Visconde de Mauá

O Jornal AENFER de novembro/dezembro teve como matéria principal a história de Irineu Evangelista de Sousa, o Visconde de Mauá em comemoração aos 200 anos de seu nascimento e publicamos o resumo de sua biografia. Confira abaixo a biografia completa do primeiro empreendedor ferroviário bem sucedido no Brasil.

  • 1813 (28 dezembro): nasce Irineu Evangelista de Sousa em Arroio Grande, Jaguarão, RS.
  • 1819: seu pai é assassinado por ladrões de gado.
  • 1820: Irineu é alfabetizado pela própria mãe.
  • 1821: A mãe e viúva vem a se casar, seguida pela rejeição pelo marido dos filhos do casamento anterior e Irineu é entregue à guarda do tio.
  • 1822: Aos 9 anos parte em viagem com outro tio, capitão de navio, para o Rio de Janeiro.
  • 1824: Trabalha como caixeiro na loja de tecidos do comerciante português Antônio Pereira de Almeida.
  • 1829: Com a falência daquele comerciante é admitido na empresa importadora do comerciante escocês Richard Carruthers.
  • 1836: Torna-se gerente da casa comercial Carruthers & Cia.
  • 1837: Com o retorno de Richard Carruthers à Inglaterra, Irineu permanece à frente do negócio como sócio.
  • 1840: Irineu realiza a primeira viagem à Inglaterra a negócios, onde conhece a nova realidade do capitalista e as invenções da Revolução Industrial.
  • 1841: Irineu casa com sua sobrinha, Maria Joaquina, “May”, com quem tem dezoito filhos, ao longo de quarenta anos, dos quais onze nascem com vida .
  • 1844: Entra em vigor a Lei Alves Branco, que aumentou os impostos de importação sobre produtos estrangeiros, criando dificuldades para as empresas importadoras.
  • 1845: Irineu liquida os negócios da Carruthers & Cia.
  • 1846: Iniciou o Estabelecimento de Fundição e Estaleiros Ponta da Areia, para atuar na indústria pesada, fundição, estaleiro e caldeiraria, considerada a maior e mais importante indústria do Brasil em todo o período do Império.
  • 1849–1850: Com embarcações construídas na Ponta da Areia iniciou a Companhia de Rebocadores Barra do Rio Grande.
  • 1851: Fundou a Companhia de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro, cujo controle deteve até 1855. Organizou o segundo Banco do Brasil.
  • 1852: Fundou as Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas (baseado num contrato de concessão de direitos de exploração por trinta anos), a Companhia Fluminense de Transportes e a Companhia de Estrada de Ferro de Petrópolis (a primeira ferrovia do país, que vai do Porto Estrela, em Guia de Pacobaíba, no município de Magé, até Petropólis).
  • 1854 (25 de março): Acenderam-se os primeiros lampiões a gás na cidade do Rio de Janeiro.
  • 1854 (30 de abril): Na presença do imperador Pedro II do Brasil e de autoridades, inaugurou o primeiro trecho (14 km) da Estrada de Ferro de Petrópolis, entre o porto de Mauá, na baía de Guanabara, e a estação de Fragoso, na raiz da serra da Estrela (Petrópolis), na então Província do Rio de Janeiro. Na mesma data, recebeu do imperador o título de Barão de Mauá.
  • 1855–1856: Exerceu o cargo de Suplente de Deputado. No período, criou uma colônia agrícola para trabalhadores na então Província do Amazonas e iniciou as conversações com investidores para a construção de uma ferrovia de Santos a Jundiaí, na então Província de São Paulo.
  • 1855: (30 de abril) Juntamente com 182 investidores formou a Mauá, MacGregor & Cia, Instituição Financeira, que contou com filiais em várias capitais brasileiras e em Londres, Paris, Nova Iorque, Buenos Aires e Montevidéu.
  • 1856: Investiu no Caminho de Ferro da Tijuca, empresa que veio a falir em 1868.
  • 1857: Eleito deputado. As instalações da Ponta da Areia são destruídas por um incêndio criminoso.
  • 1858: Inauguração da Estrada de Ferro Dom Pedro II (depois Estrada de Ferro Central do Brasil).
  • 1862: Obteve a concessão para a exploração do transporte urbano por bondes na cidade do Rio de Janeiro, organizando a Companhia do Caminho de Carris de Ferro do Jardim Botânico. Os direitos dessa empresa foram transferidos para uma companhia de capital norte-americano, a “Botanical Garden’s Railroad” (1866), que inaugurou a primeira linha entre o Jardim Botânico e Botafogo (1868).
  • 1867 (1 de janeiro): Funda o banco Mauá & Cia. que sucedeu a Mauá, MacGregor & Cia.
  • 1867 (4 de abril): Inauguração da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Início do processo de falência de Mauá.
  • 1871: Investiu na Estrada de Ferro do Paraná.
  • 1872: Iniciou novas colônias agrícolas na Província do Rio de Janeiro. Inauguração do cabo telegráfico submarino.
  • 1874: Organizou a Companhia de Abastecimento de Água do Rio de Janeiro, que operou até 1877.
  • 1874 (26 de junho): Recebe do Imperador Dom Pedro II o título de Visconde, com grandeza, de Mauá.
  • 1875: Requer, perante o Tribunal de Comércio do Império, moratória aos credores por três anos.
  • 1877: Encerra as atividades da Fundição e Estaleiro da Ponta da Areia.
  • 1878: Publica o artigo O meio circulante do Brasil. Encerra das atividades do Banco Mauá.
  • 1879: Elabora e publica o livro Exposição aos credores e ao público, explicando as razões da moratória e das suas dificuldades financeiras, que levaram as suas principais empresas à falência, estando incluída nessa obra a sua autobiografia.
  • 1882: Os trilhos da Estrada de Ferro de Petrópolis chegam até a cidade de Petrópolis.
  • 1883: Viaja para Londres, tentando encontrar solução para a sua situação financeira.
  • 1884 (26 de novembro): Aos 70 anos de idade, após ter liquidado as dívidas com os seus credores, recebeu carta de reabilitação de comerciante, e passa a exercer a atividade de corretor de mercadorias, especialmente na área do café, mudando-se para Petrópolis.
  • 1889 (21 de outubro): Falece em Petrópolis, já em situação financeira estável, na então Província do Rio de Janeiro, às vésperas da Proclamação da República.

 

Mauá, exemplo para os dias atuais

No currículo de Mauá destaca-se não só sua capacidade pessoal de grande empreendedor, homem de visão e objetivos bem declarados, como pessoa que enfrenta os revezes sem desanimar. Nem todos os seus empreendimentos foram bem sucedidos. Alguns foram prejudicados pela ação de outros empresários e principalmente de homens políticos que discordavam de suas iniciativas. Em alguns momentos teve o apoio político e financeiro do Estado mas não dependeu destes fatores para construir o seu império. Quando precisou fechar empresas não postergou a decisão. Quando ficou endividado procurou soluções dentro e fora do país. Seu império passou por ascensão e declínio. No entanto, devido à sua personalidade, não deixou para trás nenhum rastro de dívidas, não prejudicou a ninguém e chegou ao fim de seus dias podendo quitar suas dívidas pelo esforço pessoal.

Já vimos, infelizmente, em nosso Brasil várias situações assemelhadas em que aqueles que estiveram à frente de grandes negócios, uma vez levados à bancarrota, se valeram de subterfúgios ou benesses oficiais para não honrar seus compromissos, muitas vezes creditando-os à poupança suada da Nação.

 

Um estilo diferente de administrar negócios

“A combinação de ousadia nos projetos, prudência na execução e grande preocupação em gerir bem os recursos dos sócios se completava com uma política administrativa totalmente fora dos padrões brasileiros.(…) Mesmo sendo obrigado a lidar com a escravidão ele conseguiu o milagre de misturá-la a um sistema de gerência altamente descentralizado, que valorizava a responsabilidade individual de cada empregado. (…) No caso dos escalões mais altos a política de valorização do trabalho era mais radical ainda. Ele delegava autoridade, insistia para que seus comandados fizessem o mesmo e costumava distribuir parte dos lucros entre os funcionários da empresa. (…) Essa política pouco ortodoxa de transformar cada empregado de confiança em empresário ampliava muito o raio de ação de Irineu. Sem ela seria inimaginável a montagem de empresas separadas fisicamente por milhares de quilômetros num tempo de comunicações precárias, com ordens mandadas por cartas e navios. (…) Nem mesmo seus parentes escapavam da regra inflexível do mérito, totalmente desconhecida numa sociedade onde arranjar empregos para a família era considerado um dos pontos mais altos da atividade política (…)” A soma de todas essas características resultava num estilo de negócios estranho aos costumes locais: corajoso, inovador, ágil, eficiente, meritocrático.”

In: Mauá, empresário do império (Jorge Caldeira), pág. 258.

 

Homenagens

  • Estátua em bronze inaugurada em 1º. de maio de 1910 pela prefeitura do então Distrito Federal. Características: tamanho natural sob uma coluna de granito de cerca de 8m de altura, de autoria do escultor Rodolfo Bernardelli;  colocada no centro da Praça Mauá, próximo ao cais do porto.
  • Em 1º. de junho 1914 fundada a Escola Técnica Estadual Visconde de Mauá no bairro de Marechal Hermes, Rio de Janeiro, que hoje faz parte da rede FAETEC.
  • Em 1926 inaugurado o prédio da Estação Barão de Mauá, início da Estrada de Ferro Leopoldina (hoje abandonada).
  • Em 1936 a Casa da Moeda do Brasil lançou uma moeda de cupro-níquel comemorativa de 200 réis (série “Brasileiros Ilustres”) com a efígie de Mauá no verso e da locomotiva “Baronesa” no anverso, com reedições em 1937 e 1938.
  • Em 1963 os Correios  emitiram selo com a imagem do Visconde (Barão) de Mauá.
  • Em 2010 os Correios emitiram selo comemorativo alusivo aos 150 anos do Ministério dos Transportes, com a imagem do Barão de Mauá (considerado Patrono dos Transportes).
  • Diversas escolas de samba desenvolveram enredos relativos a Irineu Evangelista de Sousa. No Rio de Janeiro (1963) o GRES Portela com o título “Barão de Mauá e suas Realizações” ficou em 4º lugar no Grupo Especial e o GRES Acadêmicos do Cubango (2012), com o enredo “Barão de Mauá – Sonho de um Brasil Moderno” obteve o 4º lugar no Grupo Acesso A. Na sua terra natal a Escola de Samba Unidos da São Gabriel homenageou-o em 1992 com o enredo “O Apito do Trem”, vindo a ser campeã naquele ano.
  • 2013 – a AENFER concede a Medalha Engenheiro Paulo de Frontin por ocasião da 16ª. edição anual do evento no qual reconhece os valores daqueles que muito contribuíram para a área ferroviária. Na mesma ocasião houve o lançamento do selo personalizado dos 200 anos de seu nascimento.

2 ideias sobre “Visconde de Mauá

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