 – Variáveis Internas dos Trens Turísticos – Ano 2000

SISTEMAS Pass Transp. (ano) Tarifa (R$)
Bento Gonçalves 81.347 20,00
Tubarão 4.531 5,00
Corcovado 377.716 20,00
Campinas 54.491 16,00
Litorina Curitiba 21.919 70,00
Trem Curitiba 115.075 43,00
Pindam./C Jordão 11.137 30,00
C.Jordão/SAP 43.760 20,00
C.Jordão/Abernéssia 33.670 5,00
Pindamongangaba/RAC 10.298 4,00
S.João Del Rey 49.434 10,00

 

3.2. Características Sócio-Econômicas do Município

O segundo fator refere-se às características sócio-econômicas dos municípios nos quais estão inseridos estes sistemas.

RABAHY (1990) aponta a existência de uma certa correlação entre o tamanho das cidades e o número de turistas. A força de atração de uma cidade está associada, dentre outros fatores, à sua infra-estrutura urbana e turística e se comporta como fonte geradora de fluxos a todos os atrativos nela instalados.

Para BENI (2000) a demanda de uma atividade turística particular, ligada a uma certa distribuição no espaço (como os trens turísticos), é derivada da demanda turística final. Esta demanda final é composta, por sua vez, do somatório das demandas das atividades e equipamentos instalados, como alojamentos, equipamentos de alimentação, de animação, dos recursos naturais, culturais.

Desta forma, a composição dos aspectos sócio-econômicos do município, onde estão inseridas as ferrovias turísticas, pode ser expressa pelas seguintes variáveis:

Variáveis da Infra-Estrutura Turística

  • Número de hotéis (NHOT); número de restaurantes (NREST); número de museus (NMUS). A fonte utilizada neste subgrupo, GUIA QUATRO RODAS BRASIL/2000, embora não represente a totalidade dos dados de uma cidade, possui critérios próprios. Como a base utilizada foi a mesma para todos os municípios, as eventuais falhas existentes são compensadas mutuamente.

 

Variáveis da Infra-Estrutura Urbana (Anuário/ 98 – IBGE)

  • Energia Comercial (ECO): consumo de energia elétrica comercial no Município; Energia Total (ETO): consumo de energia total no Município (comercial, residencial, industrial e outras).As variáveis de consumo de energia elétrica são um importante medidor das características sócio-econômicas de uma cidade ou região, utilizado mais regularmente em modelos de transporte, onde através do padrão de consumo nas diversas categorias e a evolução ao longo do tempo, é possível obter uma sólida idéia sobre o nível de desenvolvimento econômico da localidade.

Tabela 3.2.1 – Variáveis Sócio-Econômicas dos Municípios dos Trens Turísticos

SISTEMAS NHOT (*) NREST (*)
(No)
NMUS (*)
(No)
ECO (**)
(MWh)
ETOT (**)
(MWh)
Bento Gonçalves 17 4 1 15.565 168.339
Tubarão 5 2 1 16.309 141.589
Corcovado 97 157 77 3.406.808 13.386.636
Campinas 24 19 8 351.360 1.567.185
Litorina Curitiba 58 59 18 533.934 2.324.386
Trem Curitiba 58 59 18 533.934 2.324.386
Pindam./C Jordão 3 1 1 13.558 762.676
C.Jordão/SAP 46 16 2 21.400 59.970
C.Jordão/Abernéssia 46 16 2 21.400 59.970
Pindamongangaba/RAC 3 1 1 13.558 762.676
S.João Del Rey 23 4 7 10.344 69.340

(*) Dados Guia 4 Rodas (2000) (**)Dados IBGE – Anuários Estatísticos Municipais (1998)

3.3. Atrativos Turísticos do Passeio – Fatores de Atratividade

As variáveis associadas ao “fator de atratividade do passeio” tiveram que passar por uma adaptação, uma vez que representam características qualitativas. Isto decorre da inexistência de informações específicas para o setor ferroviário turístico. Foram observadas, classificações na área turística, para os setores rodoviário e hidroviário, tanto nacionais (Embratur) quanto internacionais (BENI 2000). As que mais se identificam com os trens turísticos referem-se ao sistema hidroviário turístico. Após o estudo destes setores, chegou-se a uma classificação, específica para o sistema ferroviário turístico, que serviu de base para a composição das variáveis de atratividade do passeio.

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