Vale reduz meta de endividamento para US$ 10 bilhões

A Vale vai continuar a perseguir a redução do endividamento uma vez que para uma empresa de commodities – sempre sujeita às variações de preços no mercado – carregar dívida representa risco elevado. “Uma empresa como essa não pode ter dívida”, disse ontem o presidente da mineradora, Fabio Schvartsman. Ele afirmou que a meta da companhia é reduzir a dívida para US$ 10 bilhões, mas não citou prazos. Ao fim de setembro, a dívida líquida da Vale era de US$ 21 bilhões. Na ocasião, a empresa indicou projeção de dívida líquida entre US$ 15 bilhões e US$ 17 bilhões para o fim de 2017.

Ao palestrar ontem no seminário “Reavaliação do risco Brasil”, promovido pela Fundação Getúlio Vargas, com apoio do Valor, no Rio, Schvartsman citou quatro “alavancas” que devem ajudar a criar valor e melhorar a percepção do mercado em relação à companhia. Citou performance, estratégia, governança e sustentabilidade. Disse que se esses pilares apresentarem os resultados previstos a Vale não precisará mais recorrer a dívida para fazer investimentos. “Poderá investir usando o próprio equity [capital], o que é alinhado com percepção de risco dentro da ideia de que empresa de commodities não pode fazer dívida”, disse Schvartsman. Para atingir esse objetivo, porém, as ações da empresa precisam se valorizar para que possam ser usadas como “moeda” para investimentos futuros.

“Primeiro vamos reduzir dívida e depois pagar dividendos como a companhia nunca pagou na história. Passa a ser política deliberada de pagar dividendos de maneira alta porque o objetivo não é ficar com caixa e nossos investimentos são para serem feitos com as nossas ações”, disse Schvartsman. Na parte dos debates, o executivo foi questionado pelo economista Geraldo Langoni, da FGV, sobre a política de investimentos da mineradora.

Schvartsman disse que o caminho para a Vale é demonstrar, em primeiro lugar, que é capaz de entregar resultados “adequados” nos investimentos feitos. Uma vez que os resultados apareçam, a Vale poderá “fazer o que quiser” em termos de investimentos, disse Schvartsman. “O que não falta são oportunidades.” Mas destacou que a prioridade será investir melhor que no passado. “A alocação de capital é um mantra para todas as empresas do setor.”

Na apresentação, o executivo fez uma crítica à atuação do setor de mineração no “superciclo” das commodities, quando o minério de ferro atingiu cotações próximas de US$ 200 por tonelada. Segundo ele, houve “destruição de valor” nesse momento de altos preços, quando a indústria mineral investiu cifras elevadas, tendo de fazer frente a compromissos financeiros e pagar dividendos, tudo ao mesmo tempo, o que levou ao endividamento das empresas. Essa política fez com que entre 2010 e 2016 a maioria das empresas do setor tivesse queda nas notas de crédito.

A Vale seguiu a mesma lógica: investiu demais e não produziu bons resultados com os investimentos feitos naquele período. “A Vale investiu uma quantidade absurda em diversos negócios, especialmente em níquel, e não produziu nem perto do resultado que deveria frente ao investimento que fez”, afirmou Schvartsman.

Fonte: Valor Econômico, 05/12/2017

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